BARACK OBAMA AND THE WHITE HOUSE IN CUBE FORM – 1
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BARACK OBAMA AND THE WHITE HOUSE IN CUBE FORM – 2
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BARACK OBAMA E A CASA BRANCA EM FORMA DE CUBO -1
A edição de outubro de 2012 da revista Alfa (1), traz como matéria de capa, o presidente Barack Obama, com o título “11 lições de Obama para resolver problemas“. Ao percorrer os tópicos destas “lições”, vemos algumas sugestões de senso comum como: “saiba do que você está falando”, “nunca perca a cabeça” ou “evite bajuladores”. Com exceção da inquestionável: “preserve a vida familiar”, a melhor de todas, no mais, nada inovador….
Esse é mais um dos inúmeros exemplos com que a imprensa brasileira e internacional – apesar dos fracos resultados da economia americana nos últimos quatro anos – têm tentado se utilizar para transformar o presidente americano num “ícone”. Tanto nesse caso, como em vários outros, como se diz no Brasil, a mídia está “forçando” : tentando tirar muito do pouco…
Bem diferente é o tratamento dado ao candidato oponente, o Republicano Mitt Romney, que frequentemente é ridicularizado e apresentado como um retrocesso. Não é exagero afirmar que a imprensa, “torce” por Obama, e de forma especial, os telejornais, que apresentam os comícios do candidato democrata em “clima de Copa do Mundo”, como se o telespectador brasileiro fosse cidadão americano…
Chega a soar surreal: “O Estado de São Paulo” um jornal muito rejeitado pela esquerda brasileira e tido como “conservador”, publicou uma matéria de Jonathan Weisman (N.Y. Times) (2), que apresenta de forma negativa, a tentativa de Mitt Romney durante a Convenção Republicana, de se mostrar como um americano de origem humilde e de se identificar com imigrantes e com várias etnias, mas que na verdade é um “milionário”. Ora, ser milionário, não é por si só, algo bom ou algo ruim, mas o estranho é um jornal que historicamente não enquadra na ideologia marxista, entrar nessa onda do: “ cuidado, ele é milionário “….
Outro jornal, mais fiel ao seu perfil de agradar leitores de esquerda, a “Folha de São Paulo”, vai mais longe, e abraça ainda mais a causa do “Yes, we Can”,ao dizer que …”Dois cenários catastróficos ameaçam a eleição americana”(3)…. Ora, os cenários “catastróficos” na reportagem de Patrícia Campos Mello, são a possiblidade de Romney vencer, ora no voto popular, ora no Colégio Eleitoral…Romney vencer: Catástrofe ? Porquê ?
Os exemplos continuam: “Papai Romney sabe tudo” (4) – Essa, novamente do “Estado” ridicularizando o republicano por considerá-lo antiquado. Mais um: “Na reta final, novo fôlego à campanha democrata “(5) – Numa expressão quase futebolística, como um time se aproximando da liderança no campeonato brasileiro, assim elogia o “Valor Econômico” o desempenho de Obama no segundo debate…
À essa altura, podemos entender que a julgar pela imprensa, os democratas são o “bem”, e os republicanos, o “mal”. Barack Obama, um “anjo”, e Mitt Romney, tem chifres, carrega um tridente e tem um rabo pontudo…
E Romney ?
É um candidato mais simpático aos cristãos americanos, não tanto pela sua religião: é Mórmon, mas por suas posições mais restritivas ao aborto, embora o aceite em casos especificos como o estupro, algo que o Cristianismo não tolera, pois considera o aborto “intrinsecamente mau”, ou seja: não existe “aborto bom”. Juntamente com o fato de ser contra as politicas de Barack Obama, e ser promotor de um modelo mais liberal na Economia, é considerado por muitos eleitores, como um “mal menor”….
Fazendo um trabalho de “garimpo” nos jornais, podemos colher depoimentos fortes e bastante lúcidos em favor do candidato republicano, embora não recebam o devido destaque. Uma breve entrevista no “Estado”(6), com o vocalista Genne Simmons da banda de Rock Kiss, retrata essa situação de modo preciso :
Estado – Ouvi que você declarou voto em Mitt Romney recentemente, dizendo que Obama era uma decepção para você…
Simmons – Não estou certo. Votei em Obama, mas ele não domina o mundo do comércio. Romney é um businessman, tem condições de melhorar a educação, criar empregos. Eu queria agora, ver o que os candidatos tem a dizer para decidir. Ele tem feito uma boa campanha, mostra que as pessoas agora têm uma opção. Eu ainda estou me decidindo.
Estado – Mitt Romney é mórmom. Isso não coloca a religião no meio da política? Não é complicado ?
Simmons – As duas coisas mais importantes, as que são prioridade neste momento, são empregos e como tornar o país seguro. O restante pode ser discutido depois.
Bem mais incisivo, foi o depoimento do ator e diretor Clint Eastwood -autor do famoso “discurso da cadeira vazia” e eleitor declarado de Romney, em entrevista a Luis Carlos Merten – do Caderno 2 do “Estado”(7):
Estado – O senhor tem apoiado a candidatura de Mitt Romney à Presidência dos EUA, porque ?
Clint – “ Não quero ser ofensivo com Obama, mas com ele, a América e o mundo andam à deriva. Gostem ou não as pessoas no exterior, a América representa o poderio militar e econômico. Não se pode vergar. As políticas de Obama são sociais. Muita intervenção do Estado para o meu gosto. Sou contra o intervencionismo. Detesto quando o estúdio vem me dizer o que tenho de fazer. Venho de uma família que passou dificuldades e até fome, na depressão dos anos 30. Meu pai nunca esperou que o governo viesse nos salvar. Ele deu duro e nos ensinou a nunca depender dos outros. Um país é como uma casa. Precisamos de uma boa limpeza, e quem pode fazê-la é Romney. ”
E Wall Street concorda com Simmons e Eastwood: (8)
“A utilidade para Obama é limitada à essa altura. Embora as ações estejam em alta, os salários estão em queda, o crescimento do PIB, tem sido anêmico e a taxa de desemprego, continua elevada” – na opinião de Andy Laperniere, chefe da prática de análises políticas do ISI Group.
“O Mercado quer Romney e ponto final. Os profissionais do mercado financeiro reconhecem que as ações estão se saindo bem, mas a grande maioria dessas pessoas está convencida de que o mercado vem subindo apesar de Obama, e não por causa dele….” acrescenta Greg Valliere da Potomac Pesearch .
Pode-se dizer que a imprensa e o mercado financeiro não estão falando a mesma linguagem. A imprensa está impregnada de ideologia, e tem exercido forte influência na opinião pública dos EUA e do mundo inteiro…
Não é a Economia, estúpido…
A Economia americana vai mal e Obama não é uma unanimidade. Apesar do “esforço eleitoral” da imprensa americana e mundial, pode-se dizer que o desempenho eleitoral de Obama é muito fraco. Com um quadro assim, seria razoável que se desejasse a mudança, que se optasse por Romney. Acontece que a “mudança” que parte da sociedade americana e da imprensa desejam, já aconteceu e ocupa a Casa Branca: Barack Husseim Obama.
Se é verdade ou mito que Luis XIV disse “O Estado sou Eu“, Obama, bem pode dizer “A Mudança sou Eu“.
Em termos práticos, pode-se afirmar que o crescimento econômico e a geração de empregos, não é a motivação principal dos apoiadores de Barack Obama, e sim, o fato do atual presidente americano, assumir uma postura de mudança de valores a caminho da secularização da sociedade americana em que os valores religiosos são deixados de lado dando lugar a critérios politicos para definir o que é licito ou ilícito nas ações dos cidadãos e dos governos. Durante décadas os EUA foram apresentados como um modelo de país desenvolvido, agora, querem que os Estados Unidos sejam um modelo de “sociedade secular e satisfeita”. Assim sendo, a definição de casamento, a consolidação de “formas alternativas” de familia, o direito à vida e a própria liberdade religiosa, passam a ser discutidos por critérios de consenso político sob a chancela da “democracia” . Os valores da moral cristã sob o qual se fundamentou a nação americana, ficam de fora. O “certo” e o “errado”, dependeriam de consenso politico….
Há um trecho muito interessante do filme Magnun 44 ( Magnun Force, 1973 – EUA ), em que o detetive detetive Harry Callahan – interpretado por Clint Eastwood – discute com um colega de trabalho, sobre a ação secreta e ilegal de uns policiais que resolveram fazer justiça com as próprias mãos executando os chefões do crime na cidade. Num trecho do diálogo, o personagem cita o “Esquadrão da morte” que atuava no Brasil como exemplo, e diz que se formos permitir que as pessoas ajam por conta própria, iremos acabar matando uma pessoa porque passou no farol vermelho..( sinal de trânsito )
Ora, qual o parâmetro do detetive Callahan ? A Lei
Qual o parâmetro da Lei ? Os valores fundamentais de uma sociedade.
