Publicado por: algosolido | 20 de dezembro de 2013

A PEQUENA LOJA

 

 

Embora este Blog seja de ensaios, resolvi publicar um conto. Minha primeira ficção:  um Conto de Natal.

Aproveito para desejar a todos os leitores, um Feliz e Santo Natal…

 

 

 

A PEQUENA LOJA

PRESENTE

 

-Vítor, que brinquedo é esse?

-Não é um brinquedo, é um presépio. A gente monta quando chega o Natal, para comemorar o nascimento de Jesus…

-Natal é nascimento de Jesus?

-É. Você não tem presépio na sua casa ?

-Não…

 

 

* 23 de Dezembro *

Os dias quentes do verão demoraram a chegar este ano, pois até a metade de dezembro as chuvas traziam ventos frios e ainda podia se ver pessoas carregando algum casaco . Mas agora, a dois dias do Natal, o calor chegou de vez e as pessoas se apressam para as últimas compras de fim de ano:  a ceia, os presentes, a roupa nova, a viagem…. Os pontos de ônibus estão lotados de pessoas com sacolas. Ladrões andam por toda a parte de olho nas sacolas, bolsas e mochilas de pedestres desatentos. As lojas estão lotadas e se é difícil ser atendido, é facil ouvir os que as pessoas dizem, como marido brigando com esposa, dizendo que o enfeite do Natal do ano passado, ainda acende as luzes e não precisa comprar outro….( na verdade, ele está irritado, pois quer voltar logo para casa, lavar o carro e abrir uma lata de cerveja…). Uma moça bonita de óculos escuros, carrega um livro esotérico de auto-ajuda e pode-se ouvi-la dizer a uma amiga “ Odeio essa época, odeio Natal ! “

Os taxistas também reclamam : apesar de receberem muitos chamados de quem vai ao aeroporto ou às compras e chegarem ao destino já sendo aguardados por um novo passageiro, enfrentam um trânsito muito mais lento e acabam deixando de atender muitas chamadas: não ganham todo o dinheiro que poderiam ganhar nessa época de pessoas com os bolsos recheados. Sem contar aquelas mulheres que entram nos seus carros com suas amigas ou seus filhos, lotadas de sacolas e todos tomando sorvete e sujando os bancos…

Também há pessoas alegres, pois nem todos ficam deprimidos, estressados ou imersos no consumismo. Amigos de trabalho organizam “amigos-secreto” nas empresas. No final de expediente, os bares preferidos dos jovens, ficam lotados para as happy-hours onde bebem e cantam alegremente entre pacotes de presentes. Ao final do encontro, alguns trocam abraços demorados, pois só se verão novamente no ano seguinte… As lojas e as casas são enfeitadas, montam-se as árvores, deixando ambiente mais bonito para receber os parentes. Pessoas fazem planos, promessas, planejam viagens….As avenidas e ruas mais importantes, são especialmente iluminadas, e se não fosse pela ausência da neve, poderia se confundir com um cenário de filme natalino americano. Os porteiros de prédios ganham panettones e os balcões das padarias, ganham um componente inevitável: uma caixa de sapatos embrulhada em papel de presente, com alguns enfeites, uma pequena abertura, e um recado bem legível “CAIXINHA DE NATAL, OBRIGADO!” Cada um à sua maneira, com muito ou com pouco dinheiro, sabe viver essa época com alegria, sem reclamar muito…

Finalmente temos aqueles que,  mais do que dizer “ O Natal está chegando “, dizem: “Estamos no Advento”. São amigos, famílias, casais de namorados, grupos de jovens estudantes, religiosos, crianças e idosos, que se reúnem para as novenas nas casas ou nas paróquias. Também trocam presentes e decoram a casa. Também saem com os amigos e passam aborrecimentos no trânsito, mas a cada Domingo, quando o padre acende mais uma das quatro velas da Coroa do Advento, vivem uma expectativa interior: Jesus está chegando…

* * *

Nas travessas da Rua Marechal Deodoro, o centro antigo da cidade, existe todo tipo de estabelecimentos: lanchonetes, farmácias,      consultórios dentários e escritórios. A Marechal e os seus arredores, perdeu muito do seu  prestígio a partir dos anos 90 com a “invasão” dos shoppings em outras áreas da cidade. Um lugar que era passagem obrigatória para se comprar presentes, tomar um sorvete na praça Lauro Gomes ou comer pipoca na Praça da Matriz,  viu seus frequentadores tradicionais, preferirem o novo comércio que surgia na cidade. Ainda assim, o centro resiste, com agências bancárias, artigos populares importados e redes de lojas que garantem um grande movimento de pessoas, sobretudo no Natal. Alheio a tudo isso, Paulo só pensa em descansar. Ele não  comemora o Natal,  mas espera ansioso o fim do ano, pois a cidade fica vazia, o trânsito fica melhor e fica mais fácil suportar o calor. Pode ler seus livros e ver bons filmes. Da janela do seu escritório, olha o movimento das pessoas apressadas e pensa : “Amanhã depois do churrasco com o pessoal do trabalho eu realmente vou descansar, mas esse povo não”…

 * *

- Paulão, se você acreditasse em Deus, que milagre iria pedir ?

- Eu pediria para nascer meus cabelos de novo….

- A gente poderia fazer um acordo: você pede um milagre para nascer cabelos e eu,  para sumir a barriga….

- O seu “milagre” é fechar a boca, mas o meu…

- Deve ser chato pra você essa época, não é Paulão? Todo mundo desejando Feliz Natal, mensagens religiosas…

- Não precisa ser tão politicamente correto, Joel. Faça como os outros: considere-me um infeliz – disse rindo Paulo – dando a entender que não se incomoda com as mensagens natalinas que “inundam” a sua caixa de e-mails…

- Sei lá. Só quero respeitar você…

-Você já me respeita, mas para um cara que diz acreditar em Deus, e eu sei o que isso significa para quem acredita, você encara o meu ateísmo, como algo assim: “acreditar ou não em Deus”, “gostar ou não de futebol” Isso não me parece racional.

- Mas o que o “racional” tem a ver com religião ? – pergunta Joel, pondo toda sua capacidade do cérebro para trabalhar….

- As pessoas dão importância para a religião, meu caro. Na “vida eterna”, como eles dizem, não teremos jogos de futebol, mas teremos Deus, portanto se eu gosto ou não de futebol, não fará diferença lá no Céu,  mas se eu não acredito em Deus, posso ir para o inferno….

- Que isso cara ! Você é gente boa. Deus tem um lugar pra você lá no Céu…

- Você estava falando, Joel, de ficar cansado ou aborrecido com tanta mensagem religiosa no fim do ano, mas na verdade, eu me canso é de ver tanto Papai Noel. Não noto tanta religiosidade nas pessoas, apenas quando tem alguém doente na família ou precisam arrumar um emprego. Ora, se Papai Noel é uma lenda e o Menino Jesus, uma realidade, porque eles mostram tantos velhinhos barbudos vestidos de vermelho e escondem aquele que chamam de “aniversariante“ ?

- Porque para eles, o Menino Jesus é uma lenda e o velhinho de vermelho é uma realidade…!

- E para mim, tudo é lenda, Joel….

* * *

No fim da tarde, aquele clima de que o ano acabou, tomou conta de todos naquele escritório. O dia estava muito claro por causa do horário de verão, e Paulo sai sem pressa do escritório. Enquanto se dirige ao estacionamento, vai olhando o movimento das pessoas, quando passa em frente a uma pequena loja, um bazar, misto de papelaria, armarinhos e loja de presentes, onde lê este aviso na entrada:

 

FALTAM DOIS DIAS

PARA JESUS NASCER !

 

 

 

Paulo passa a andar devagar como quem vai parar. Quer olhar, ler por alguns segundos mais, mas segue andando. O recado o impressiona, não tanto pelo conteúdo em si,  pois falava de algo que é para ele uma lenda,  mas por que se afirmava de modo seguro.  “Quem escreveu”, pensou “parecia de estar falando de uma criança que se pode pegar no colo, que tem nome, uma criança de verdade“.

Paulo tem uma bela esposa e um menino de 7 anos. Priscila é de família católica, mas não se incomoda com o jeito de ser do marido e até vê “vantagem” em não ter que acordar cedo no domingo para ir à Missa.  Basta repetir de tempos em tempos, a fórmula “Deus está em toda parte”, que consegue dormir tranquila. Casaram-se não muito jovens e não conseguiram ter um segundo filho. Eles não querem mimar o menino, mas sentem grande dificuldade: o garoto é a alegria da casa. Por serem muito organizados, a casa está sempre em ordem. Impecavelmente em ordem. Assim, conseguem tempo para ler ou assistir a um filme juntos, após o garoto pegar no sono.

No quarto do pequeno Zezinho,  Paulo começa a mexer nos cadernos e desenhos do filho, enquanto Priscila está fazendo em alguma coisa na cozinha: há desenhos de árvores de natal e papais-noéis.  Começa a pensar que levam uma vida muito simples, na verdade, sem complicações. Seu filho não vai ganhar presente de Natal, portanto ele não precisa se preocupar com isso. Mas volta e olha para os desenhos e pensa em comprar um presente para o garoto, que já tem idade suficiente para comparar a sua vida com a de outros amiguinhos da escola ou do bairro. Quer ver o seu filho ter a alegria de receber um presente na noite de Natal – apenas isso –  mas prefere não contar sua intenção para a esposa, afinal, será apenas um presente…

* * *

* 24 de Dezembro *

Pela manhã na ida ao trabalho, Paulo passa em frente à loja que viu no dia anterior. Haveria algum presente que poderia comprar para o filho naquele lugar tão pequeno ? Não pensava em outro lugar, mas unicamente ali. A loja lhe causou ótima impressão. Tinha um estilo antigo; algo que ele via na infância: um tipo de comércio que foi sufocado pelas lojas de departamentos e depois pelos shoppings. Neste dia, trabalhará apenas no período da manhã. Raras ligações de algum cliente, que na verdade, eram desejos de boas festas em sua maioria. No mais, havia a expectativa pela confraternização de fim de ano.

- Bete, que horas fecha o comércio de rua no dia de hoje ?

- Depende. Algumas lojas acompanham os shoppings e ficam abertas até às 6 da tarde, outras fecham logo depois do almoço…

- Não posso sair tarde daqui..

- Mas o que precisa comprar ?

- Um presente

- Mas aqui, no centro ?

- Sim, numa loja aqui perto…

- Sai um pouco, compra e depois volta

- Não quero fazer assim. Quero comprar e levar logo pra casa…

- Superstição ? Simpatia ?

- Nunca !

- Tá certo, você é o racionalismo em pessoa !

- É um presente para o meu filho. Cismei com uma loja. Acho que vou encontrar algo lá que ele vai gostar…

- Mas você não vive dizendo que não comemora o Natal ?

- Sim, mas é só um presente. Não quero ele que fique sem ganhar nada de mim, enquanto outras crianças ganham dos pais. É uma brincadeira, esse costume de dar presentes. Quero apenas brincar com ele.

-  Então na sua casa, não tem nada de enfeites, de árvore, de ceia à noite, nem presentes ?

- Olha, costumamos almoçar na casa dos pais da Priscila: lá tem tudo: árvore, presentes, ceia. O meu filho já ganhou presentes dos avós, mas nunca de mim. É quase impossivel não termos contato com esses costumes, mas no começo do casamento, ela fazia algo em casa …

- E deixou de fazer porque você não gostava ?

- Quase isso. Eu andei falando umas coisas…

- E ela ficou magoada…

- Na verdade, eu não reclamava dela enfeitar a casa ou preparar uma ceia de natal, mas eu lhe passava na  cara essas coisas : “Você não vai à Missa, não confessa, não comunga, mas comemora o Natal… “.  Ela se aborreceu com isso e parou de vez, mas nem falamos mais nisso…

- E seu filho ? Você ensina ele a “não acreditar em Deus” ?

- Eu respeito a Priscila. Ela acredita em Deus, embora não seja muito religiosa, como tantos. Eu às vezes, a vejo ensinando o Zezinho a rezar e não me intrometo. Não quero chamá-la de incoerente de novo. Quero ver os dois felizes comigo.

- E agora vai comprar um presente de natal para o seu filho…

- Pois é…

- O seu primeiro “gesto natalino” ! diz Bete com um sorriso entusiasmado …

- Sim, mas um gesto exterior…

Nesse instante, Paulo se movimenta como quem vai se despedir dos amigos ..

- Já vai Paulão ? pergunta Joel

- Tenho que comprar um presente..

- Fica mais um pouco, as lojas ficam abertas até começo da noite…

- Tem uma loja boa aqui. Não quero ir no shopping…

- Rapaz, tudo tem que ser diferente com você !

- É para o meu filho. Nunca comprei um presente de natal para ele. Se não achar nada nesta loja vou para algum shopping….

Já são quase duas da tarde, entendendo que ficou um tempo suficiente no churrasco, vai se despedindo de cada colega de trabalho, e ouve de Bete : “ Boa sorte com o presente, Paulo ! Me permita desejar um Feliz Natal para você, sua esposa e seu filhinho ! Que Deus abençoe sua família !“

Paulo agradece à Bete, e discretamente, sai pela rua apressado, temendo ver a loja fechada. Numa pequena rua que desce para a Marechal, lá estava ela. E aberta! Entra rapidamente, com receio que já estivesse fechando. É recebido com um largo sorriso por um velho simpático de cabelos muito brancos, que guardava com muito cuidado algumas mercadorias que estavam no balcão. Aparentava ter quase 80 anos e se tivesse barba, seria um autêntico Papai Noel. Talvez as vendas ali, não fossem muito boas, certamente o dono era aposentado, mas trabalhava com muito prazer no seu negócio. Não havia o menor sinal de desleixo: balcão e prateleiras de madeira, não se via muitos produtos de plástico colorido, aqueles baratos e inúteis, e que costumamos chamar de “bugingangas”, mas vendiam artigos de armarinhos, papelaria, itens para o lar, algumas roupas, e…. brinquedos ! Como cabia tanta coisa num lugar tão pequeno ?

- Pois não, boa tarde ?

- Boa tarde, eu gostaria de ver algum presente para o meu filho. Um menino de 7 anos…

- Sim ! Aqui temos jogos e brinquedos. Vou mostrar para o senhor…

- Se puder me ajudar…não sou bom com presentes…

Nesse momento, se  aproxima uma senhora muito simpática que estava mais ao fundo da loja…

- É minha esposa…

- Boa tarde, minha senhora..

Ela respondeu com um sorriso e ficou de cotovelos no balcão, olhando o marido mostrar alguns brinquedos…

- O senhor só tem esse menino ? pergunta ela

- Sim, eu e minha esposa nos casamos com uma “certa idade” e não sei se poderemos ter mais um. É a primeira vez que compro um presente de Natal para ele. Não comemoramos,  não somos religiosos, mas eu quero que o meu filho tenha a alegria de um presente..

O casal ouviu com muita atenção, e o comerciante pergunta.

- O senhor.. como se chama ?

- Paulo…

- Sr Paulo, meu nome é Orlando e minha esposa, Regina. Essa é uma ocasião especial Espere um momento.

Ele vai a uma prateleira no lado oposto do balcão enquanto a esposa o acompanha com o olhar, como quem sabe o que  o marido vai fazer. Ele volta, muito sorridente com uma caixa contendo um caminhão de brinquedo, alegre com quem carrega um pequeno tesouro…

- Veja o que o senhor acha : é algo diferente de tudo o que tenho aqui….O fabricante não faz mais um como este. É um modelo bem diferente dos que temos hoje. É o último. Deve estar aqui há mais de vinte anos , mas está perfeito e na embalagem de fábrica. Um brinquedo simples como os outros daqui, mas de um tempo em que as coisas eram bem feitas, e já é considerado um item de colecionador, pois alguns “meninos” da sua idade, pagam algumas centenas de reais por um exemplar desse ! Aqui vendo na mesma faixa de preço que os brinquedos comuns e ninguém se interessou em comprar…

- Na verdade, ele nunca quis vender esse….corrige D. Regina, sem querer tirar o entusiasmo do marido…

- Sim, minha querida, mas ficava na prateleira, quase que escondido….

- Sr Orlando, pode guardar os outros brinquedos ! Encontrei o presente que procurava mas não sabia !

-Que bom que gostou…

-Já tive  um desses quando era criança. É impossível que eu encontre algo melhor!Eu tenho a impressão de estar levando para o meu filho o melhor presente do mundo !

Seu Orlando e Dona Regina sorriem, até certo ponto surpresos com a alegria que o presente provocou no pai.

-Este presente, merece um embrulho caprichado ! Pode deixar, que vou escolher um papel de presente apropriado para o um menino…

Enquanto a D. Regina vai embrulhando com toda a cerimônia, Paulo resolve comentar suas impressões da loja…

- Esta loja parece uma viagem no tempo. Já passei tantas vezes e nunca prestei atenção, parece que não existe mais nenhum comércio como o seu…

- Sim, ela  tem mais de 50 anos e é difícil achar outra parecida. Os tempos são outros, mas procuro me manter o mais próximo possivel do que era quando começamos. Não gosto de vender essas coisas mal fabricadas que rapidamente vão para o lixo, como aqueles guarda-chuvas de R$8,00, aqui eu não vendo…podem ser baratos, mas para mim é uma fraude…

-Esse negócio sustentou a nós e nossos filhos por muitos anos – emenda D Regina – mas agora, nós é que o sustentamos…

-Se não fôssemos donos do imóvel, já teríamos fechado as portas, mas moramos no andar de cima, gostamos deste trabalho, e….

-O Orlando vive dizendo que espera apenas um bom motivo para fechar…

Paulo recebe o embrulho mais bem feito que já viu na sua vida e depois de pagar, percebe que o casal o observa, como se quisessem falar ou ouvir algo mais…

-Vai ser um pena ver esta loja fechada.Espero que meu filho goste do presente, tanto quanto o pai dele gostou…- disse apertando as mãos de cada um…

D. Regina, sente vontade de dizer algo, tem receio, mas vendo aquele pai levando consigo um presente com tanto entusiasmo, para que seu filho se alegre na noite de Natal, fixa os olhos nele e diz:

- Meu senhor, como é bom quando chega a época do Natal e vemos o carinho que os pais dedicam aos seus filhos, pois durante todo o ano, a correria da vida, muitas vezes impede que a família se una e se confraternize…

- Sim, minha senhora, é verdade….

Ela, mais segura e com os olhos brilhando, continua…

- Jesus Cristo se fez pequeno e menino, para que pudéssemos ao menos uma vez a cada ano, pararmos, aquietarmos e refletirmos sobre onde podemos melhorar.Vejo que o senhor é um bom pai que se preocupa com seu filho, mas, mais importante que este presente tão lindo que o senhor leva para ele, é o amor que não cabe em seu coração, pois este amor que o senhor tem ai, é justamente uma fagulha do amor de Deus por nós, se fazendo gente como nós e vivendo o que nós vivemos. Ele sabe que o senhor é um pai maravilhoso e que deseja ao seu filho somente o bem.

- Eu vi o recado que vocês deixaram na entrada da loja, sobre faltar dois dias….devo confessar que me chamou a atenção…

- Bem, agora só falta um – responde Sr Orlando, percebendo Paulo muito pensativo…

-Vou indo agora…Boas Festas…Feliz Natal para vocês !

- Minha família também deseja ao senhor e toda a sua família um Feliz Natal, cheio de bênçãos.

-Obrigado Dona  Regina, Sr Orlando…

* * *

Paulo dirige seu carro pensativo. As palavras de Dona Regina, não foram apenas bonitas, inspiradas

Elas lhe pareceram…racionais. Precisamente uma passagem não lhe saía da cabeça : ”…pois este amor que o senhor tem ai, é justamente uma fagulha do amor de Deus por nós, se fazendo gente como nós e vivendo o que nós vivemos…”

Como queria, Paulo foi direto para casa, bem no meio da tarde. Depois de por o carro na garagem, pega o embrulho e vai entrando meio que escondendo e evitando fazer barulho.Assim  que Priscila aparece na porta, pergunta para a esposa com voz baixa:

-O Zezinho está na sala ?

-Tá no quarto, porque ?

-Comprei um presente de Natal para ele

-Presente? Sozinho? Porque não me chamou ?

-Não pensei nisso…..decidi ontem

-Devia ter me chamado! Você decide assim e faz, sem falar nada….

-É uma coisa simples. Só pra ele não ficar sem presente no Natal

-Mas eu tinha que estar junto. Eu queria escolher com você !

-Tá bom desculpa …

-Fácil falar…E Priscila vai para a cozinha, pisando firme…

Paulo rapidamente, vai para o quarto guardar o pacote com aquele sentimento de que fez algo errado. Até então tudo lhe pareceu perfeito: a descoberta da loja, a escolha do presente, uma conversa tão agradável com aquele casal, mas foi justamente ao chegar em casa, que passou a se sentir mal. E reconheceu que era culpa dele. A sua casa, era um lugar que uma briga não deveria durar mais que cinco minutos, portanto, precisava “consertar” logo o que fez…

-Filho, procura aquele DVD daquele desenho, “Carros” para você assistir com o pai…. – e vai direto falar com a Priscila..

-Priscila, desculpa…

-Você é ótimo em pedir desculpas. Acha que assim resolve e quer que fique tudo bem…

-Então me diz o que eu tenho que fazer  pra você me desculpar…

-Eu quero que você diga que é egoísta, cabeça dura, que se acha melhor que os outros, mas não é…

-Eu digo, eu digo..Eu sou egoísta, sou cabeça dura, me acho melhor que os outros, mas não sou….e digo mais: penso que não preciso dos outros, mas preciso, principalmente preciso de você, e prefiro que você faça algo errado comigo, do que eu fazer algo errado com você, porque não suporto te magoar,  nem magoar nosso filho…

Rapidamente Priscila abraça Paulo;

-Chega… tá bom, querido. Não sei se seria capaz de pedir desculpas de um modo tão sincero…

-…mas da próxima vez , não pede “desculpas”, pede “perdão”

-Perdão, Priscila…

-Da próxima  vez, Paulo….

Zezinho entra na cozinha e vendo os dois abraçados, os abraça também …

-Achou o desenho, filho ?

-Achei  pai! …vamos ver…

-Espera o papai tomar banho….

-Querido, vai ver o desenho – agora –  com o Zezinho, que eu vou ao mercado antes que feche….

-Pra quê?

Priscila fala bem baixo ao ouvido de Paulo:

-Eu decidi “sozinha” preparar uma Ceia de Natal. Se você pode comprar um presente, eu posso comemorar o Natal… – responde Priscila com visível bom humor….