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BARACK OBAMA E A CASA BRANCA EM FORMA DE CUBO -2
Os valores fundamentais da sociedade americana, bem como da européia e do ocidente em geral, estão fundamentados em valores cristãos. Isso não se deve confundir com preceitos e ritos religiosos, porque entre esses valores fundamentais está a liberdade, inclusive a liberdade religiosa. Portanto, os tais valores fundamentais “não implicam em imposição de crenças religiosas”. Como exemplo, vale dizer que os valores religiosos são adequados para definir o que é vida, implicando em temas como aborto e eutanásia. É algo tão fundamental que é acessivel e aceitável até mesmo para os não-crentes. Estamos falando de algo bem diferente de imposição de crenças.Se as pessoas se tornam insensíveis à vida de um bebe no útero, porque haverão de se tornar sensíveis ao momento imediatamente posterior ao nascimento ?
Pois saibam que o presidente Obama votou contra a Lei de Proteção dos Bebês nascidos vivos. Essa lei obrigava o hospital a manter vivo o recém nascido que sobreviveu a uma tentativa de aborto . Obama votou 3 vezes contra essa lei enquanto senador pelo Estado de Illinois. Os “moderninhos” vão chamar isso de “direito reprodutivo”, mas qualquer pessoa que tenha um mínino de humanidade ( não precisa carregar a Bíblia na mão… ) vai chamar isso de infanticídio. A imprensa brasileira não fala isso. Por isso Barack Obama é tao “queridinho” aqui no Brasil…(9)
Outro exemplo revelador do perfil de Obama, aparece na campanha publicitária visando o público feminino (10): Obama nos dá uma idéia de como são os seus “valores”: Um desenho animado: “Vida de Julia” conta a estória de uma mulher da sua infância até a aposentadoria: Jùlia é a típica mulher “moderninha” pode tocar a sua vida profissional e sexual como solteira sem se preocupar, porque o “Obamacare” – Plano de saúde do goberno Obama, cuidará da moça caso se engravide. O governo americano paga o aborto. Após os 30 anos decide ter um filho. Não se fala de pai ou marido. Julia se aposenta e o filho estuda custeado pelo governo.
Outra vídeo de campanha chama-se “Primeira vez” em que a atriz Lena Dunhan compara a experiência “incrível” de votar em Obama, com perder a virgindade…exatamente isso….esse aviltamento dos valores morais e da familia, é uma marca da campanha de Obama….
Os valores religiosos são perenes e as tendências da moda são efêremas. O que é abominável hoje numa sociedade secular, pode ser tolerável amanhã pela geração futura, ( e já se nota isso….) uma vez que a sociedade secular está ancorada nas vontades do momento e não em valores fundamentais. É nesta situação que a tendência secularista européia e americana pretende colocar a sociedade ocidental, como pretexto de não obrigar os que não crêem e viver do mesmo modo do que os que crêem.
Volto a dizer….esse dilema é falso…
No ano de 2003 por ocasião das discussões da Nova Constituição da União Européia, em que vários lideres europeus, queriam excluir do texto, a menção a Deus, o Papa João Paulo II, fez a seguinte declaração no Angelus de 16 de fevereiro :
“… Precisamente por isso se pediu que, no futuro Tratado constitucional da União Européia, não deixe de se conceder um espaço a este património comum ao Oriente e ao Ocidente. Uma referência como esta nada tirará à justa laicidade das estruturas políticas (cf. Lumen gentium, 36; Gaudium et spes, 36, 76) mas, ao contrário, ajudará a preservar o Continente, por um lado, do duplo perigo do laicismo ideológico e, por outro, do integralismo sectário… ” (11)
Note-se que o Papa, se refere a uma “justa laicidade”, que distingue a esfera política da religiosa que portanto, respeita as diversas crenças, não tendo ( e impondo ) o Estado a uma “religião oficial”. Por outro lado, o Estado não deve impedir que os cristãos contribuam para a sociedade e expressem suas opiniões, que é uma disfarçada restrição à liberdade religiosa. Essa atitude de silenciar os cristãos é ideológica e se chama Laicismo.
Ao discursar numa igreja protestante(12), Barack Obama, pretendeu explicar seu posicionamento quanto às críticas que recebe de religiosos, e que vale aqui comentar:
Obama: “…Dada a crescente diversidade das populações dos Estados Unidos, os riscos de sectarismos estão maiores do que nunca. O que quer que nós já tenhamos sido, nós não somos mais uma naçã cristã. Pelo menos não somente. Nós somos também uma nação judaica, uma nação muçulmana,e uma nação budista, e uma nação hindu, e uma nação de descrentes.E mesmo se nós tivéssemos apenas cristãos entre nós, se expulsássemos todos os não-cristãos dos Estados Unidos da América, o cristianismo de quem nós ensinaríamos nas escolas? Seria o de James Dobson, ou o de Al Sharpton ?”
Comentário: Aqui, Obama brinca com a divisão entre denominações cristãs citando James Dobson, um pastor evangélico fiel à tradição cristã no campo da moral sexual, e outro, Al Sharpton, também pastor, mas de posição controversa, pois é favorável ao “casamento gay”. Ora, Sharpton, não é representativo do pensamento cristão. Se Obama quisesse desenvolver um discurso sério, citaria o ensinamento do catolicismo e das igrejas protestantes históricas. No entanto, preferiu fazer piada…
Obama: Que passagens das escrituras deveriam instruir as nossas Políticas públicas ?Deveríamos escolher o Levítico, que sugere que a escravidão é aceitável…E que comer frutos do mar é uma abominação ?Ou poderíamos escolher o Deteuronômio, que sugere apedrejar o seu filho, se ele desviar da Fé ?Ou deveríamos apenas ficar com o Sermão da Montanha?Uma passagem que é tão radical que é de se duvidar que o nosso próprio Departamento de Defesa sobreviveria à sua aplicação…Nós…Então, antes de nos empolgarmos, vamos ler as nossas Bíblias agora. As pessoas não têm lido a Bíblia.
Comentário: Barack Obama parece não saber que o Levítico e o Deteuronômio, foram escritos na era anterior ao Cristianismo, portanto, atribui ao Cristianismo algo que não lhe é próprio, mas sim ao Antigo Testamento. Quanto à escravidão e cristianismo, cabe informar que no ano seguinte ao descobrimento da América em 1492, e ao longo do todo o século que se seguiu, os Papas emitiram 839 documentos condenando a escravidão. Portanto, relacionar Cristianismo e escravidão é cometer um erro de conhecimento de doutrina cristã e de história. Se fosse fazer um discurso sobre “alimentação saudável”, o presidente democrata, certamente consultaria nutricionistas para orientá-lo, mas para falar de temas relacionados à religião, prefere o improviso. A imprensa age do mesmo modo.
Obama: O que me trás ao meu segundo ponto: Que a democracia exige que aqueles motivados pela religião traduzam suas preocupações em valores universais, ao invés de específicos de uma religião. O que eu quero dizer com isso ? Ela ( a democracia ) requer que as propostas delas estejam sujeitas à discussão e sejam influenciáveis pela razão.Eu posso ser contrário ao aborto por razões religiosas,para tomar um exemplo, mas se eu pretendo aprovar uma lei proibindo a prática, eu não posso simplesmente recorrer aos ensinamentos da minha igreja ou invocar a Vontade Divina eu tenho que explicar que o aborto viola algum princípio que é acessível a pessoas de todas as fés incluindo aqueles…sem fé alguma. Agora, isso vai ser difícil para alguns que acreditam na inerrância da Bíblia,como muitos evangélicos acreditam, mas em uma sociedade pluralista nós não temos escolha. A politica depende das nossas habilidades de persuadir uns aos outros, de objetivos comuns com base em uma realidade comum. Ela ( a política ) envolve negociação, a arte daquilo que é possível. E, em algum nível fundamental,a Religião não permite negociar;é a arte do impossível.
Comentário: Será que Barack Obama não concorda que a Vida é um valor universal ? Sr. Obama, as pessoas que condenam o aborto, não têm apenas argumentos religiosos, mas civis também, uma vez que os fetos são seres humanos e têm direito à vida. Se fosse para fazer leis impondo preceitos religiosos, obrigando os não crentes a cumprir, os Adventistas, iriam propor leis proibindo as lojas de abrirem aos sábados, os Católicos iriam estipular multas para quem faltasse à Missa Dominical, e os Judeus, iriam proibir pelas leis, a venda e o consumo de carne de porco. Nada consta, que tais religiosos, estejam procedendo assim na vida civil americana…
Obama: “Se Deus falou, então espera-se que os seguidores, vivam de acordo com os éditos de Deus,a despeito das consequências. Agora, basear a vida de uma pessoa em compromissos tão inegociáveis podem ser sublime, mas basear nossas decisões políticas em tais compromissos seria algo perigoso. E se você duvida disso, deixe-me dar um exemplo:Nós todos conhecemos a história de Abraão e Isaac.Abraão foi ordenado por Deus a sacrificar seu único filho Sem discutir, ele leva Isaac montanha acima até o topo e o amarra ao Altar. Levanta a sua faca. Prepara-se para agir…como Deus ordenara. Agora, nós sabemos que as coisas deram certo: Deus envia um Anjo para interceder bem no último minuto. Abraão passa no teste de devoção de Deus.Mas é justo dizer que se qualquer um de nós, ao sair desta igreja, visse Abraão no telhado de um prédio levantando sua faca, nós iríamos no mínimo, chamar a polícia. E esperaríamos que o Departamento de Serviços às Crianças e à Família, tirasse a guarda de Isaac de Abraão. Nós faríamos isso, porque nós não ouvimos o que Abraão ouve, nós não vemos o que Abraão vê. Então o melhor que podemos fazer é agir de acordo com aquelas coisas que todos nós vemos”
Comentário: Obama, pode ver e ouvir o ultrassom. Pode ver o feto no útero de uma mãe. O mesmo feto que os Democratas não acham errado matar. Enquanto isso, a imprensa “democrata” se escandaliza quando um republicano adepto da caça, pega a sua espingarda e estoura a cabeça de um animal ( o que com certeza, não é uma imagem agradável de se ver….), quando ao mesmo tempo, milhares de crianças são arrancadas à força do útero de suas mães ( sim, as crianças procuram se defender …) e jogadas no lixo dos hospitais. Neste caso, os os jornalistas tratam o assunto como “direito reprodutivo” ou “saúde pública“…Barack Obama, pode ver e ouvir o ultrassom. Ele não precisa da Bíblia e nem ver o que Abraão vê….