Paulo solta uma risada de alívio. Sente-se completamente perdoado, e não somente deste episódio…

-Vou comprar um peru e mais alguma coisa para uma ceia rápida…

-Não precisa caprichar muito, Priscila…

-Você não imaginava que um simples presente pudesse tomar uma dimensão muito maior do que planejou…

Paulo pensativo, finalmente vai ver o filme com o filho, volta e meia, procurando alguma coisa na geladeira,  porque sabia que o jantar iria demorar…

* * *

Priscila – em poucas horas – até que montou uma bela Ceia de Natal. Preferiu simplificar ao invés de lotar a mesa. Paulo gostou do que viu. Não podia acreditar que estava vendo uma mesa ainda mais enfeitada do que nos primeiros anos de casamento, quando ela ainda fazia alguma comemoração de natal….E ela não queria a ajuda dele …

- Volta lá pra ver o filme com seu filho ! Aqui na cozinha você não apita nada ! Disse ela mais feliz do que uma adolescente que vai a um show de rock.

Estavam agora na mesa, e Priscila nem se importava com a falta de naturalidade do marido, que não sabia como se encaixar naquela situação. Era uma ceia de natal e ponto final, e dessa vez ele tinha que encarar de modo diferente…

-Filhinho, o papai tem uma surpresa pra você….- disse Priscila, assim que o Zezinho terminou de comer um delicioso pudim de leite condensado – a “melhor sobremesa do mundo” – como sempre repetia Paulo, fã número 1 da culinária da esposa…

- Procura lá em baixo da cama, filho….- e acompanham o menino até a porta do quarto.

-Óia mãe ! Óia mãe ! O carrinho que o papai me deu !!! -Que legal ! É Natal ! É Natal !

-Gostou filho ?Dá um abraço no papai..

-É Natal ! É Natal ! – repete Zezinho, sem conter a alegria…

Os dois se ajoelham para ganhar um abraço apertado do filho.

-Deixa eu ver esse caminhãozinho, filho. Que lindo ! A caixa tá um pouco velhinha.. Paulo, você deveria ter pedido um, com caixa mais nova.. – comenta Priscila num tom que Zezinho não perceba…

-Não tinha. Era o último. É um modelo “fora de linha”. Comprei numa loja antiga do centro…

-Não acredito que você comprou o presente do teu filho num antiquário….

-Não é antiquário. É  uma loja normal, só que antiga…

-Tá bom, não vou brigar com você, desta vez – disse ela sorrindo

- Mãe! A gente não tem um presépio…

- Presépio ?

- É. Tem que ter presépio no Natal. Na casa do Vítor tem um….

Priscila para de sorrir e olha para Paulo.

- Filho, a gente vê depois. Agora as lojas estão fechadas –  responde o pai.

- A gente compra amanhã ?

- Amanhã é feriado, filho…no noutro dia…

- Mas depois não é mais Natal..

Paulo fica sem uma resposta melhor para Zezinho, e Priscila fica constrangida. Nenhum dos dois estava preparado para essa situação, uma vez que a religião naquela casa, era um assunto praticamente ignorado, e sempre causava receio tocar no assunto. Até para Priscila, que acreditava em Deus, a religião era apenas um “lado”, que poderia se esquecido…

-Amanhã filho, eu e a mamãe vamos procurar uma loja aberta. Se acharmos compraremos o presépio. Vai brincar com seu caminhãozinho…

-A que horas a gente acorda amanhã pra comprar o presépio ?

Essa pergunta deixou claro, que o presépio era mesmo importante para Zezinho…

-Filho, espera um pouco…

-Priscila..

-Oi…

-Vamos ver isso agora…

-Mas, como? São mais de 10 horas da noite…não tem nada aberto!

-Vamos na loja

-Vai estar aberta a essa hora ?

-Não, mas eles moram no andar de cima…

-Vai incomodar – devem estar dormindo…

-Eles são católicos, devem estar na Missa ou voltando dela…

-Mesmo assim, incomoda…

-Fica tranquila, eu sei que eles vão gostar de nos ver…

Muito seguro do que dizia, Paulo convenceu a esposa e deixou o Zezinho eufórico. Em minutos estavam tirando o carro da garagem.

-Vamos lá filho, embarcar na aventura natalina do seu pai. Quem diria….

Noite de Natal. Em alguns bairros, famílias promovem um barulho carnavalesco, noutros, o que se vê são ruas vazias e silenciosas. O trajeto é tranquilo e breve, até que se para no farol vermelho…

- Espero que achemos esse presépio, senão o Zezinho vai dormir inconformado. Ele se empolgou tanto…

-Eu vi lá alguma decoração de Natal. Deve haver algum presépio….

O farol fica verde.

- Não pega –  diz Paulo

- Meu Deus, Paulo ! Meu Deus !

- Quase ! – Responde Paulo respirando forte…

- Que susto…

- O carro ia pegar a gente, mãe…

- Graças a Deus não pegou filho….você viu Paulo ?

- Era um rapaz sem camisa, parecia um doido, o farol do carro apagado…

- Maluco ! Quase mata a gente…

- Ele fez uma curva na nossa direção, parecia fora do controle..

- É, eu vi. Ele estava em zigue-zague e voando !!!

O farol fica vermelho de novo….

-Paulo, vamos sair daqui logo….

-Espera o sinal abrir. Você está bem…?

-Assustada…

-Se o carro não tivesse apagado no farol, a gente não teria escapado.

-Verde, Paulo ! Vamos sair….vamos pra casa…

-A gente não vai mais comprar o presépio ? Disse o Zezinho já refeito do susto…

-Vamos sim, filho. Fica calma, amor. Não vai mais ter isso de novo…

-Parece que não tem nada no carro. Você fez algo de errado na hora que o sinal abriu ?

-Não, não fiz…

-Tá longe ?

-Mais uns 10 minutos.

Assim que chegam, percebem a luz acesa no andar de cima. Ao apertarem a campainha, aparece na pequena sacada a Dona Regina que reconhece Paulo de imediato :

-Entrem ! Entrem !

-Nossa! Que receptiva…

-Os dois são assim. Você vai ver…

Seu Orlando desce a escada que dá para a rua,  abre a porta e os recebe, com o mesmo sorriso daquela tarde…

- Minha esposa Priscila e meu filho, Zezinho…

- Que família linda ! Muito prazer.  Vamos subindo…

- Seu Orlando, o Zezinho gostou muito do presente

- Oh que bom…

O menino se aproxima do pai…

- Tem presépio, aqui ?

- Peraí, filho…

- Que esposa linda você tem ! E que menino lindo !

-Essa é a Dona Regina, Priscila…

-Prazer, Dona Regina…

-O Zezinho me pediu um presépio, agora quer um Natal completo ! Penso que o senhor tenha na sua loja…

-Sim, temos…

-Desculpe chegar a essa hora, mas amanhã…

-Amanhã iremos almoçar na casa do meu filho mais velho. Vocês vieram no dia certo…

Seu Orlando vai buscar a chave, enquanto Dona Regina dá um abraço no menino…

- Essa porta, dá para a loja, vamos ver…

- Zezinho vem cá, vem escolher um presépio…

Zezinho atento, escolhe um presépio com as peças soltas, não aqueles compactos, num bloco só…

- Logo o mais bonito ! Que bom gosto, menino !

- Lindo mesmo. Sempre gostei de presépios… – disse Priscila…

- Vamos filho, Seu Orlando e Dona Regina, precisam descansar

- Fiquem tranquilos, chegamos da Missa à pouco….e gostamos de ver a Missa do Galo na TV, direto do Vaticano, tem ano que vemos até o fim, tem ano que caímos no sono…

Paulo fez menção de pagar, mas Seu Orlando recusa:

- Por favor, levem como um presente para a família

- Isso mesmo – reforça D Regina – é um presente !

Paulo e Priscila agradecem e Zezinho, dá um abraço no casal generoso…

- Vocês não tem ideia do que isso significa para mim e até mesmo mesmo para vocês…

- Eu e o Orlando estávamos rezando um terço, assim que chegamos da Missa de Natal,  uns 15 minutos antes de vocês chegarem e os colocamos  nas nossas intenções. Sempre rezamos um terço antes de dormir…

- Dona Regina – diz Priscila respirando fundo – há 15 minutos atrás, tivemos um susto grande. Um carro quase nos pegou num cruzamento. Era o tempo exato para pegar o Paulo na lateral e acabar com a nossa vida…

- Só escapamos porque o carro não pegou. Estavámos parados no farol, quando abriu, pisei no acelerador e nada…

E depois o carro pegou? Perguntou seu Orlando, olhando espantado para sua esposa

- Sim, tudo perfeito. Fivamos parados tentando fazer o carro pegar, até que funcionou e esperamos abrir o sinal de novo e viemos pra cá. Nada de errado com o carro…

- Fiquem tranquilos. Não vai acontecer nada na volta. Vamos rezar por vocês, para que tenham um retorno tranquilo, uma boa noite e um Feliz Natal – assegura Dona Regina

Seu Orlando se inclina para falar com Zezinho

- Filho, você sabe o que é um Presépio ?

- É  o nascimento de Jesus no Natal

- Sim, o Presépio mostra como Jesus nasceu, num lugar pobre, entre os animais, envolto em panos e na companhia de Maria e José, seus pais.

-  Este menino é Deus,  mas antes se fez criança como nós, porque nos ama e quer ficar junto de nós para nos salvar – completa Dona Regina

-  Quando você chegar em casa, – prossegue seu Orlando – pede para os teus pais te ajudarem. Arruma o melhor lugar da sala da sua casa e monta o presépio com seu pai e sua mãe, e não coloca agora, o menino Jesus , porque ele ainda vai nascer. As pessoas montam o presépio bem antes e colocam o menino Jesus na Noite de Natal, mas você pode colocar amanhã cedo, para poder ficar nessa espera. Isso vai te ajudar a entender melhor…

- Boa explicação seu Orlando – eu até já havia esquecido essas coisas. – Disse Priscila, lembrando dos tempos que frequentava a Igreja….

E olhando para Priscila e Paulo, Seu Orlando conclui:

- Há tempos nos demos conta que estamos velhos e precisamos diminuir o ritmo. Além do mais, esse tipo de loja não tem muito espaço nos dias de hoje. Mesmo assim, eu vinha resistindo. Hoje à tarde, a minha Regina, falou que eu só estou esperando um bom motivo para fechar esta loja, e vejo que já encontrei. Depois do Reveillon, vamos encerrar as atividades, com um sentimento de Missão cumprida, pois realizamos um negócio que causou grande satisfação, à mim e à minha esposa. O dia de hoje é muito especial para mim e minha querida esposa, e espero  que seja especial para vocês também…

- Pois saiba que está sendo, seu Orlando – muito especial – disse Paulo, deixando de lado o modo contido…

Após os abraços, eles voltam para casa e logo ajeitam um espaço na sala para instalar o Presépio. Como recomendado, o Menino não foi posto na mangedoura, mas Zezinho levou-o para o seu quarto, pois a primeira coisa que faria ao acordar, seria colocar o Menino Jesus ao lado de Maria e José.

Um conhecido morador de rua, chamado Eliseu,  muito sujo, viciado em drogas, perambulava, vasculhando os lixos e falando sozinho;  mexia no seu casaco rasgado ( outrora, um blazer muito elegante, possivelmente descartado num albergue ) e resmungava por não achar nos bolsos o que estava procurando. Apesar das barbas compridas, era o extremo oposto do Papai Noel. Umas três casas abaixo, Karina, uma moça loira muito jovem, reunia os amigos numa festa barulhenta que prometia que não acabaria tão cedo. Ela tinha um emprego excelente, e vivia em festas rodeada de amigos, mas estava triste naquela noite, porque o homem a quem chamava de namorado, estava naquele momento, num restaurante, com a esposa e os filhos. Músicas barulhentas, feitas para preencher o vazio e fugir do silêncio, risadas altas e doses seguidas de vodka, eram a sua receita para passar a noite de Natal.  Com esse ambiente e numa noite de muito calor, Paulo, Priscila e Zezinho, foram dormir.

* 25 de Dezembro *

No meio da madrugada, Paulo acorda e já não ouve o som da música ou vozes lá fora. O silêncio era total e o sentimento de paz era muito grande. “Dormirei até mais tarde amanhã”, pensou. Mas ele percebe uma forte claridade vinda da sala. Suas mexidas na cama, despertam Priscila:

- Você deixou a TV ligada, amor ?

- Não. –  Responde Priscila, se virando na direção da porta…

- Tem uma claridade na sala… Vou lá ver…

Ao chegar, vê seu filho estático diante do presépio observando um raio de luz que vinha da janela da sala e iluminando direto o lugar da manjedoura onde se aguardava o Menino Jesus. Priscila chega em seguida para ver o que está acontecendo…

- Meus Deus !

Eles abraçam o filho e não conseguem deixar de olhar para a cena do presépio iluminado…

- Tá tudo bem filho ?

- Tá,  mãe.

- Quando começou essa luz? Porque você saiu da cama ?

Era um raio de luz forte e branco. A partir da manjedoura, a sala ficava iluminada. Paulo sem dizer nada, volta para o quarto. Priscila, percebe que ele vai trocar de roupa, pois está de pijama e ela faz o mesmo.

- Vamos lá fora, amor. – Zezinho os acompanha

Paulo vê que a luz vem direto do céu e estende a mão para interceptar. Não sente calor, nem dor e olha a palma da sua mão atravessada pela luminosidade e consegue ver os seus ossos.  Priscila também repete o gesto, e nesse momento,  o marido segura a sua mão. Vendo Zezinho querendo fazer o mesmo, Paulo pega o menino no colo os três ficam com as mão unidas…

- A Luz de Jesus ! – Diz o menino

Paulo e Priscila, emocionados, não conseguem dizer palavra nenhuma. Percebem depois, que não são os únicos a ver a cena. Eliseu e Karina estão de longe observando, mas não tem coragem de se aproximar. Cada um na sua situação, se vê como miserável e julga que não merece chegar perto. Mas ao perceberem que são notados se encorajam e se aproximam.

- Eu vi desde o começo. Foi logo depois que meus amigos foram embora e o barulho acabou. Há mais de uma hora estou na rua e não consigo tirar os olhos –  diz Karina…

- É muito lindo – completa Eliseu.

Paulo e Priscila apenas sorriem para os dois. Decidem entrar em casa e olham para Karina, num gesto de convite para que entre também. Ao ver Eliseu constrangido, Paulo vacila por um segundo, mas depois,  convida com voz firme:

- Entre, fique com a gente. Como o senhor se chama ?

- Eliseu…

- Fique à vontade, seu Eliseu

Os visitantes, ficam espantados ao verem que a luz estava direcionada para um presépio. A moça decide sentar-se no tapete, bem perto da cena do nascimento de Jesus. Olha para Maria e José, parecendo dizer-lhes palavras. Seu Eliseu contenta-se em olhar de longe, mas fica num sofá de único lugar,  já não mais se importando com sua condição.

- Filho, vamos colocar o Menino Jesus ? – sugere Priscila…

- Sim ! Ele já nasceu ! A luz,  é porque Ele já nasceu !

E colocam o Menino Jesus na manjedoura. Agora,  toda a luz vai para o menino e a partir dele, se ilumina toda a sala.  Priscila se aproxima de seu Eliseu e pergunta:

- O Senhor quer alguma coisa… água, café… está com fome ?

- Minha Senhora, eu estava procurando tanta coisa, mas agora não preciso de nada. Obrigado por deixar entrar na sua casa. Só quero olhar…

Karina se vira, olha para os dois e sorri acenando com a cabeça para dizer que também se sente assim…

- Você também Karina, se precisar de alguma coisa…

Ela aperta a mão de Priscila e a abraça…

Já não se fala mais nada. Todos só querem olhar o Menino Jesus. Paulo vê um filme passar na sua cabeça : e se lembra do momento em que leu o cartaz anunciando que faltavam 2 dias para Jesus nascer. Tudo começou naquele momento. E depois, as palavras da Dona Regina, e por fim, seu filho pedindo um presépio….Sentado no sofá maior, está abraçado com Zezinho e Priscila. Ele alisa o braço da esposa e beija a testa do seu filho. Está consciente de que sua vida jamais será a mesma. Já está na terceira hora, desde que a Luz foi vista na rua por Karina e Eliseu. Seu filho, o menos impressionado de todos, é o primeiro a pegar no sono. Karina se debruça no sofá, tenta não dormir, mas é vencida pelo cansaço: “se for para dormir” , pensa, “dormirei ao lado da Sagrada Família”. Seu Eliseu, contempla a cena e se imagina como um dos pastores: aquele mais escondido, aquele mais pobre, e quer ficar velando o Menino Jesus a noite inteira, mas seus olhos ficam pesados de sono também. Priscila encosta a cabeça no ombro do marido. Paulo olha todos à sua volta, impressionado com a Luz que a todos atrai e a ele também. Por fim, também adormece…

* * *

- Meu amor, acorda. Vem ver isso….

Já é de manhã e a única luz da casa, é a natural do dia. Priscila agita o braço de Paulo, pois quer que ele veja logo. Eliseu está de pé, e emocionado contempla a si mesmo: suas mãos estão limpas, o cabelo penteado, as roupas e os sapatos estão como novos. E ele está usando exatamente as mesmas roupas que antes eram sujas e rasgadas…

- Deus quis mostrar por fora, a restauração que me fez por dentro – disse ele entre lágrimas para Paulo, que lhe dá um abraço.

Karina acorda e se levanta para ver o que aconteceu. Espantada leva as mãos ao rosto. Durante a vigília diante do presépio, ela foi revendo a sua vida, suas amizades, seus vícios, e prometia ao Menino Jesus, que mudaria de vida:

-Também estou restaurada, seu Eliseu. Nunca me esquecerei desta noite. Acho que Deus reservou para cada um de nós,  um milagre. Muita coisa na minha vida também vai mudar. Eu estava destruindo uma família e nunca mais farei isso.. Espero que ele também se arrependa. Quero ir para casa agora, dar um abraço nos meus pais. Quero ir à Igreja me confessar, estou tanto tempo afastada, quero pedir perdão…

-Vou preparar um café para nós. Fiquem mais um pouco. – disse Priscila

Karina observa Zezinho dormindo o melhor sono de sua vida.

-Ele dorme como se nada tivesse acontecido – disse sorrindo…

-Talvez  ele seja  o único que entendeu tudo….- completa a mãe…

Eliseu e Karina, não conseguem ficar muito tempo. Sabem que quando passarem pela porta, a vida de cada um mudará e querem que isso aconteça logo. Na despedida, olham novamente para o Presépio, como que se despedindo. Já na porta,  Eliseu diz para Paulo e Priscila :

- Vou voltar para a minha família. Não quero mais fugir das pessoas que me amam, por vergonha do desemprego, do fracasso e dos vícios. Me sinto forte e com coragem. Vou pedir perdão para minha esposa e meus filhos e sei que serei perdoado, pois Nossa Senhora me encorajou. Ela não queria que eu me apresentasse em trapos sujos e lavou as minhas roupas. E Deus lavou a minha alma…

- O Senhor,  está parecendo um “Lord”, seu Eliseu. Deus faz tudo perfeito !

Eliseu e Karina beijam Zezinho que ainda dorme, e se despedem de Paulo e Priscila com um longo abraço, como velhos amigos. Uma despedida recheada de frases como : ´”até logo”, “voltem sempre”, e principalmente, “Feliz Natal”.Voltam para casa, como que, trazendo uma grande novidade sobre suas vidas…

* * *

- Acorda filho.  Feliz Natal …

- Zezinho se espreguiça e ganha um abraço da mãe…

- Aquela luz vai voltar de novo  no outro Natal ?

-Não filho, acho que não. Foi somente essa vez. Foi um milagre, só posso dizer isso. Foi um milagre…

-Mas o pai, vai ver a luz de novo …

-Eu ? Quando ? – pergunta Paulo, que já aguardava as surpresas de Deus, para sua família…

- Quando eu te der a unção dos enfermos, vai ver essa luz de novo, no Natal. A mamãe vai estar com a gente e minha irmã também, com o marido e os filhos dela…

Paulo abraça o filho…

- Filho, agora vai escovar os dentes. O papai precisa falar com a mamãe…

O menino obedece,  e eles, finalmente podem conversar:

- “Unção”, é algo que um padre faz ?

- Sim, meu amor. É um sacramento…

- Teremos um filho padre…

- E teremos uma filha e netos…

- Quantos filhos ela terá ?

- Calma, ela precisa nascer ainda ! E é bom que não saibamos, mas gostaria que fossem muitos…

Paulo pergunta de novo para Zezinho:

- Filho, o que é “unção dos enfermos”?

- Não sei, pai…

Do modo como entendia como deveria ser a fé, Paulo entendeu e aceitou a resposta do filho…

-Tem panettone filho, você gosta ?

- Oba !

- Vai lá, filho…

Zezinho vai para a cozinha e Paulo vai para o quarto segurando o choro. Priscila o segue também tentando se conter…

- O que vai ser do nosso menino ? – pergunta ela…

- Vamos cuidar bem dele. Deus fará o principal…

- Nunca te ouvi falar assim –  Eu te amo e nunca te amei tanto, sabia ?

- Eu também te amo, minha querida. Feliz Natal…

De longe, ouvem tocar os sinos da Matriz de São Bernardo…

- Vamos ?

- Sim, vamos. Você precisa conhecer, o Zezinho também. E eu, preciso voltar. Nossa filha, nascerá numa nova família, transformada…

O Presépio da Igreja é bem maior. A Árvore de Natal é natural e está cheia de luzes. Algumas pessoas com cara de sono, chegam para a Missa das 10. Zezinho se ajoelha diante do Altar. Paulo e Priscila unem suas mãos e rezam juntos pela primeira vez.

 

 

 

* * * * * * *

 

 

Há uns 4 ou 5 anos atrás, passei diante uma loja na rua Santa Filomena em São Bernardo do Campo. Casa Vantim: especializada em artigos para desenho, arquitetura e artesanato. Na entrada da loja, o proprietário, Sr. Isildo, colocou este recado “ Faltam 2 dias para Jesus nascer “.  Era 23 de Dezembro daquele ano. Este conto é inspirado neste episódio. Obrigado Sr Isildo: que sua iniciativa, continue a tocar nos corações. É justamente aí, no coração que segundo Bento XVI, o homem precisa ser salvo.

 Agradeço à minha namorada, minha querida Josi, por ter emprestado suas palavras à personagem de Dona Regina. Quando o pai vai levar o presente, ele ouve palavras inspiradas e cheias de sabedoria que falam da “fagulha do Amor de Deus”. Nós bem sabemos como é essa fagulha. Feliz Natal, minha linda…

 

Feliz Natal a Todos…

Publicado por: algosolido | 15 de novembro de 2013

TROQUE SEU CACHORRO POR UMA CRIANÇA POBRE

Há pessoas que se dedicam inteiramente aos animais, deixando
ao abandono  as crianças. Existem mães que não sabem preparar
a sopa para o filho; no entanto, conhecem e discutem todas as
vitaminas de que o cachorro precisa na alimentação.
Não devemos ser contra os animais, mas o homem é um homem e
o gato é um bicho. Cada um tem seu lugar no espaço e isto devemos
respeitar “

 

Marialice Prestes – “Problemas do Lar” – 1957  (1)

Imagem

O recente episódio do “resgate” dos cães da raça Beagle em um Laboratório de Pesquisas Científicas no interior de São Paulo, a notar pela reação da imprensa, mostra que os defensores dos animais estão isolados. A mídia está engajada em praticamente todas as chamadas causas “politicamente corretas” que visam os interesses de chamadas “minorias” ( “minorias” que dominam a imprensa, os governos, a universidade….) : seria o caso dos defensores de cães e gatos, mas eles foram longe demais ao atrapalhar pesquisas sérias, como as que buscam a cura do câncer. Não contar com a simpatia da mídia, é ter um oposição muito pesada, pois a mesma se julga porta-voz da opinião pública ainda que a mesma lhe seja totalmente contrária, mas isso é assunto para outra oportunidade.