Em forma de Cubo…
Gilles Lapouge, correspondente em Paris do Estado, escreveu no último sábado em sua coluna (13): “ Se os Europeus tivessem que escolher hoje o presidente americano, Barack obama, ganharia 75% dos votos e Mitt Romney se contentaria com 8%.. “ O que está parecendo é que Obama para muitos, representa a esperança. Mas, esperança em quê ?
Nos poucos empregos gerados e muitos elimininados nos EUA ? Na gigantesca dívida pública americana de mais de U$16.000.000.000.000, que deve encerrar 2012 acima de 100% do PIB ? Como essa situação poderia dar “esperança” aos europeus ? Essa preferência esmagadora do Velho Continente por Obama, tem um forte componente ideológico, embora o grau de consciência de cada indivíduo varie muito.
Um interessante ensaio do Teólogo George Weigel, entitulado: “O Cubo e a Catedral – A Europa, a América e a política sem Deus”(14), nos dá pistas claras do que ocorre hoje na Europa. O “Cubo” de que trata o livro de Weigel, é o “Grande Arco de La Défence, em Paris, uma construção moderna em forma de um cubo oco, que foi erguida em 1989, na comemoração ao Bi-Centenário da Revolução Francesa e que serve de metáfora da civilização européia que vem se afastando a passos largos das suas raizes cristãs, em contraposição às gerações anteriores que construíram as Catedrais. A moderna “civilização do cubo”, está a passos largos se afastando de Deus, o ateísmo é crescente e essa falta de crença num Ser Trancendente e Bom, faz as pessoas perderem a noção do bem e do mal. Isso tem feito gerar inquietações e desesperanças entre os jovens e adultos. A violência e o suicício tem crescido no meio de uma sociedade individualista e materialista, de tal forma que Weigel pergunta:
“É possível manter de pé uma comunidade politica democrática sem os pontos de referência morais que o Cristianismo tem para oferecer ?”
Pois é justamente esse secularismo que os europeus vêem em Obama, que motiva toda essa identificação e apoio ao presidente americano. Não se deve deixar de levar em conta que em graus variados, tanto os americanos como os estrangeiros em geral, inclusive no Brasil, vêem Barack Obama de forma positiva, por conta da uma maciça propaganda ( sim…essa é a palavra : propaganda )
O projeto do Partido Democrata nos EUA, é de matriz marxista, pois expulsa a religião como “promotora do bem” e coloca o próprio homem como promotor desse “bem”…e nisso está a raiz da confusão, pois aos poucos o conceito de bem tendo como referência a “vontade humana sem matriz religiosa”, está sujeita a tendências da moda…ou seja “democraticamente” vai se instalando uma verdadeira tirania. A quem cabe dizer: isto está certo ou errado ? Como fica a percepção do bem e do mal, sem a orientação de uma Instância Superior ?
É muito conveniente se opor a Barack Obama, por causa de sua agenda politica ou mais precisamente por razões de ordem moral, e ao mesmo tempo, dar uma ênfase muito maior nos temas econômicos que evidentemente são desfavoráveis ao presidente americano. Por outro lado, os defensores de Barack Obama, estão agindo exatamente deste modo, mas em sentido oposto: reconhecem o insucesso econômico, mas querem a sua reeleição justamente pelo mesmo motivo que seus opositores não querem: a agenda de Obama sobre temas elativos à Família. O recado dos democratas é simples : Queremos uma América diferente, com outros valores….mesmo que custe mais 4 anos de desemprego…
Portanto, vale a pergunta: e se a Economia Americana estivesse bem ?
Ficaria fácil para os Democratas, fácil ainda mais para a imprensa, e extremamente difícil para Romney e os Republicanos, mas vou fazer uma colocação muito simples : Não é de se esperar que um candidato diferente venha ocupar a Casa Branca, para estragar tudo que está bem, ainda mais quando se tem a confiança tanto de pessoas ligadas ao mundo econômico como fora dele. É o caso de Romney.
Podemos Sr. Obama, permitir que a Casa Branca e a América adotem a forma de um cubo ? Não, nós não podemos.
Está nas mãos dos cidadãos americanos.
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Notas :
(1) Revista “Alfa” Outubro de 2012 – Editora Abril – Págs. 56 a 61
(2) O Estado de São Paulo – Caderno Aliás – Pág. J5 ”Morenos e emergentes” – 02/09/2012
(4) O Estado de São Paulo – Caderno Aliás – Pág. J3 ”Papai Roney Sabe Tudo” – 21/10/2012
(5) Brasil Econômico – - Pág. 4 – “Na reta final, novo fôlego à campanha democrata” – 18/10/2012
(6) O Estado de São Paulo – Caderno 2 – Pág. C2 ”Temporada de Língua Solta” – 27/10/2012
(7) O Estado de São Paulo – Caderno 2 – Pág. D9 “O Xerife solta o Verbo” – 30/10/2012
(8) Valor – Pág. A20 – “Wall Street se recupera, mas prefere Romney” – 23/10/2012
(10) http://www.mercatornet.com/sheila_liaugminas/view/11447
(11) http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/angelus/2003/documents/hf_jp-ii_ang_20030216_po.html
(12) http://www.youtube.com/watch?v=_IHQr4Cdx88
(13) http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-fascinio-por-obama-,955021,0.htm
(14) O Cubo e a Catedral – George Weigel – Lisboa : Aletheia, 2006 – pp 151
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MAD MEN
Ou, “BAD MEN” – Os anos 60 com “Cara de cão” …
“…Tu, pessoa nefasta, tens a aura da besta, essa alma bissexta, essa cara de cão…” (1) (Pessoa Nefasta- Gilberto Gil)
Em maio de 2011, a revista “Aventuras na História” (Ed. 94), publicou uma matéria assinada por Gisela Blanco, entitulada “Tão longe, tão perto”…acerca do sucesso da Série Mad Men, criada por Matthew Weiner (Família Soprano), lançada em 2007, acumulando prêmios consecutivos desde 2008, chegando a influenciar o modo de vestir das mulheres nova-iorquinas. De fato, o cenário é a Nova York dos anos 60 e os episódios giram em torno do personagem Donald Drapper, ( John Hamm ), diretor de criação da Agência de Publicidade Sterling Cooper, situada na Madison Avenue ( donde se origina o nome da série ). Foi uma época de transformações na sociedade, que afetaram profundamente as relações familiares, com uma forte inserção da mulher no mercado de trabalho e uma maior “liberação” no comportamento sexual.
Contudo, a família ainda era uma instituição forte e prestigiada na sociedade: mais numerosa e com forte presença e influência dos pais na educação dos filhos, pois as mudanças ainda levariam alguns anos para se consolidarem, afetando profundamente o comportamento de homens e mulheres ( principalmente elas ) causando com isso, uma transformação radical nas famílias. No início da matéria, há um trecho em que a articulista, a partir do que viu nos primeiros capítulos, de Mad Men, pretende resumir o panorama da época:
“As mulheres tentam driblar preconceitos para ocupar postos de trabalho até então reservados só para homens. As saias são compridas, e a liberdade curta. Médicos não receitam a nova pílula anticoncepcional sem antes dar lições de moral. Estamos frente a frente com a geração que criou o ideal de felicidade americano. E então descobrimos: eles não eram nada felizes”
É bom se dar conta que quem diz que “eles não eram nada felizes“, é um observador atual, falando do passado, mas com critérios de hoje. Muitos escritores, jornalistas, e sobretudo historiadores, se esquecem desse critério tão básico de avaliar um tempo que passou, a partir da mentalidade da respectiva época, mas frequentemente, senão sempre, se fala do passado, com critérios do nosso tempo. Por isso mesmo, é uma arbitrariedade ( ou uma política ? ) afirmar que do modo como hoje vivemos, sejamos mais felizes…
Uma “boa” descrição do mal…
Nos anos 80, o cantor Gilberto Gil, numa entrevista, ouviu um comentário de uma jornalista acerca da letra da sua música “Pessoa Nefasta”, que fala das maldades de uma pessoa de uma forma tão eloquente que chegava-se a “admirar” essa pessoa. Talvez satisfeito com o elogio, o cantor respondeu que procurou nessa música, fazer “uma boa descrição do mal”.