Vamos deixar claro: ninguém em sã consciência, defende maus tratos aos animais: nem politicos ou policiais, religiosos, jornalistas, cientistas… quem gosta de ver um animal sofrer ?. A sociedade no seu conjunto, repudia qualquer ação que faça um animal sofrer inutilmente. A questão é : seja por conta de um abate ou algum teste de laboratório que chegue a sacrificar a vida, o animal efetivamente sofre, mas esse sofrimento não é algo desejado.

Quer dizer que o sofrimento de um animal pode ser útil ?  Sim, pode ser: quando se pretende salvar vidas humanas.  Mas quando o sentimento pressiona a razão, esse argumento não basta.

E o que dizer da imprensa? Ao se posicionar favorável às pesquisas com animais em laboratórios, podemos afirmar que é a favor da vida ?  Não, não é.  É apenas uma defesa egoísta e não altruísta da vida. Pode-se constatar isso  pelo apoio midiático às pesquisas com células tronco em que se matam embriões humanos para fins “terapêuticos”  como também o apoio que se nota por parte de jornalistas,  ao aborto e à eutanásia ( O filme “Mar Adentro” que retrata um caso real de suicídio de um tetraplégico e que faz a apologia da eutanásia, foi calorosamente elogiado por jornais brasileiros).

A defesa egoísta da vida aparece assim: a própria vida, a do filho, da esposa, do marido, e – às vezes – do pai e da mãe. Aquela vida que se considera, que se “sente” importante. É como se dissessem: “aquele animalzinho pode um dia salvar a minha vida ou de alguém importante para mim…” Desse modo, a defesa da vida humana, fica restrita ao interesse próprio e isso, apesar de estar na direção correta, não é suficiente. Toda vida humana tem valor. Não apenas a vida de quem amamos. Essa é a defesa altruísta da vida.

Isso me fez lembrar da música “Rock da Cachorra” (2)  composta por Léo Jaime, que ficou muito conhecida na gravação de Eduardo Dusek em 1982. A letra é uma sátira forte contra o apego excessivo e desmedido aos animais. “Troque seu cachorro por uma criança pobre”: com essa frase forte, o clipe musical da época, mostra uma madame caminhando numa calçada com um menino negro, amarrado a uma coleira e engatinhando como um cão. Nos dias de hoje, esta cena, causaria uma histeria. Evidente que o clipe não é racista, mas mostra justamente que as crianças negras, que são preteridas num processo de adoção, seriam as mais beneficiadas se certas pessoas sem filhos, tivessem mais amor por crianças do que por cães abandonados.

Aos longo do anos, pode se notar que o apego aos animais só aumentou. E isso, está numa relação direta com o individualismo, e o consequente encolhimento das famílias : raro se ver famílias com mais que dois filhos por casal e está se tornando cada vez mais comum, a escolha deliberada pelo filho único, ao passo que cães ocupam esse espaço nos lares, e passam frequentemente a ser tratados e chamados de “filhos”, enquanto os filhos de verdade  são vistos hoje,  como um impedimento à “realização pessoal”, ou simplesmente um estorvo

Muitos desses donos de “cachorrinhos mimados”, apostam sua dedicação e seu amor mais aos bichos do que aos seres humanos. Isso fica evidente em frases do tipo: “ Gosto mais de bicho do que de gente “ ou essa, bem sintomática : “ Eles não falam. Mas seus olhos dizem coisas que muitas vezes gostaríamos de ouvir de alguém “

Em 2009, uma reportagem de capa da Revista Veja (3), apontava que 10% das famílias brasileiras ( com tendência de alta ),  considerava o animal doméstico como “membro da família”. Essa taxa chegava a 30% nos lares europeus. Tal sentimento, motivou vereadores da Cidade de São Paulo a propor um Projeto de Lei que autorizando o sepultamento de donos e seus animais em jazigos comuns nos cemitérios municipais. A proposta despertou a atenção do Cardeal Arcebispo São Paulo, D. Odilo Scherer, que interveio e argumentou com o prefeito da capital paulista, que a prática de sepultar jazigos comuns donos e animais, poderia provocar um processo de “depreciação da dignidade humana” pois se estaria assim reconhecendo nos animais uma “dignidade igual à dos humanos”. (4)

O cinema,  pródigo em exibir filmes que exaltam a relação de pessoas e animais, também já mostrou o outro lado, não num filme para grande público, mas num obscuro filme britânico,  chamado “A Marcha“ ( The March – David Wheatley, 1990(5),  que mostra milhares de refugiados do Sudão fugindo da seca e da fome, numa gigantesca marcha rumo à Espanha. Uma comissária é enviada pela Comunidade Européia na intenção de negociar e conter o avanço dos africanos, que têm a esperança de simplesmente chegar à Europa e encontrar uma chance de viver. No primeiro encontro, a negociadora inicia um diálogo com o líder da marcha, sobre a riqueza e pobreza dos países, mas a segurança de seus argumentos termina, quando ela ouve dele esse apelo dramático e irônico:

“…Dizem que na Europa vocês têm muitos gatos. Dizem que o custo para manter um gato é mais do que 200 dólares por ano. Deixem-nos ir para a Europa como seus animais de estimação. Nós podemos tomar leite, deitar perto do fogo (lareira), podemos lamber suas mãos, ronronar. Nós somos muito mais baratos para alimentar.(6)

Tratava-se de uma ficção, mas muito de acordo com a realidade. Aqui no Brasil, parece que dinheiro em se tratando de cachorro não é problema : um estudo centrado na cidade do Rio de Janeiro, mostra que famílias de classe média gastam com animais domésticos em torno de R$162,00.  Só como base de comparação ( sem entrar nos méritos da iniciativa ) , o programa do Governo Federal “Brasil sem miséria” definiu o valor de  R$ 70,00 (setenta reais)  como limite da linha de pobreza. (7)

A lista de mimos não pára por ai,  quando se tem notícia de hotéis de luxo para cães, ( com piscina ! ) festa de aniversário com os donos sendo fotografados segurando a pata do animal em frente a um bolo com cobertura colorida, exatamente como fariam a um filho. As cenas são constrangedoras: os cachorros comendo bolo de aniversário, mas comendo como podem : como cachorros.

Existe até uma justificativa “humanizada” quando se diz que toda criança deveria ter um animalzinho em casa, pois lhe despertaria o “senso de responsabilidade”. Pode haver alguma verdade nisso. Não podemos negar que um “pet” é boa companhia para uma criança ou um adulto ou idoso, desde que se saiba definir o lugar de cada um. E  mais : o mais importante para uma criança em termos de companhia – além dos pais, claro – não é presença no lar de animais de estimação e  sim de IRMÃOS ( sim, no plural …). E na maioria esmagadora dos lares, esses irmãos não existem por decisão dos pais…

E se formos falar em senso de responsabilidade, irmãos mais velhos cuidando de irmãos menores, é uma lição de responsabilidade que supera qualquer cachorrinho.

Não é fácil criar filhos ? Claro que não ! A primeira barreira é o egoísmo, depois o dinheiro. Isso quando o dinheiro é problema, pois justamente os casais que podem ter mais filhos, preferem não ter. É esse o individualismo, essa busca de afetividade sem riscos, a causa do apego excessivo aos animais. As pessoas querem amar, mas não querem ser cobradas: o animais não cobram nada, ainda que custem muito caro.

Em uma entrevista ao canal americano EWTN, o então Cardeal Jorge Bergoglio, futuro Papa Francisco, classificou essa atitude como “neo-paganismo” e “compra de afeto” :

“..Das coisas que não são necessárias, das coisas supérfluas, no primeiro topo você tem animais de estimação. Se gasta  com animais de estimação no primeiro nível de gastos desnecessários. Se idolatram os animais de estimação.  È a idolatria de comprar , alugar , ter um afeto, como eu quero, onde quero , sem a liberdade de resposta , certo? É tudo uma caricatura do amor…” (8)

 Essa “caricatura de amor”,  está em muitas pessoas, substituindo a maternidade e a paternidade. Muitos declaram abertamente isso…Casamentos desfeitos ou não realizados, passam a encontrar “compensação” nos “bichos”, em gastos extravagantes, em preocupações e cuidados sem medida, uma vez que se desacredita no ser humano.

Vou encerrar citando outro filme : “Margin Call – O Dia antes do Fim” (9) – inspirado na crise financeira de 2008.  O personagem de Kevin Space  é um executivo de um Banco de Investimentos à beira da falência, mas que passa o dia e a madrugada  vivendo um drama paralelo: a sua cadela está morrendo.  Sua vida pessoal também não vai nada bem : ele é divorciado.  A cadela morreu.  Na cena final,  ele vai chorando enterrar o animal no jardim da mansão onde mora sua esposa que observa a cena com ar indiferente:  conversa um pouco e avisa. “ Vou voltar para a cama. O alarme está ligado. Não tente entrar”.

Não era para ser assim. O “até que a morte os separe”  é para o casamento,  mas nesse caso foi para uma cadela.  Nada diferente da vida real de muitos,  infelizmente.

Precisamos investir em primeiro lugar,  nos relacionamentos humanos:  na amizade e sobretudo no amor humano e nos filhos.  Sim,  é um risco,  mas vale a pena. Jamais seremos felizes com compensações,  fugas e compras de afeto.  E quanto aos animais domésticos,  que seus donos os tratem bem,  mas que muitos  avaliem  se  o que  fazem pelos seus animais  é por eles que fazem ou para si próprios.  Penso que se os animais pudessem falar, diriam aos seus donos  “Por favor, façam menos por nós ! “

 

Com agradecimentos à Stella Daudt  e  Leo Jaime

 

FONTES:

1)      Marialice Prestes – “Problemas do Lar” – Livraria Martins Editora – São Paulo – 1957 – pg 54

2)      http://letras.mus.br/eduardo-dusek/117822/

3)      Revista Veja – Edição 2122 – 22-07-2009 – pg.84

4)      http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,igreja-quer-veto-a-enterro-de-cao-em-cemiterio-,1069372,0.htm

5)      http://www.imdb.com/title/tt0165382/combined

6)      http://www.youtube.com/watch?v=UUvx_rhIias

7)      http://www.ufjf.br/ladem/2011/09/06/%E2%80%98troque-seu-cachorro-por-uma-crianca-pobre%E2%80%99-artigo-de-jose-eustaquio-diniz-alves/

8)      http://www.aciprensa.com/noticias/entrevista-exclusiva-del-cardenal-bergoglio-hoy-papa-francisco-con-ewtn-89570/#.UnbZY3BJPpV

9)      http://omelete.uol.com.br/cinema/margin-call-o-dia-antes-do-fim-critica/

Publicado por: algosolido | 15 de agosto de 2013

GREAT NEWS: THE BRITISH BABY BOOM

“… Ironically, the birth of a child, is recorded as a

reduction in national income per capita, while the

birth of a calf, shows up as an improvement …”

Lord Peter T. Bauer  

Perjalanan-Ibu-Hamil

The UK population is increasing more than its European neighbors. The Office for National Statistics UK, released this information in early August. This is not about increasing the number of children per woman, but children of a generation of “baby boomers” born between the 70s and early 80s, who delayed pregnancy, now resulting in a boom in births. It is the highest birth rate since 1972.   This is excellent news for the British economy, although the interpretation of these facts, is divergent between the press, because not all hold good news. But the fact is that increasing population, consumption is also increasing, and consistently. The traditional English newspaper “The Gardian” analyzes this as “a blessing, not a curse”, with these encouraging words:

    “People are a good thing, the most precious resource in a rich economy, so the progressive-minded feel. Only misanthropists disagree or dottier Malthusians who send the green-ink tweets deploring any state assistance for child-rearing. So Thursday’s population figures from the Office for National Statistics are unalloyed good news, for young and old, for the economy and   wellbeing “

 In 2010, I published in my blog, an article advocating precisely the economic benefits of population growth. Was based on a report by Brazilian magazine “Exame”, which was praise precisely the Brazilian population aging. I dispute the arguments of the magazine. Follows the same article translated into English, an approach that is not restricted to the Brazilian case, but is valid for Economy of any country … 

 

MORE CHILDREN FOR THE WORLD

11af33891232

 The reader must have already heard or read reviews from environmentalists concerned about the threats to nature, due to a questionable climate change: we can not ignore the problems, even 50 years from now, possibly, all this generation are not more alive. “You have to worry about future generations,” they say.

This concern does not seem to exist with the issue of aging. A magazine article Examination on November 17 this year (Issue 980: “Twenty years to get rich”), speaks with euphoria called “demographic bonus”. Commemorates the fact of having a young population dwindling consumes only against an adult population that consumes and produces.

This relationship may in fact mean an increase of GDP per capita but since there is a steady growth in the economy. This needs to be well explained.

But when a country begins to lose its population (indeed recognized by the magazine itself), problems begin to appear: a huge population of elderly and inactive feature requiring the health and well-being, from the work of an active population each smaller. Many of this generation will live to see it.

This means that the current situation (or bubble), promotes economic growth in the coming years, but – acutely and deadline to finish – There will be growth in certain sectors of economic activity, due to the aging population, such as health care, pension and due to smaller families, couples postpone for years with the coming of the children, we have an increase in activities such as tourism, leisure and personal care, with a growing cult of individuality.

But a calculation transparent, should consider that investments in areas like education, housing, and several others, are not unique to “demographic bonus”, because population growth (with increasing youth population) would be favorable to the growth of GDP advantageously and permanently (or being modern, “sustainable”.)

When families have more children …

The article talks Examination hospital services growing due to an aging population?

- But what about the mothers who go to the doctor when pregnant and when children are born? Consider the growth … pediatric

Leisure and recreation for adults?

- Children love to play more and have more time … …

Travel Packages for adults without children?

- Ask the hotel manager if he would not want the table crowded rooms and full …

Furniture and decoration, building materials, clothing … with large families, as it is necessary to invest! Ask families with 3 or 4 children during growth: how many pairs of shoes, how many shirts and pants, school supplies have to be bought every year ….! In short: how can you ignore that families have more children, the more favors the growth of GDP, and therefore income, employment and tax revenue?

Someone said that children and adolescents prevent the growth of a country, because only consume and not produce? Otherwise: a series of activities for families with children lose ground when children are born into increasingly smaller number

The “game” is fun …

Families decreasing, many trips, houses increasingly comfortable: the benefits that could be obtained over the years, are rapidly acquired, the cost of giving up the children in their first years of marriage. It is the “game” of subprime population.

At a time when the population begins to decrease, we can, if confirmed projections, we are with the GDP and per capita income levels in Europe, but depending on “consumerism” and not “consumption”.

Let me explain: when families have a number of children sufficient to replace both as to increase the population, need to buy more food, more clothes, build more schools, increasing the houses, buy more furniture, more equipment, more school supplies, More Diapers …

This is “consumption”

But if families definitely assimilate the culture of the “one child”, economic growth depend on these families have two or three cars in the garage (a family of three), making “collections” of bags and pairs of shoes, many clothes many trips and meals away from home, one computer for every person in the house …

This is “consumerism”

It is depend on the consumerism of a population aging, indebted and saturated with all kinds of goods, countries like France and Germany, are already encouraging their populations and have more children to increase again … consumption.

Therefore, the projections for GDP growth due to an aging population, should provide some caveats:

1 - This growth has end date;

2 - Depends on consumerism: the financial crisis or consumption, quickly puts the country into recession – Look at the United States and especially Europe today: in crisis and with very low birth rate;

3 - important sectors of the economy, such as real estate and building materials, will suffer sharp fall, with the possible decline in population, with negative effects on the generation of employment and income.

4 - You can achieve this level of wealth with the population growth, more durable and safe;

5 - Reducing the population is difficult to reverse: a decrease of children per couple, generates an individualistic culture. Rich countries face enormous difficulty returning to increase their population.

Yes … rich countries are trying to reverse the decline in the birth rate. This problem does not end here. For many economic aspects, such as cultural and social demographics of the subject will be taken up at other times in this blog

LINKS:

http://www.mercatornet.com/demography/view/12588

http://www.ons.gov.uk/ons/rel/pop-estimate/population-estimates-for-uk–england-and-wales–scotland-and-northern-ireland/mid-2011-and-mid-2012/sty—uk-population-estimates.html

http://www.theguardian.com/commentisfree/2013/aug/08/booming-population-birth-rate-great-opportunity

Publicado por: algosolido | 5 de novembro de 2012

BARACK OBAMA AND THE WHITE HOUSE IN CUBE FORM – 1

Obama: The preferred media, but not on
Wall Street

 

The October 2012 edition of Alpha magazine (1), has as its cover story, President Barack Obama, titled “11 Lessons for Obama to solve problems.” When browsing the threads of these “lessons” we see some common sense suggestions like “know what you’re talking about,” “never lose your head” or “avoid sycophants.” With the exception of unquestionable: “preserve family life,” the best of all, no more, nothing innovative ….
 
This is another of the many examples that the Brazilian and international press – despite the poor performance of the U.S. economy over the past four years – have tried to use to turn the U.S. president a “icon”. Both in this case, as in many others, as they say in Brazil, the media is “forcing” trying to take the very little …
 
Quite different is the treatment given to the candidate opponent, Republican Mitt Romney, who is often ridiculed and presented as a setback. It is no exaggeration to say that the press, “twists” for Obama, and in a special way, the TV news, presenting rallies the Democratic nominee for “climate of World Cup”, as if the viewer were Brazilian American citizen …
 
Enough to sound surreal, “O Estado de São Paulo” newspaper much rejected by the Brazilian socialists and seen as “conservative,” published an article by Jonathan Weisman (NY Times) (2), which presents a negative way, attempting to Mitt Romney during the Republican convention, to show yourself as an American of humble origin and identify with immigrants and various ethnic groups, but that is actually a “millionaire”. Now, being a millionaire is not in itself a good thing or a bad thing, but the strange thing is that a newspaper historically not fit the Marxist ideology, agree with this idea: “careful, he’s a millionaire” ….
 
Another newspaper, more faithful to his profile please readers left, “Folha de São Paulo”, goes further and further embraces the cause of “Yes, we Can”, saying … “Two catastrophic scenarios threaten U.S. election “(3) …. Now the scenario “catastrophic” in the story of Patricia Campos Mello, are the possibility of Romney win, sometimes the popular vote in the Electoral College now … Romney win: Catastrophe? Why?
 
The examples continue: “Daddy Romney knows everything” (4) – This, again the “Estado” ridiculing McCain for considering it antiquated. Another: “In the final stretch, breathe new life into the Democratic campaign” (5) – In an expression almost football as a team approaching the leadership in the Brazilian league, so praises the “Economic Value” of Obama’s performance in the second debate …
 
At this point, we can understand that judging by the press, the Democrats are the “good” and the Republicans, “evil.” Barack Obama, an “angel,” and Mitt Romney, has horns, a pitchfork and pointed tail has a …
 
And Romney?
 

Romney: nearest values ​​of family and firm hand
to command the Economy

 
Is a candidate more sympathetic to American Christians, not so much for their religion: is Mormon, but their positions more restrictive abortion, although accepted in specific cases such as rape, something that Christianity does not tolerate, because it believes abortion “intrinsically bad “, ie: there is no” good abortion. ” Together with the fact of being against the policies of Barack Obama, and be promoter of a more liberal on economics, is considered by many voters as a “lesser evil” ….
 
Making a work of “mining” in the newspapers, we gather statements quite strong and lucid in favor of the Republican candidate, although not receive due prominence. A brief interview on “State” (6), with vocalist Genne Simmons of rock band Kiss, depicts this situation precisely:
 
Estado – I heard you vote for Mitt Romney said recently, saying that Obama was a disappointment for you …
 
Simmons – I’m not sure. I voted for Obama, but he does not dominate the world of commerce. Romney is a businessman, is able to improve education, create jobs. I wish now to see what candidates have to say to decide. He has done a good campaign, shows that people now have a choice. I’m still deciding.
 
Estado – Mitt Romney is Mormon. That does not put religion in the middle of politics? It is not complicated?
 
Simmons – The two most important things, which are the priority right now, jobs are and how to make the country safe. The rest can be discussed later.
 
 
Much more incisive, was the testimony of actor and director Clint Eastwood-author of the famous “speech empty chair” and voter declared Romney, in an interview with Luis Carlos Merten – Notebook 2 of the “State” (7):
 
Estado – You have supported the candidacy of Mitt Romney for President of the U.S., why?
 
Clint – “I do not want to be offensive with Obama, but with it, America and the world go adrift. Like it or not people abroad, America is the military and economic power. One can not bend. Obama’s policies are social. Many state intervention for my taste. I’m against interventionism. I hate it when the studio has to tell me what I gotta do. I come from a family that has difficulties and even hunger, depression of the 30s. My father never expected the government to come save us. He worked hard and taught us never to rely on others. A country is like a house. We need a good cleaning, and who can do it is Romney. ‘
 
And Wall Street agrees with Simmons and Eastwood: (8)
 
“The usefulness is limited for Obama at this point. Although stocks are rising, wages are falling, GDP growth has been anemic and unemployment remains high “- in the opinion of Andy Laperniere, head of the political analysis of the practice of ISI Group.
 
“The market wants Romney, period. The financial market professionals recognize that stocks are doing well, but the vast majority of these people are convinced that the market is rising despite Obama, not because of him …. “adds Greg Valliere of Potomac Pesearch.
 
It can be said that the press and the financial market are not speaking the same language. The press is steeped in ideology, and has exerted a strong influence on public opinion in the U.S. and worldwide …
 
Not the Economy, Stupid …
 
The American economy is bad and Obama is not a unanimous vote. Despite the “election effort” of the American press and world, we can say that the electoral performance of Obama is very weak. With a framework, it would be reasonable that if you wanted to change that if he chose Romney. It turns out that the “change” part of American society and the media want, already happened and occupies the White House: Barack Hussein Obama.
 
If it is truth or myth that Louis XIV said “I am the State,” Obama may well say “I’m changing”.
 