A série Mad Men, pode – em parte – ser descrita desta maneira: como uma “boa descrição do mal”: muito cigarro, muita bebida, e muito adultério….e por ser uma série e não um longa de episódio único, há uma verdadeira imersão na época e no ambiente que é retratado: as ações são lentas e não há discurso “politicamente correto” – não explicitamente – e tudo isso numa qualidade impecável de fotografia e interpretação. Mas há uma falha: basicamente se mostra o mal. Rejeita-se mostrar no modelo familiar da época, qualquer tipo de vantagem, embora a sinceridade de algumas cenas, possibilite algumas reflexões úteis, como no caso de um menino solitário e carente, filho de uma mãe divorciada, que o deixa em casa com a vizinha e vai atrás de interesses particulares ( é ativista política ), e principalmente no caso do protagonista Don Drapper – filho de uma prostituta - desconheceu o carinho familiar na infância, e na vida adulta não consegue ser bom pai, muito menos bom marido…
Um exemplo para comparação temos em “O Sorriso de Monalisa” (Mona Lisa Smile, 2003), estrelado por Julia Roberts: é o exemplo perfeito de um filme “politicamente correto” que já vem com discurso pronto: É só abrir a tampa e engolir. Trata-se de um roteiro ambientado nos anos 50, mas com linguagem atual: Os personagens são caricaturados: uma moça que tem no casamento e nos filhos, a prioridade de sua vida, é frustrada, invejosa e se casa com um homem que a rejeita logo após o casamento, se envolvendo com uma amante, ao passo que a personagem principal ( vivida por Julia Roberts ), é o protótipo da “bem resolvida” na terminologia atual: é solteira, “passou” da idade de se casar para os padrões da época, prioriza a vida profissional, e quando sofre, é pelo “preconceito” dos outros que sofre, porque com ela, “está tudo bem”….não tem pressa de se casar, até porque já mantém relações sexuais com os ( sim: “os” ) namorados enquanto solteira….
Sem moralismos, podemos dizer que para ela, fica fácil não ter pressa em se casar…Num didatismo escancarado, todos os personagens centrais em “O Sorriso de Monalisa”, são caricaturados para viabilizar “catequese” feminista do filme.
Tal recurso não ocorre em Mad Men. As coisas simplemente acontecem: sem discursos, os homens bebem, assediam as mulheres no trabalho, mesmo os casados e os que acabaram de voltar de uma Lua de Mel. E as mulheres choram…no trabalho e em casa…
No capítulo de estréia, uma nova funcionária tem seu primeiro dia de trabalho na agência: Peggy Olson ( Elisabeth Moss ). Peggy, se veste de maneira “recatada” e age com discrição. “Orientada” pela chefe das secretárias, Joan Holloway ( Christina Hendriks ) esta, amante de um dos chefões da Sterling Cooper, Roger Sterling ( John Slattery ), toma conhecimento de como as coisas funcionam por lá.
Vejamos a transcrição de alguns diálogos :
Diálogo 1:
Joan “aconselha” a novata Peggy:
Joan – Pode parecer que ( os homens ) querem uma secretária…mas na maior parte do tempo, querem algo entre uma mãe e uma garçonete. E o restante do tempo, bem…vá para casa, pegue um saco de papel com dois buracos para os olhos, coloque-o na cabeça, tire a roupa e se olhe nos espelho: avalie seus pontos fortes e suas fraquezas com honestidade
Peggy - Sempre tento ser honesta
Joan – Bom pra você
Diálogo 2:
Peggy vai ao Ginecologista indicado por Joan: (Peggy aguarda o médico lendo um livro dedicado às noivas em sua noite de núpcias….)
Médico – Eu vejo pela sua ficha e pelo seu dedo que não é casada…
Peggy – Isso mesmo…
Médico – E mesmo assim está interessada em pilulas anticoncepcionais…
Peggy – Bem, eu estava…
Médico – Não previsa ficar nervosa….Joan te enviou a mim, porque não estou aqui para julgá-la. Não há nada errado em uma mulher pensar na possibilidade de atividade sexual.
Peggy – É bom saber…
Médico – Mas, como médico, espero que, ao colocar uma mulher nessa situação, ela não se torne uma mulher da vida.Vou dar um aviso: se você abusar, suspendo a pílula. É para seu próprio bem. O fato é que, mesmo nestes tempos modernos, mulheres fáceis não encontram marido… ( nesta hora, Peggy vira o rosto e olha para um calendário de parede: ano 1960…)
Peggy – Eu entendo Dr. Emerson. Eu sou uma pessoa bem responsável
Médico – Tenho certeza de que não é esse tipo de garota, mas Joan…
Diálogo 3:
Peggy assedia Don….( Peggy entra na sala de Don Draper e diz:)
Peggy – Eu só queria agradecê-lo por um ótimo primeiro dia ( de trabalho ) A seguir, Peggy, toca na mão de Don…
Don – Em primeiro lugar Peggy, sou seu chefe e não seu namorado (afastando a mão de Peggy )
Peggy – Espero que não pense que sou esse tipo de garota…
Don – Claro que não…
O primeiro capítulo se encerra com Don Drapper voltando para casa – onde sua esposa o aguarda e vai ver os filhos no quarto. Na noite anterior, Don dormiu fora de casa. No apartamento da amante… ( Continua na parte 2 )
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Uma boa descrição do mal – Parte 2
Feminismo sem Ativismo Político
Toda a situação sugere que Peggy é virgem, e nota-se na postura do médico – apesar de um diálogo que choca nos dias atuais e também na postura de Don, que ambos admiram a virgindade de Peggy e gostariam que ela permanecesse assim até casar-se. Admiram a virtude, e particularmente no caso de Don, não conseguem vivê-la. Pode-se argumentar que Don rejeita o assédio de Peggy apenas por não querer problemas no ambiente de trabalho. Essa impressão se desfaz nos episódios seguintes, quando Don “arrisca” a sua vida profissional em novas aventuras extra-conjugais.
No entanto, Peggy, ocupa em Mad Men, a mesma função que a personagem de Julia Roberts em Mona Lisa Smile, mas em doses homeopáticas. Peggy é uma feminista sem se dar conta, como praticamente admite o criador da série em entrevista ao site Slate Magazine:
”…E é parte da razão pela qual eu amo as pessoas falando sobre ela ( Peggy ) como uma feminista, porque eu acho que ela não tem idéia do que ela é política e que ela iria negá-lo. Ela é apenas alguém que quer o que ela tem direito…” (2)
Peggy realmente não tem o perfil de uma ativista politica: tem “alguma” prática religiosa, não se apresenta como uma “reformadora social”, está mais preocupada com seu progresso profissional, e o faz com competência, é ligeiramente tímida e rejeita muitos assédios, mas nem sempre…Ou seja, Peggy não é propriamente um “modelo de virtude”, mas é vista como tal, assim que chega para trabalhar na Sterling Coopers, e por isso, atrai admiração. Esse perfil, faz de Peggy Olson, uma personagem de certo modo artificial ou incomum , uma vez que reúne combinações pouco compatíveis com a época, em particular uma certa religiosidade, combinada com uma pronta disposição em se adaptar a “novos padrões” de comportamento sexual. E no campo profissional, Peggy pela sua ”pressa” em crescer profissionalmente ( impressão de Roger Sterling na segunda temporada ), está mais para “Geração Y”, mas com cara de Boomer…(3)
A função de Peggy é mostrar o feminismo com uma “cara” simpática…
Na piscina de Palm Springs
Já o que se pode notar em Don e até na “mal falada” Joan, é que ambos vivem como gostam de viver : de forma hedonista. Mas não consideram a si próprios, modelos de virtude, por isso mesmo, não são hipócritas: não fazem discurso moralista, o que faz muitos julgarem que são pessoas “autênticas”. Mas na verdade não são autênticos: são expontâneos, vivem entregues aos desejos do momento, mas se entregam com tanta frequência…..que essa expontaneidade costuma ser identificada erroneamente como “autenticidade”. Mas esse modo de viver, chega a um momento de reflexão para Don num episódio da segunda temporada, quando ele mergulha de vez na sua vida paralela de adultérios, já em crise no casamento: passa uma temporada em Palm Springs na Califórnia.
O que seria uma breve viagem de negócios, se tranforma numa “fuga” de três semanas ao se ausentar da família e do trabalho. Nessa viagem, conhece uma moça de 21 anos que o assedia de forma obstinada, e o leva para uma casa onde está hospedada parte de sua familia e uma turma de amigos: pessoas ricas e meio nômades, “ocupados” em simplesmente não fazer nada, além de ficar tomando sol na beira da piscina, bebendo, e tendo conversas fúteis em jantares exóticos, num ambiente frívolo e sem compromisso….
O ambiente choca Don. Ele não gosta do que vê, visto que está cercado de gente como ele, ou “pior” do que ele. Na casa de Palm Springs, Don não vê um só vestígio de virtude. Encontra ali, simplesmente um superlativo da sua rotina de vida. É a sua vida levada ao extremo. Numa cena emblemática, Don está sozinho na piscina, observa um casal se beijando e fica pensativo olhando para um copo, como quem se pergunta:
O que estou fazendo aqui ?
Onde fui me meter ?
Que tipo de gente é essa ?
Don caindo em si, parece pensar como o filósofo e escritor argelino Albert Camus, que recordando os jovens nas praias da capital de seu país, escreveu esses pensamentos:
“…O mar interpreta seu canto em contrabaixo. O sol, o vento leve… o azul já áspero do céu, tudo me faz pensar no verão, na dourada juventude que então enche a praia, nas longas horas passadas na areia, na brusca doçura dos crepúsculos…” (4)
“Os homens encontram aqui, durante toda a juventude, uma vida à altura de sua beleza. Depois vem o declínio e o esquecimento. Eles apostaram na carne sabendo que iam perder. Em Argel, para quem é jovem e esperto, tudo é refúgio e pretexto para o triunfo: a baía , o sol, os motivos em vermelho e branco dos terraços sobre o mar, as flores e os jardins, as moças bonitas…Mas quem perdeu a juventude não tem onde agarrar-se, para esse não existe lugar onde a melancolia possa fugir de si mesma”(5)
“Só existe uma verdade muito simples e muito clara, um pouco boba, mas difícil de descobrir e pesada para carregar… os homens morrem, e não são felizes “(6)
A comparação é inevitável: Palm Springs é a “Argel” de Don Drapper.
A “cara de cão” e a busca da felicidade.
O excesso de bebidas e cigarros e de infidelidades masculinas em Mad Men, acabam mostrando os anos 60 com uma “cara de cão”: evita-se na série, mostrar familias felizes para que possamos perceber que muitos homens e mulheres, foram felizes naquela época, mesmo com familias numerosas. Falar assim nos dias de hoje, é motivo para arrancar risos ou frases iradas de indignação – deles e delas…Mas pude colher num fórum americano que debatia o impacto da série Mad Men para as familias
americanas, um depoimento honesto de quem viveu a época:
“…Mas eu concordo que é provavelmente próximo de como era a vida para muitos de nós, e foi certamente mais animador do que em Mad Men. Sim, houve problemas. Eu acho que para as famílias negras, o início dos anos 60 não foi um tempo acolhedor e feliz, embora eu saiba que muitas famílias negras conseguiram viver uma vida feliz e saudável, apesar do tumulto e violência em torno deles. Houve outros problemas – as mulheres eram consideradas de segunda classe (não podiam ter cartões de crédito, não dirigiam, etc.) O medo de uma guerra nuclear era galopante (e ainda é!). O medo do comunismo era galopante (agora é o medo da Al-qaeda). E, claro, houve Viet Nam – Este dominava a minha infância. Mas foi, para a maior parte, um bom momento para ser uma família nos EUA, pelo menos até 1968. Então todo o mundo desmoronou.” (7)
Pode-se notar que o depoimento não traça a sociedade da época com uma visão de “anos dourados e felizes”, reconhece as mazelas e os conflitos, mas conclui que efetivamente as familias viviam um momento melhor. Juridicamente hoje, a mulher não é mais de “segunda classe”, mas continua a ser mal tratada, só que aprendeu a “dar o troco”…Pode-se ver nesta reação, uma justiça do tipo “olho por olho, dente por dente”. Ocorre que fica difícil concordar que foi uma “evolução” para a mulher “aprender” a imitar a infidelidade masculina, até por conta de uma mentalidade hedonista e individualista que hoje é dominante, a mulher se sente “amparada” a ter relações extra-conjugais, como se isso fosse um “direito” que o homem tivesse ( mas nunca teve ). Também não há como concordar que para a mulher foi uma “conquista”, reivindicar o “direito” de fazer “sexo sem amor”.
Bem, e o que aconteceu em 68 ? Foi o auge da contracultura e do “movimento hippie”. A juventude embalada ao som do Rock, consumia drogas, pregava o sexo livre e contestava a religiosidade cristã e a família tradicional, consideradas como parte do “sistema”…É certo que havia todo um aparato ideológico, e de influência marxista, que foi tomando conta das artes, da imprensa e das universidades. O processo continuou e hoje já toma conta do meio político, jurídico e pressiona fortemente o mundo científico.
Só que essa turma hoje, não se parece em nada com os hippies. Deu espaço ao Yuppie ( Jovem Profissional Urbano ): gostam de roupas de grife, de sucesso profissional, são individualistas, mas acolheram a mentalidade hedonista dos jovens do final da década de 60. Ou seja: resolveram conciliar ao máximo a satisfação dos dois mundos: sexo e dinheiro.
A família se viu pressionada nesse quadro. A busca da felicidade hoje, exclui o altruísmo, a generosidade, e exalta a satisfação pessoal imediata e o individualismo. Se dentro do casamento essa busca individualista de “felicidade” se vê ameaçada, recorre-se sem titubear ao divórcio. Os filhos são adiados e reduzidos ao máximo, não por razões de ordem econômica – argumento frequente – mas para consolidar a realização pessoal – os projetos pessoais – e nesta hora, as crianças são vistas como um estorvo. As consequências sabemos: os filhos, tanto de familias mais pobres como das mais abastadas, não recebem mais a mesma atenção dos pais, mesmo sendo em menor número, resultando em queda no rendimento escolar, delinquência, ou na (de)formação de um futuro egoísta bem-sucedido, e quando o problema é reconhecido na mídia, não se fala em valorizar a família para se cuidar melhor dos jovens, e sim de apontar como solução, a promoção de “políticas publicas”, ou seja: sai a familia e entra o Estado.
Costuma-se hoje dizer que os casamentos antigamente duravam mais tempo porque eram casamentos de “fachada”, de “aparência”, e na verdade as mulheres eram infelizes. Ora, essa afirmação se tornou lugar comum, mas é preciso se ter em conta que quem afirma isso, são pessoas que não viveram a época, e se baseiam ora em ideologias e não na realidade, ora em relatos de pessoas que foram de fato, infelizes no casamento, e o mais importante de tudo: ativistas politicos costumam fazer muito barulho e acabam dominando o debate, colocando uma lente de aumento onde lhes mais convém, ainda mais quando se tem imprensa falando a mesma linguagem e lhes servindo de eco...
A verdade é que afirmar que o modelo familiar de antigamente, tornava as pessoas infelizes é uma sentença “política” e não tem valor científico.
Recentemente o filósofo Luis Felipe Pondé disse numa entrevista uma frase certeira :
“…Pena que as mulheres mais felizes não têm tempo para escrever sobre a relação delas com os homens…” (8)
Como afirmar que hoje somos mais felizes ?
Não estamos hoje na verdade, infelizes ?
Não é propriamente assim. Cada época tem seus aspectos positivos e negativos. A vida moderna oferece hoje, múltiplas possibilidades de sermos felizes, solteiros ou casados, mesmo com famílias com mais filhos e num mesmo casamento….O que não se pode afirmar, é que 50 anos atrás, as pessoas – em particular as mulheres - eram infelizes porque haviam mais filhos em casa e os solteiros não faziam sexo com a facilidade de hoje….
Não se trata portanto, de considerar a época atual como particularmente ruim, mas de reconhecer que se tivemos ganhos, também tivemos perdas, e isto está sendo difícil de reconhecer. E quando reconhecem, invariavelmente atribuem unicamente a culpa, à intolerância das pessoas, às irresponsabilidades dos governos, às crises econômicas, mas isenta-se completamente de culpa, os mentores do “politicamente correto”, que desiludidos com o marxismo no campo econômico, concentraram esforços, na mudança de comportamento, que desvalorizou o significado da vida promovendo o aborto, que promoveu a banalização do sexo, ( e queriam valorizar a mulher ! … ), que acionou a máquina juridica para expandir o divórcio. Estes “marxistas desiludidos”, ocuparam parlamentos, universidades, redações de jornais, tribunais, e programas de televisão. Acabaram por desfigurar a família e agora querem salvar o planeta, querem “direito” de matar uma criança no ventre da mãe… e se escandalizam quando uma baleia morre na praia…
O que está obscurecendo o nosso entendimento ?
Semanas atrás, o cineasta Ugo Giorgetti na sua coluna, no “O Estado de São Paulo” fez uma observação interessante, ao falar dos “chatos” no futebol brasileiro. Apesar do tema, o pensamento alcança uma profundidade tão grande que parece explicar muito mais :
“…Há uma espécie de modorra pairando sobre o País, que nos cobre a todos. Estamos felizes e satisfeitos, viajamos e compramos coisas. Esse estado de espírito talvez nos faça ser mais tolerantes com os chatos que estão por aí…” (9)
Note que o colunista aponta o consumismo – viagens e compras – como suficente para nos obscurecer e nos trazer satisfação e felicidade – ainda que uma “felicidade” meramente fisiológica…
Em 2006 na Mensagem de Natal, O Papa Bento XVI, também fez referência a esta “satisfação” :
“…Mas, tem ainda algum valor e significado um “Salvador” para o homem do terceiro milênio? Será ainda necessário um “Salvador” para o homem que alcançou a Lua e Marte, e se dispõe a conquistar o universo; para o homem que investiga indefinidamente os segredos da natureza e chega até decifrar os códigos maravilhosos do genoma humano? Necessita de um Salvador o homem que inventou a comunicação interativa, que navega no oceano virtual da Internet e, graças às mais modernas tecnologias dos meios de comunicação, já fez da Terra, esta grande casa comum, uma pequena aldeia global? Apresenta-se confiante e auto-suficiente artífice do próprio destino, fabricante entusiasta de indiscutíveis sucessos este homem do vigésimo primeiro século….