In practical terms, it can be said that economic growth and job creation, it is not the primary motivation of supporters of Barack Obama, and yes, the fact that the current U.S. president, to assume a position of changing values ​​of the path of secularization American society in which religious values ​​are left aside giving way to political criteria to define what is lawful or unlawful in the actions of citizens and governments. For decades the U.S. has been presented as a model of a developed country, now wants the U.S. to be a model of “secular society and satisfied.” Thus, the definition of marriage, the consolidation of “alternative forms” of family, the right to life and religious freedom itself, are being discussed by political consensus criteria under the umbrella of “democracy.” The values ​​of Christian morality under which the American nation was based, are left out. The “right” and “wrong”, would depend on political consensus ….
 
There is a very interesting part of the movie Magnum 44 (Magnum Force, 1973 – USA), in which the detective detective Harry Callahan – played by Clint Eastwood – arguing with a coworker about the secret and illegal action of some police officers who decided to make justice into their own hands by running the crime bosses in the city. In a passage of dialogue, a character cites the “Bomb Squad” who worked in Brazil as an example and says that if we allow people to act on their own, we will end up killing someone because they passed the red light .. (signal transit)
 
And which parameter Detective Callahan? The Law
 
What is the parameter of the law? The fundamental values ​​of a society.
 
   
Publicado por: algosolido | 5 de novembro de 2012

BARACK OBAMA AND THE WHITE HOUSE IN CUBE FORM – 2

The fundamental values ​​of American society, as well as Europe and the West in general, are based on Christian values. This should not be confused with religious precepts and rituals, because among these core values ​​are freedom, including religious freedom. Therefore, such fundamental values ​​”does not imply the imposition of religious beliefs.” As an example, is to say that religious values ​​are adequate to define what is life, resulting in issues such as abortion and euthanasia. It is so fundamental that it is accessible and acceptable even for non-believers. We are talking about something quite different from imposing crenças.Se people become insensitive to the life of a baby in the womb, because there will be to become sensitive to the time immediately after birth?
 
For know that President Obama voted against the Law for the Protection of Infants born alive. This law required the hospital to keep alive the newborn who survived an attempted abortion. Obama voted three times against this bill as a senator from Illinois. The “hipsters” will call it “reproductive right”, but anyone who has a Minino of humanity (no need to carry a Bible in hand …) will call it infanticide. The Brazilian press does not speak it. That’s why Barack Obama is so “darling” in Brazil … (9)
 
Another telling example of Obama’s profile, appears in the ad campaign targeting the female audience (10): Obama gives us an idea of ​​how are your “values”: A cartoon: “Life of Julia” tells the story of a woman’s his childhood to retirement: Julia is the typical woman “moderninha” can touch your life and sexual as single without worry, because “Obamacare” – the health plan goberno Obama, will care if the girl becomes pregnant. The U.S. government paid abortion. After 30 years decides to have a child. There is no mention of a father or husband. Julia retires and son studies funded by the government.
 
Another video campaign called “First Time” in which the actress Lena Dunhan compares the experience “amazing” to vote for Obama, to lose his virginity … just that …. this debasement of moral values ​​and family, is a trademark of Obama campaign ….
 
Religious values ​​are perennial and fashion trends are efêremas. What is abhorrent in a secular society today, tomorrow may be tolerable for future generation (and note that already ….) since secular society is anchored in the wills of the moment rather than fundamental values. It is this situation that the European and American secularist tendency to place the Western society as a pretext not to oblige those who do not believe and live the same way as those who believe.
 
Again I say …. this is a false dilemma …
 
In 2003 during discussions of the New Constitution of the European Union, in which several European leaders wanted to delete the text, the mention of God, Pope John Paul II, made the following statement at the Angelus on February 16:
 
Exactly … so if asked in the future Constitutional Treaty of the European Union, be sure to give space to this common heritage to the East and the West. A reference to draw anything like this just secularism of political structures (cf. Lumen Gentium, 36; Gaudium et Spes, 36, 76) but, instead, will help preserve the continent, on the one hand, the double danger of ideological secularism and secondly, the sectarian fundamentalism … “(11)
 
Note that the Pope refers to “a just secularism” which distinguishes the political sphere of religious therefore respect the different beliefs, not taking (and imposing) the state to a “state religion”. Moreover, the state should not prevent Christians contribute to society and express their views, which is a disguised restriction on religious freedom. This attitude of silence the Christian is called ideological and Secularism.
 
Speaking at a Protestant church (12), Barack Obama sought to explain his position regarding receiving criticism from religious and worth commenting here:
 
Obama: “… Given the increasing diversity of the U.S. population, the risks of sectarianism are greater than ever. Whatever we have already been, we are no longer a Christian NACA. At least not only. We are also a Jewish nation, a Muslim nation, and a Buddhist nation, and a Hindu nation, and a nation of descrentes.E even if we had only Christians among us, if expulsássemos every non-Christian from the United States of America, Christianity who we would teach in schools? Would be that of James Dobson, or Al Sharpton? “
 
Comment: Here, Obama plays with the division between Christian denominations quoting James Dobson, an evangelical pastor faithful to the Christian tradition in the field of sexual morality, and another, Al Sharpton, also pastor, but controversial position because it is favorable to “gay marriage “. Now Sharpton, is not representative of Christian thought. If Obama wanted to develop a serious discourse, cite the teaching of Catholicism and mainline Protestant churches. However, he chose to make a joke …
 
Obama: Which passages of scripture should instruct our public policies? Should we choose Leviticus, which suggests slavery is acceptable … and that eating seafood is an abomination? Deteuronômio Or we could choose, which suggests stoning your child if he divert the Faith? Or should we just stick to the Sermon on the Mount? A passage that is so radical that it’s doubtful that our own Defense Department would survive its application … We … So before we empolgarmos, we read our Bibles now. People have not read the Bible.
 
Comment: Barack Obama seems unaware that Deteuronômio and Leviticus were written in the era prior to Christianity, therefore, attaches to Christianity something that he is not himself, but the Old Testament. As for slavery and Christianity, it is to inform you that in the year following the discovery of America in 1492, and over the whole century that followed, the Popes have issued 839 documents condemning slavery. Therefore, to relate Christianity and slavery is making a mistake knowledge of Christian doctrine and history. If I were to give a speech on “healthy eating,” the Democratic president, certainly consult nutritionists to guide you, but to talk about topics related to religion, prefers improvisation. The press works the same way.
 
Obama: What brings me to my second point: What democracy requires that those religiously motivated translate their concerns into universal values, rather than a specific religion. What I mean by that? It (democracy) requires that bids them are subject to discussion and are influenced by razão.Eu can be opposed to abortion for religious reasons, to take one example, but if I want to pass a law banning the practice, I can not simply recourse to the teachings of my church or invoke the Divine Will I have to explain that abortion violates some principle that is accessible to people of all faiths … including those without any faith. Now, it will be difficult for some who believe in the inerrancy of the Bible, as many evangelicals do, but in a pluralistic society we have no choice. The policy depends on our ability to persuade each other of common aims based on a common reality. It (the policy) trading involves the art of what is possible. And, at some fundamental level, religion does not allow trading, it is the art of the impossible.
 
Comment: Did Barack Obama do not agree that life is a universal value? Mr. Obama, people who condemn abortion, they have only religious arguments, but also civilians, since fetuses are human beings and have a right to life. If I were to make laws enforcing religious precepts, forcing non-believers to fulfill, Adventists, would propose laws prohibiting stores from opening on Saturdays, Catholics would stipulate fines for those who lacked the Sunday Mass, and the Jews would prohibit laws , sale and consumption of pork. Nothing in that such religious, are doing well in life American Civil …
 
Obama: “If God has spoken, then it is expected that the followers, to live according to God’s edicts, regardless of the consequences. Now, basing one’s life on such uncompromising commitments may be sublime, but to base our policy making on such commitments would be a dangerous thing. And if you doubt that, let me give you an example: We all know the story of Abraham and Isaac.Abraão was commanded by God to sacrifice his only son Without discussing, he takes Isaac up the mountain to the top and tie the Altar. Raises his knife. Is prepared to act … as God had commanded. Now, we know that things worked out, God sends an angel to intercede at the very last minute. Abraham passes the test of devotion Deus.Mas is fair to say that if any of us, when leaving this church saw Abraham on the roof of a building raising his knife, we would at least call the police. And we would expect that the Department of Services to Children and Family, take away custody of Isaac Abraham. We would do so because we do not hear what Abraham hears, we do not see what Abraham sees. So the best we can do is act on those things that we all see “
 
Commentary: Obama, can see and hear the ultrasound. You can see the fetus in the womb of a mother. The same Democrats that the fetus does not feel wrong to kill. Meanwhile, the press “Democrat” is scandalized when a Republican supporter of hunting, grabs his shotgun and blows the head of an animal (which certainly is not a pleasant image to see ….), while at the same time Thousands of children are forcibly ripped from the womb of their mothers (yes, the kids seek to defend himself …) and to the dustbin of hospitals. In this case, the journalists treat the matter as a “reproductive right” or “public health” … Barack Obama, can see and hear the ultrasound. He does not need the Bible and not see what Abraham sees ….
 
 
 
Cube-shaped …
 
 

Grande Arche de La Défense: Secularism

 

 
Gilles Lapouge, Paris correspondent of the state, wrote in his column in last Saturday (13): “If the Europeans had to choose today U.S. President Barack obama would win 75% of votes and Mitt Romney settle for 8% .. “What is that Obama is looking for many, represents hope. But hope for what?
 
In the few jobs created in the U.S. and many elimininados? In massive U.S. public debt of more than $ 16,000,000,000,000, which should end 2012 above 100% of GDP? How this situation could give “hope” to the Europeans? This overwhelming preference for Obama from the Old World, has a strong ideological component, although the degree of consciousness of each individual varies widely.
 
An interesting test Theologian George Weigel, titled: “The Cube and the Cathedral – Europe, America, and politics without God” (14), gives us clear clues of what is happening in Europe today. The “Cube” that comes Weigel’s book, is the “Grande Arche de La Défense in Paris, a modern building in the shape of a hollow cube, which was erected in 1989 in commemoration of the Bi-centenary of the French Revolution and which serves as a metaphor of European civilization that has been striding away from their Christian roots, in contrast to previous generations who built the Cathedrals. The modern “civilization cube”, is striding turning away from God, atheism is growing and this lack of belief in a transcendent Being Good and makes people lose all sense of good and evil. This has made generate anxieties and hopelessness among youth and adults. Violence and suicide has grown amid a individualistic and materialistic society, so that Weigel asks:
 
“You can keep standing democratic political community without moral reference points that Christianity has to offer?”
 
For it is precisely this secularism that Europeans see in Obama that motivates all the identification and support of the American president. One should not fail to take into account that in varying degrees, both Americans and foreigners in general, including in Brazil, see Barack Obama in a positive way, because of a massive propaganda (yes … that’s the word: propaganda)
 
The project of the Democratic Party in the U.S. is Marxist matrix because expels religion as “promoting the well” and puts the man himself as a promoter of “good” … and therein lies the root of the confusion, because gradually the concept of well with reference to the “human will without religious matrix”, is subject to fashion trends … ie “democratically” vai settling a real tyranny. Who is to say this is right or wrong? How is the perception of good and evil, without the guidance of a Higher Instance?
 
It is very convenient to oppose Barack Obama because of his political agenda, or more precisely for moral reasons, and at the same time give a much greater emphasis on economic issues that are clearly unfavorable to the American president. On the other hand, supporters of Barack Obama are acting exactly this way, but in the opposite direction: they recognize the economic failure, but want their reelection precisely the same reason that his opponents do not want: Obama’s agenda on issues elativos the Family . The Democrats’ message is simple: We want a different America, with other values ​​…. even if it costs another 4 years of unemployment …
 
So goes the question: what if the American economy was good?
 