…Como não pensar que, mesmo do fundo desta humanidade satisfeita e desesperada, levanta-se um clamor aflitivo de ajuda?…”(10)
É essa “satisfação” que se sente hoje, que faz esquecer que precisamos de muito mais. Parece uma combinação incompatível: satisfação e desespero. Mas o desespero vem depois, e parecemos não saber de onde vem.
Santo André, 15 de Abril de 2012
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NOTAS:
(1) A expressão “cão” na letra da música se refere ao diabo, no linguajar popular brasileiro
(2) http://www.slate.com/articles/arts/interrogation/2012/03/mad_men_creator_matthew_weiner_on_season_5_.single.html
(3) Boomer ( Baby Boom ), Geração X e Y : Baby Boomers: nascidos no Pós-guerra, entre os anos 60 e 70, Geração X : nascidos entre os anos 60 e 70; Geração Y: Os nascidos entre os anos 80 e 90 : Estes últimos, são considerados imediatistas, pois nasceram em meio à velocidade do mundo digital.
(4) Camus, A., “Minotaure” pag. 20
(5) Camus, A., “Noces”, Edit. Charlot, Argélia, pag. 54-62
(6) Camus, A., “Calígula” pag. 111
(7) http://forums.catholic.com/showthread.php?t=486256 ( Aug 20, ’10, 5:55 am )
(8) http://delas.ig.com.br/comportamento/luiz-felipe-ponde-homens-e-mulheres-nao-sao-iguais/n1597726675244.html
(9) http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,precisa-se-de-um-chato-,843710,0.htm
(10)http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/urbi/documents/hf_ben-xvi_mes_20061225_urbi_po.html
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A Dona de Casa…
A Dona de Casa, o Bolo e o cálculo do PIB – Parte 1
No meu primeiro ano de faculdade do curso de Economia, o professor fez um comentário muito interessante sobre o cálculo Produto Interno Bruto ( PIB ) : “Quando uma dona de casa faz um bolo, ela está aumentando o PIB de um país, mas esse bolo não entra no cálculo …” Hoje penso que se essa mesma “dona de casa” abrisse uma empresa, – uma confeitaria – e passasse a vender seus bolos, os mesmos, entrariam no cálculo do PIB.
Este pode ser um ponto de partida, com seus vários desdobramentos, para se tentar entender a mulher dos tempos de hoje.
Todos os anos quando se comemora o Dia Internacional da Mulher, diversas publicações, repetem os infográficos de sempre: o número de mulheres que ocupam cargos de gerência e direção nas empresas em relação aos homens é de X %…O salários das mulheres na mesma função e qualificação é de X % menor em relação aos homens.
Mas será que esses números precisam ser igualados…?
A Psicóloga Susan Pinker, no seu livro “O Paradoxo Sexual “, trata justamente da questão do salário e emprego na “guerra dos sexos”. Ela se apóia em questões “biológicas” e não em “chavões conservadores”, e afirma que os homens ganham melhores salários porque priorizam o emprego, ao passo que as mulheres também se preocupam em ter filhos. Ela reconhece a resistência de algumas mulheres ao ouvirem falar de “diferenças biológicas”, pois foi justamente este conceito que o movimento feminista tentou apagar, afirmando que as diferenças entre homens e mulheres são “socialmente construídas”: “ Hoje estamos entendendo que os hormônios afetam o comportamento humano”, diz Pinker.
Numa visão econômica, pode-se dizer que o mercado de trabalho “precifica” o salário da mulher, na expectativa de ter que futuramente substituir uma funcionária por conta de uma gravidez, pagando um salário menor. Uma empresa agindo assim, não está sendo “machista”, e sim “capitalista”. Da mesma forma, se uma companhia de seguros, por conta do baixo risco de acidentes automotivos com mulheres, cobra um seguro de valor mais baixo para elas, não está sendo “feminista”, e sim “capitalista”.
Mesmo assim, é possível que as mulheres nas empresas, alcancem salários e posições de alto comando, no mesmo nível que os homens, mas no caso de mulheres muito jovens, na faixa dos 20 anos, pois quando se aproximam os 30 anos, com a expectativa do casamento e dos filhos, a manutenção de salários e altos cargos, pode ficar mais difícil.
Mas essa realidade nem de longe, deve ser motivo para as mulheres lamentarem a maternidade….
Passarelas e Holofotes…
O mercado de trabalho nos dias atuais em grandes empresas, e também como profissionais liberais, tem muitos atrativos, sobretudo para a mulher: como numa passarela de moda, desfilam celulares, laptops, roupas e bolsas de “griffe”… ou seja: em determinados ambientes o trabalho ficou “chique”….
Tudo isso sob a mira de muitos holofotes. Por outro lado, a “dona de casa”, que vai levar o filho a uma consulta médica, ao parar no farol, repara ao lado e vê um carro mais sofisticado que o dela, e no volante, uma mulher muito bem vestida, cabelo bem arrumado e se pergunta : quando vou estar assim?
A mulher do “carrão”, no fim de ano, pode receber um prêmio de “mulher executiva do ano” ou uma viagem paga pela empresa, um curso no exterior, e ela, a “dona de casa” – o que vai receber?
Elogios?
Se esta mulher tiver mais que 40 anos, deve ter ouvido as “Frenéticas” cantarem no final dos anos 70:
“…Elogio é mixaria…
Se me chamas de rainha…
Me desculpe mas não quero, não quero
E não vou…!
…reinar na cozinha…!
Assim, a propaganda feminista foi pondo em desuso as palavras, “esposa” e “mãe”, por isso, tais termos, soam hoje um tanto “antiquados” para os meios de comunicação, dando lugar simplesmente à palavra “mulher”, mesmo que casada e com filhos. Ora, não há nada de errado em chamar a mulher, de “mulher”, o problema é o foco no individualismo, por exemplo, ao invés de usar a palavra “mãe”- que pressupõe compromisso, altruísmo, usar a expressão “mulher com filhos”, sugerindo que os filhos são um “anexo”. As terminologias atuais significam muita coisa. Os meios de comunicação querem fazer a “dona de casa” se sentir um “nada”…
Há uns anos atrás, assisti num telejornal na hora do almoço, uma reportagem sobre férias escolares. O noticiário mostrava que as mães estavam ansiosas pelo retorno das aulas, por causa do incômodo de acompanhar os filhos: “Eu não aguento mais!”, dizia uma mãe muito bonita e muito bem vestida, a olhar crianças correndo na área de diversões de um shopping…
Não quero aqui dizer, que o “problema” se situa na mulher. Os próprios homens estão também desinteressados pelos filhos e pensando muito mais no trabalho. Ocorre que de fato, a grande mudança de comportamento se deu do lado feminino e nos dias de hoje, a grande motivação não é a luta pelos direitos e emancipação : ela já ocorreu, não é apenas pelo sustento da família – mulheres casadas com homens que recebem altos salários, não querem ser “donas de casa”, querem ser “donas do emprego”.
A grande motivação da mulher é a satisfação pessoal, de mostrar a sua “capacidade”, de sentir-se “útil”, de ser ‘reconhecida”, de ser “vista” pela sociedade. Com tudo isso, é claro, a independência financeira.
Nada contra a emancipação feminina, a independência financeira, o sucesso profissional, mas que isso não ocorra às custas do menosprezo pelo lar e pela maternidade. A ordem passou a ser esta: Primeiro, a faculdade, depois, a pós-graduação, nesse meio tempo, um carro, um imóvel, uma MBA no exterior, e depois… Opa!… Está na hora de ter um filho !
O filho neste caso, se converte numa “etapa” da “realização pessoal”. Ver um filho assim é muito pouco…
Repito: todas essas conquistas são legítimas para a mulher, mas o problema é ver o casamento e os filhos como obstáculo. O fascínio do mundo do trabalho é muito forte, como se percebe ao ler depoimentos de mulheres que se dedicaram por muitos anos, ao trabalho fora de casa, e chegaram ao topo da carreira. É comum admitirem que prejudicaram a família , que não viram os filhos crescerem, mas que não se arrependem, pois o trabalho lhes deu muito…
Mas nem sempre, o discurso da mulher é tão incisivo. Muitas mulheres se sentem culpadas por darem atenção excessiva ao trabalho “fora de casa”, ( pois “dentro de casa”, também é trabalho ) em detrimento dos filhos. Jamais uma conquista profissional pode compensar o distanciamento dos filhos.
Sem “reinar” na cozinha…
Estamos num tempo em que a mulher também se orgulha de não saber cozinhar. Isso “pega bem” e pega bem dizer isso aos amigos. “Pega mal” hoje para a mulher, não saber dirigir, não ter o próprio carro, ser “apenas” dona de casa, ou ter mais que dois filhos…( pode ser chamada de “irresponsável” ).
Por outro lado – paradoxo da vida moderna – uma mulher executiva, – perto dos 40 anos e sem filhos, se entusiasma com a idéia de passar numa livraria e comprar um livro de culinária sofisticada, para ela e o marido, prepararem uma “paella”, e convidarem para um jantar, um casal de amigos ( “contatos” ) também sem filhos, e do “circuito profissional”, mas cozinhar para filhos, nem pensar….
Nada contra jantares caprichados para amigos de vez em quando. O problema é relacionar o fogão e os filhos à escravidão, e fogão e amigos a “networking”…
De maneira muito apropriada a esse respeito, afirmou a consultora Vick Block:
“ O trabalho é hoje o lugar de admiração e respeito, enquanto a casa está se transformando no lugar da culpa e da dívida”
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…o Bolo e o cálculo do PIB – Parte 2
Reduzindo a marcha…rumo ao equilíbrio.
Um estudo da Center of Work-Life Policy (CWLP), no ano passado aponta que 75% das mulheres do Brasil, China e Índia, esperam alcançar altos cargos nas empresas. Essa expectativa é reflexo do momento econômico dos paises emergentes, que miram o exemplo dos EUA. As mulheres destas nações, outrora consideradas “em desenvolvimento”, estão vivendo nesta década, o que as mulheres americanas viveram nos anos 80 e 90. O que ocorre agora na América do Norte, é uma tendência de equilíbrio entre trabalho e família, por isso mesmo, o desejo, segundo a mesma pesquisa, das mulheres americanas de ocuparem cargos elevados é de apenas 36%.
Em outro estudo realizado pelos Economistas Betsey Stevenson e Justin Wolfers ( American Economic Journal – Agosto/2009 ), entitulado “The Paradox of Declining Female Happiness” ( O Paradoxo do Declínio da Felicidade Feminina ) demonstra que as mulheres com todas as conquistas obtidas em 40 anos de luta por direitos iguais, sobretudo no campo profissional, são mais infelizes hoje do que na década de 60. Esta felicidade, segundo a pesquisa, caiu tanto em termos absolutos, como em relação aos homens.
De onde vem esta infelicidade ?
Existem diferentes formas de abordagem. Muitas vezes se busca a resposta mais conveniente: a de que os homens têm medo de se relacionar com mulheres bem sucedidas, e boa parte das executivas ( as estatísticas variam ) estão solteiras e sem filhos; as que estão casadas, os maridos não apoiam nas tarefas domésticas e elas ficam sobrecarregadas…
Em tudo isso, há alguma verdade : decerto que há maridos que pouco ou nada se envolvem nas tarefas domésticas e no cuidado dos filhos, causando uma sobrecarga injusta para a esposa. Em particular, em relação à mulher que trabalha fora, de qualquer tipo de cargo ou profissão, deve o homem se envolver e assumir tarefas da casa, e acabar de uma vez por todas, com esta história de “dupla jornada”, porque se a “jornada caseira” também contar com a participação do marido, esta expressão vai com certeza desaparecer.
Quanto às mulheres “bem sucedidas” estarem solteiras em boa parte, é muito conveniente atribuir a responsabilidade ao homem e apresentá-lo como “inseguro” e “machista”, evitando compromisso com mulheres consideradas “poderosas”. Deve-se perguntar a uma executiva com ganhos mensais de R$30.000,00 ou R$40.000,00 , se ela está disposta a se casar com um homem que ganhe R$3.000,00 por exemplo…
É de praxe responder: “Se ela o ama, se casará”…, mas estamos numa época de “respostas que caem bem”, e as atitudes concretas são outras. Só por este exemplo, um verdadeiro exército de “candidatos” saem de cena. É claro que nesse grupo, podem haver homens “medrosos” mas, como foram “descartados” de início, qualquer julgamento será ‘político” e não “científico”.
Restam os homens da mesma posição profissional e, estes sim, é que podem ser avaliados se têm coragem ou não de se envolver com um mulheres que ocupem “altos cargos”.
Há poucos dias, assisti a uma entrevista pela TV com uma cantora de sucesso que comentou o seguinte: “…nós mulheres assim, ( ricas e famosas ) temos que nos relacionar com “homens bem sucedidos”, porque sempre há um risco de aparecer um interesseiro…”
Essa opinião também vem do mundo acadêmico, como neste depoimento:
“ A mulher bem sucedida torna-se mais exigente nos seus relacionamentos, principalmente pelo fato de ter conquistado sua independência financeira “ ( Maria Cristina Pinto Gattai, professora do Departamento de Psicologia Social da PUC/SP ).
Por isso mesmo, vamos levar em conta somente homens e mulheres bem sucedidos – e solteiros : devemos considerar que: 1- Tais solteiros não trabalham todos nas mesmas empresas, de modo que se conheçam; 2 - Ambos priorizam o trabalho, e no caso das mulheres, muitas receiam o casamento e ainda mais os filhos, sob “risco” de “prejudicar a carreira”, e por fim é claro; 3 - Existem também os “homens medrosos” diante de uma mulher “poderosa”.
Neste caso, fica complicado para a mulher “bem sucedida”, já que o “homem-bem-sucedido-medroso”, vai preferir uma mulher que ganhe bem menos que ele, e o “homem-bem-sucedido-não-medroso”, vai procurar uma mulher “bem-sucedida” ou não, “poderosa” ou não, mas que se queira casar e ter filhos, e faz muito bem, agindo assim…
Em resumo, podemos dizer que o adiamento do casamento e dos filhos, e em alguns casos a sua renúncia, em troca de uma dedicação exclusiva ao trabalho, tem causado infelicidade à mulher.
É claro que a felicidade não é exclusiva de quem se casa e tem filhos. Homens e mulheres podem ser felizes sem o casamento, mas somente se dedicarem as suas vidas a uma causa nobre e generosa, jamais a uma satisfação individualista.
Como já foi dito anteriormente, na Europa e nos Estados Unidos, já existe um movimento mais nítido de “redução de marcha” que não significa um “retorno ao fogão”. Para o constrangimento, desgosto e protesto das feministas radicais, mulheres que se destacaram no mundo profissional, têm escrito livros, proferindo palestras, estimulando as mulheres a re-valorizarem a maternidade, sem com isso, abandonarem o trabalho fora de casa. Essa saudável iniciativa, resgata a dignidade da Dona de Casa ( agora sem aspas ), que pode se dedicar ao cuidados dos filhos e do lar, pelo tempo que for necessário, e incluir no momento que quiser, quando, e se quiser, um projeto profissional.
Alguns depoimentos dessas mulheres:
“… As mulheres são as únicas que podem ter bebês, e isso leva tempo. E quando você tem um filho, quer ficar com ele, é natural. Esse é o trabalho mais importante que existe” - Katheleen Parker – colunista e escritora americana.
“…Se eu pudesse voltar a começar, escolheria um marido com um emprego, e ficaria em casa até ter criado cinco filhos ! “ – Eva Herman – Apresentadora de TV alemã, após 3 divórcios e um filho.
“…O melhor remédio contra a presunção é ir para casa e lavar o chão da cozinha, com as crianças na sala gritando porque querem comida, atenção ou que brinquemos com elas. As tarefas cotidianas da maternidade – e da paternidade – nos fazem humildes e nos lembram que somos insignificantes…” – Janne Haaland Matlary – Norueguesa – Catedrática de Relações Internacionais da Universidade de Oslo – Mãe de quatro filhos…
Reconhecimento e visibilidade:
Numa reflexão de momento, pode ser constrangedor para uma Dona de Casa, se dar conta de que a sua “produção doméstica” é considerada invisível, pois não entra para cálculo do PIB, como também não entram, os seus serviços prestados. Cada bolo feito, cada banho dado num filho, não aparece em gráficos coloridos, em relatórios e planilhas financeiras das empresas, não figura em balanços divulgados pelos jornais de negócios. Esse é o modo de uma sociedade calculista estabelecer valores, como foi constatado pelo economista inglês, Lord Peter T. Bauer: “ …ironicamente, o nascimento de uma criança, é registrado como uma redução na renda nacional per capita, enquanto que o nascimento de um bezerro, mostra-se como uma melhoria…”
No entanto, cada criança vale mais que todos os bezerros do mundo, como cada criança que ainda está para nascer, vale mais do que ovos de tartaruga… No entanto a sociedade organizada através de suas instituições, está mais preocupada em proteger os ovos…
As “mulheres profissionais” são mais visíveis. Têm de certa forma, reconhecimento e atenções voltadas para si quanto mais sucesso obtém, mesmo aquelas que não ocupam altos cargos e salários, têm sim a sua visibilidade e um sentimento de independência que não querem perder…
Mas devo dizer que para a mulher casada e com filhos, a sua missão principal não está no trabalho, e sim no Lar, no Marido e nos Filhos…
Sabem por quê ?
Porque a missão principal de um homem casado e com filhos, também não está no trabalho, e sim no Lar, na Esposa e nos Filhos…
Pela missão particular e natural da maternidade, a mulher está mais que o homem, vinculada ao lar, sem com isso isentar o homem de tarefas domésticas e no cuidados dos filhos…
Quero finalmente citar um trecho de um artigo de Sueli Caramello Uliano, mãe de família e presidente do conselho da ONG Família viva:
“ Até que ponto as dores da humanidade não são decorrentes da ausência de mães nos lares? Ou até que ponto os traumas da civilização pós-moderna não decorrem da manipulação da sensibilidade feminina, ultrajando-a na sua peculiar exclusiva capacidade de acolher a vida?
Com famílias apressadas, com poucos filhos ou apenas um, e os pais priorizando os seus “projetos pessoais”, temos visto jovens cada vez piores e sem rumo, sem certezas. Forjar homens e mulheres de valor, é uma missão valiosa, requer desprendimento e altruísmo, e se pode dizer também que o homem não tem o “direito”, de se dedicar tanto ao trabalho a ponto de deixar a família para segundo plano. Ninguém pode se “orgulhar” de dizer: Não vi meus filhos crescerem ! Se aparecer uma “grande oportunidade profissional”, deve-se ter em conta que não se deve prejudicar a atenção aos filhos, sob pena de frustração no futuro. As realizações profissionais passam, os profissionais ficam velhos e deixarão lugar para os mais novos. A Família permanece. Isso vale para homems e mulheres.
Santo André, 08 de maio de 2011
Eduardo.
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Mais filhos para o mundo
O leitor já deve ter ouvido ou lido comentários de ecologistas preocupados com ameaças à natureza em função de uma – discutível – alteração climática : que não podemos ignorar os problemas, mesmo que daqui a 50 anos possivelmente, todos desta geração não estejam mais vivos. “É preciso preocupar-se com as gerações futuras”, costumam dizer.
Tal preocupação não parece existir com a questão do envelhecimento populacional. Em Artigo da Revista Exame de 17 de novembro último ( Edição 980: “Vinte anos para ficar rico “), fala-se com euforia do chamado “Bônus Demográfico”: comemora-se o fato de se ter uma população jovem cada vez menor, que apenas consome, contra uma população adulta, que consome e produz.
Essa relação pode significar de fato um PIB per capita cada vez maior, desde que a economia continue a crescer. – Que fique bem claro.
Ocorre que quando se iniciar a redução populacional, ( reconhecida pela própria revista ) surgirão os problemas: Uma enorme população idosa e inativa, demandando recursos da saúde e da previdência, a partir do trabalho de uma população ativa cada vez menor. Muitos desta geração estarão vivos para ver isso.
Isso significa que esse quadro (ou bolha), favorece o crescimento econômico nos próximos anos, mas - de uma forma aguda e por tempo determinado. –
Haverá crescimento em determinados setores da atividade econômica decorrente do envelhecimento da população, como a medicina, a previdência privada e em função de famílias menores, com casais adiando por anos a vinda dos filhos, teremos um incremento de atividades como o turismo, o lazer e cuidados pessoais, caracterizando um crescente culto à individualidade.
Mas um cálculo transparente, deixaria de fora os investimentos em áreas como educação, habitação e vários outros, dado que não são exclusivos do chamado “bônus demográfico”, porque o crescimento populacional ( com aumento da população jovem ) daria conta do crescimento do PIB, com vantagem e de forma duradoura, ( ou para ser moderno: de forma “sustentável” ).
Quando se têm mais filhos…
O artigo de Exame fala em crescimento dos serviços hospitalares por conta de uma população idosa?
- Mas e as mães que vão ao médico quando ficam grávidas e quando nascem os filhos ? Pensemos no crescimento da pediatria…
Lazer e recreação para adultos ?
- Crianças gostam de brincar mais…e têm mais tempo…
Pacotes de viagem para adultos sem filhos ?
- Pergunte ao gerente do hotel se ele não gostaria da mesa cheia e quartos lotados…
Móveis e decoração, materiais de construção, vestuário…com famílias maiores, como é necessário investir ! Perguntem às famílias com 3 ou 4 filhos em fase de crescimento: quantos pares de tênis, quantas bermudas e camisetas, materiais escolares, têm que ser comprados ano a ano….!
Em resumo: como se pode ignorar que quanto mais filhos as famílias têm, mais se favorece o crescimento do PIB, e por consequência, da renda, do emprego e da arrecadação de impostos?
Alguém disse que crianças e adolescentes atrapalham o crescimento de um país porque apenas consomem e não produzem ?
Do contrário: uma série de atividades voltadas para famílias com filhos, perdem espaço quando as crianças nascem em número cada vez menor
A festa está “boa”…
Famílias cada vez menores, muitas viagens, casas cada vez mais confortáveis : benefícios que poderiam se obter ao longo dos anos, são adquiridos rapidamente, à custa da renúncia aos filhos nos primeiros anos de casamento. É a festa do “subprime“ populacional.
No momento em que a população brasileira começar a diminuir, poderemos, se confirmadas as projeções, estarmos com PIB e renda per capita a níveis europeus, mas dependendo do “consumismo” e não do “consumo”.
Já me explico : quando as famílias têm um número de filhos o suficiente tanto para repor como para aumentar a população, precisam comprar mais alimentos, mais roupas, construir mais escolas, aumentar a casas, comprar mais móveis, mais eletrodomésticos, mais materiais escolares, mais fraldas… isso é “consumo”.
Se as famílias assimilarem de vez a cultura do “filho único”, o crescimento econômico dependerá de que as famílias tenham dois ou três veículos na garagem ( numa família de três pessoas ), façam “coleções” de bolsas e pares de sapato, muitas roupas, muitas viagens e refeições fora de casa, um computador para cada pessoa da casa… isso é “consumismo”.
É por depender do consumismo de uma população envelhecida, endividada e saciada de todo tipo de bens, que países como a França e Alemanha, já vêm incentivando as suas populações e terem mais filhos para voltarem a ter… consumo.
Portanto, as projeções para o crescimento do PIB por conta do envelhecimento populacional, deveriam apresentar algumas ressalvas:
1 – Esse crescimento tem data para acabar; ( detalhe que foi reconhecido pelo artigo de Exame);
2 – Depende do consumismo: uma crise financeira ou no consumo, coloca o país rapidamente em recessão – Vejam os Estados Unidos e principalmente a Europa de hoje: em crise e com baixíssima taxa de natalidade;
3 - Setores importantes da economia, como o de imóveis e materiais de construção, sofrerão forte recuo, com a possível redução populacional, com efeitos negativos na geração de emprego e renda.
4 – Pode-se alcançar esse nível de riqueza com aumento populacional, de forma mais duradoura e segura;
5 - A redução populacional é de difícil reversão : a diminuição de filhos por casal, gera uma cultura individualista. Os países ricos enfrentam enorme difculdade para voltar a aumentar a sua população.
Sim… os países ricos estão tentanto reverter a queda na natalidade.
Esse tema não se esgota por aqui. Tantos pelos seus aspectos econômicos, como pelos culturais e sociais, o tema da demografia será retomado em outras ocasiões neste blog.
Eduardo.
Santo André, 12 de dezembro de 2010
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Este Blog
Caros leitores internautas,
Há tempos venho adiando o início das “atividades” deste Blog. A idéia surgiu no início deste ano, e estando numa época muito atarefada, deixei somente para agora as primeiras palavras.
A motivação
Venho percebendo ao longo dos anos, que a discussão de idéias acaba se desviando do foco ou mais ainda: acaba se perdendo na “negação da certeza”. Abraça-se a dúvida, como que a um porto seguro e paradoxalmente, dá-se a esta postura um tratamento “dogmático”. Noutras palavras: o questionamento veio para ficar, mas que a resposta nunca chegue. Tornou-se proibido dizer : “Isso é verdade”. Assim está na imprensa, na vida acadêmica, no parlamento, nos tribunais, nas empresas, até numa roda de amigos. Em alguns casos, ignora-se o que realmente importa em cada assunto, em outros, se conhece mas se pretende evitar. Daí, passa-se colocar muita areia, muita terra por cima, para que não se veja o essencial de cada questionamento.
São muitas falácias, falsos dilemas, propagados com excessos de informações imprecisas, assuntos de grande relevância são esquecidos ou tratados de forma tendenciosa, enquanto outros, que fazem muito barulho, são postos em evidência, com uma lente de aumento. Isso tudo, impede que as pessoas reflitam um tema na sua profundidade.
Sim: a informação hoje, em muitos meios é “seletiva”: conduz a uma única forma de pensar em assuntos como: família, sociedade, comportamento, liberdade, tolerância e preconceito. Na sociedade atual, pode se acreditar no que quiser, desde que não seja com “convicção”. A ordem é manter a “mente aberta”, senão, recebe-se um carimbo, um rótulo, visando desqualificá-lo para o debate. Tais carimbos são por exemplo : “conservador”, “retrógrado”, “fundamentalista”, ou mais popularmente: “dono da verdade….”,que frequentemente vêm associados aos nomes de religiosos, cientistas, sociólogos, filósofos, historiadores, jornalistas, que ousam fazer um discurso que destoa do “mainstream” dos meios de comunicação.
A iniciativa do Blog, surgiu a partir desta realidade, já que sempre desconfiei de certas “mentes abertas”, embora essa atitude não seja necessariamente ruim: a depender da circunstância ou da relevância do tema, manter a mente aberta pode ser – ou não – a melhor atitude.
Cabe agora, dar uma explicação ao título que escolhi para o Blog: nas leituras que tenho feito, muito me chamou a atenção, a frase do escritor inglês Gilbert Keith Chesterton: “Uma mente aberta é como uma boca aberta: não é um fim, mas um meio. E o fim, é a boca fechada mordendo algo sólido”.
Pois será assim, que estarei compartilhando idéias com os internautas, sempre buscando depois de verificar os aspectos acidentais de cada questão, buscar os essenciais : o que há de consistente, o que há de sólido.
No próximo Domingo, vou postar o primeiro texto com tema específico: o assunto já está definido. A partir daí, num primeiro momento, devo estabelecer uma periodicidade mensal ou quinzenal para os posts. Entre um post ou outro, é possível que eu escreva algum texto de poucas linhas, algo a nível de bate papo… algo virtual….mas… algo sólido….
Um abraço.
Eduardo.
Santo André, 08 de Dezembro de 2010.
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