Would be easy for Democrats, even more easy to press, and extremely difficult for Romney and the Republicans, but I will make a placement very simple: It is not expected that a different candidate will occupy the White House, to spoil everything well, especially when you have so much confidence people linked to the world economic and elsewhere. This is the case for Romney.
 
We can Mr. Obama, allowing the White House and America adopt the form of a cube? No, we can not.
 
Only American citizens can resolve…
 
Publicado por: algosolido | 4 de novembro de 2012

BARACK OBAMA E A CASA BRANCA EM FORMA DE CUBO -1

Obama : O preferido da imprensa, mas não de Wall Street

A edição de outubro de 2012 da revista Alfa (1), traz como matéria de capa, o presidente Barack Obama, com o título  “11 lições de Obama para resolver problemas“. Ao percorrer os tópicos destas “lições”, vemos algumas sugestões de senso comum como: “saiba do que você está falando”, “nunca perca a cabeça” ou “evite bajuladores”. Com exceção da inquestionável: “preserve a vida familiar”, a melhor de todas, no mais, nada inovador….

Esse é mais um dos inúmeros exemplos com que a imprensa brasileira e internacional – apesar dos fracos resultados da economia americana nos últimos quatro anos – têm tentado se utilizar para transformar o presidente americano num “ícone”. Tanto nesse caso, como em vários outros, como se diz no Brasil, a mídia está “forçando” : tentando tirar muito do pouco…

Bem diferente é o tratamento dado ao candidato oponente, o Republicano Mitt Romney, que frequentemente é ridicularizado e apresentado como um retrocesso. Não é exagero afirmar que a imprensa, “torce” por Obama, e de forma especial, os telejornais, que apresentam os comícios do candidato democrata em “clima de Copa do Mundo”, como se o telespectador brasileiro fosse cidadão americano…

Chega a soar surreal: “O Estado de São Paulo” um jornal muito rejeitado pela esquerda brasileira e tido como “conservador”, publicou uma matéria de Jonathan Weisman (N.Y. Times) (2), que apresenta de forma negativa, a tentativa de Mitt Romney durante a Convenção Republicana, de se mostrar como um americano de origem humilde e de se identificar com imigrantes e com várias etnias, mas que na verdade é um “milionário”. Ora, ser milionário, não é por si só, algo bom ou algo ruim, mas o estranho é um jornal que historicamente não enquadra na ideologia marxista, entrar nessa onda do:  “ cuidado, ele é milionário  “….

Outro jornal, mais fiel ao seu perfil de agradar leitores de esquerda, a “Folha de São Paulo”, vai mais longe, e abraça ainda mais a causa do “Yes, we Can”,ao dizer que …”Dois cenários catastróficos ameaçam a eleição americana”(3)…. Ora, os cenários “catastróficos” na reportagem de Patrícia Campos Mello, são a possiblidade de Romney vencer, ora no voto popular, ora no Colégio Eleitoral…Romney vencer: Catástrofe ? Porquê ?

Os exemplos continuam: Papai Romney sabe tudo” (4) – Essa, novamente do “Estado” ridicularizando o republicano por considerá-lo antiquado. Mais um: “Na reta final, novo fôlego à campanha democrata “(5) – Numa expressão quase futebolística, como um time se aproximando da liderança no campeonato brasileiro, assim elogia o “Valor Econômico” o desempenho de Obama no segundo debate…

À essa altura, podemos entender que a julgar pela imprensa, os democratas são o “bem”, e os republicanos, o “mal”. Barack Obama, um “anjo”, e Mitt Romney, tem chifres, carrega um tridente e tem um rabo pontudo…

E Romney ?

Romney: mais próximo dos valores da Família e pulso firme para comandar a Economia

É um candidato mais simpático aos cristãos americanos, não tanto pela sua religião: é Mórmon, mas por suas posições mais restritivas ao aborto, embora o aceite em casos especificos como o estupro, algo que o Cristianismo não tolera, pois considera o aborto “intrinsecamente mau”, ou seja: não existe “aborto bom”. Juntamente com o fato de ser contra as politicas de Barack Obama, e ser promotor de um modelo mais liberal na Economia, é considerado por muitos eleitores, como um “mal menor”….

Fazendo um trabalho de “garimpo” nos jornais, podemos colher depoimentos fortes e bastante lúcidos em favor do candidato republicano, embora não recebam o devido destaque. Uma breve entrevista no “Estado”(6), com o vocalista Genne Simmons da banda de Rock Kiss, retrata essa situação de modo preciso :

Estado – Ouvi que você declarou voto em Mitt Romney recentemente, dizendo que Obama era uma decepção para você…

Simmons – Não estou certo. Votei em Obama, mas ele não domina o mundo do comércio. Romney é um businessman, tem condições de melhorar a educação, criar empregos. Eu queria agora, ver o que os candidatos tem a dizer para decidir. Ele tem feito uma boa campanha, mostra que as pessoas agora têm uma opção. Eu ainda estou me decidindo.

Estado – Mitt Romney é mórmom. Isso não coloca a religião no meio da política? Não é complicado ?

Simmons – As duas coisas mais importantes, as que são prioridade neste momento, são empregos e como tornar o país seguro. O restante pode ser discutido depois.

Bem mais incisivo, foi o depoimento do ator e diretor Clint Eastwood -autor do famoso “discurso da cadeira vazia” e eleitor declarado de Romney, em entrevista a Luis Carlos Merten – do Caderno 2 do “Estado”(7):

Estado – O senhor tem apoiado a candidatura de Mitt Romney à Presidência dos EUA, porque ?

Clint “ Não quero ser ofensivo com Obama, mas com ele, a América e o mundo andam à deriva. Gostem ou não as pessoas no exterior, a América representa o poderio militar e econômico. Não se pode vergar. As políticas de Obama são sociais. Muita intervenção do Estado para o meu gosto. Sou contra o intervencionismo. Detesto quando o estúdio vem me dizer o que tenho de fazer. Venho de uma família que passou dificuldades e até fome, na depressão dos anos 30. Meu pai nunca esperou que o governo viesse nos salvar. Ele deu duro e nos ensinou a nunca depender dos outros. Um país é como uma casa. Precisamos de uma boa limpeza, e quem pode fazê-la é Romney. ”

E Wall Street concorda com Simmons e Eastwood: (8)

A utilidade para Obama é limitada à essa altura. Embora as ações estejam em alta, os salários estão em queda, o crescimento do PIB, tem sido anêmico e a taxa de desemprego, continua elevada”  – na opinião de Andy Laperniere, chefe da prática de análises políticas do ISI Group.

O Mercado quer Romney e ponto final. Os profissionais do mercado financeiro reconhecem que as ações estão se saindo bem, mas a grande maioria dessas pessoas está convencida de que o mercado vem subindo apesar de Obama, e não por causa dele….” acrescenta Greg Valliere da Potomac Pesearch .

Pode-se dizer que a imprensa e o mercado financeiro não estão falando a mesma linguagem. A  imprensa está impregnada de ideologia, e tem exercido forte influência na opinião pública dos EUA e do mundo inteiro…

Não é a Economia, estúpido…

A Economia americana vai mal e Obama não é uma unanimidade. Apesar do “esforço eleitoral” da imprensa americana e mundial, pode-se dizer que o desempenho eleitoral de Obama é muito fraco. Com um quadro assim, seria razoável que se desejasse a mudança, que se optasse por Romney. Acontece que a “mudança” que parte da sociedade americana e da imprensa desejam, já aconteceu e ocupa a Casa Branca: Barack Husseim Obama.

Se é verdade ou mito que Luis XIV disse “O Estado sou Eu“, Obama, bem pode dizer  “A Mudança sou Eu“.

Em termos práticos, pode-se afirmar que o crescimento econômico e a geração de empregos, não é a motivação principal dos apoiadores de Barack Obama, e sim, o fato do atual presidente americano, assumir uma postura de mudança de valores a caminho da secularização da sociedade americana em que os valores religiosos são deixados de lado dando lugar a critérios politicos para definir o que é licito ou ilícito nas ações dos cidadãos e dos governos. Durante décadas os EUA foram apresentados como um modelo de país desenvolvido, agora, querem que os Estados Unidos sejam um modelo de “sociedade secular e satisfeita”. Assim sendo, a definição de casamento, a consolidação de “formas alternativas” de familia, o direito à vida e a própria liberdade religiosa, passam a ser discutidos por critérios de consenso político sob a chancela da “democracia” . Os valores da moral cristã sob o qual se fundamentou a nação americana, ficam de fora. O “certo” e o “errado”, dependeriam de consenso politico….

Há um trecho muito interessante do filme Magnun 44 ( Magnun Force, 1973 – EUA ), em que o detetive detetive Harry Callahan – interpretado por Clint Eastwood – discute com um colega de trabalho, sobre a ação secreta e ilegal de uns policiais que resolveram fazer justiça com as próprias mãos executando os chefões do crime na cidade. Num trecho do diálogo, o personagem cita o “Esquadrão da morte” que atuava no Brasil como exemplo, e diz que se formos permitir que as pessoas ajam por conta própria, iremos acabar matando uma pessoa porque passou no farol vermelho..( sinal de trânsito )

Ora, qual o parâmetro do detetive Callahan ? A Lei

Qual o parâmetro da Lei ? Os valores fundamentais de uma sociedade.

Publicado por: algosolido | 4 de novembro de 2012

BARACK OBAMA E A CASA BRANCA EM FORMA DE CUBO -2

 

Os valores fundamentais da sociedade americana, bem como da européia e do ocidente em geral, estão fundamentados  em valores cristãos. Isso não se deve confundir com preceitos e ritos religiosos, porque entre esses valores fundamentais está a liberdade, inclusive a liberdade religiosa. Portanto, os tais valores fundamentais “não implicam em imposição de crenças religiosas”. Como exemplo, vale dizer que os valores religiosos são adequados para definir o que é vida, implicando em temas como aborto e eutanásia. É algo tão fundamental que é acessivel e aceitável até mesmo para os não-crentes. Estamos falando de algo bem diferente de imposição de crenças.Se as pessoas se tornam insensíveis à vida de um bebe no útero, porque haverão de se tornar sensíveis ao momento imediatamente posterior ao nascimento ?

Pois saibam que o presidente Obama votou contra a Lei de Proteção dos Bebês nascidos vivos. Essa lei obrigava o hospital a manter vivo o recém nascido que sobreviveu a uma tentativa de aborto . Obama votou 3 vezes contra essa lei enquanto senador pelo Estado de Illinois. Os “moderninhos” vão chamar isso de “direito reprodutivo”, mas qualquer pessoa que tenha um mínino de humanidade ( não precisa carregar a Bíblia na mão… ) vai chamar isso de infanticídio. A imprensa brasileira não fala isso. Por isso Barack Obama é tao “queridinho” aqui no Brasil…(9)

Outro exemplo revelador do perfil de Obama, aparece na campanha publicitária visando o público feminino (10): Obama nos dá uma idéia de como são os seus “valores”: Um desenho animado: “Vida de Julia” conta a estória de uma mulher da sua infância até a aposentadoria: Jùlia é a típica mulher “moderninha” pode tocar a sua vida profissional e sexual como solteira sem se preocupar, porque o “Obamacare” – Plano de saúde do goberno Obama, cuidará da moça caso se engravide. O governo americano paga o aborto. Após os 30 anos decide ter um filho. Não se fala de pai ou marido. Julia se aposenta e o filho estuda custeado pelo governo.

Outra vídeo de campanha chama-se “Primeira vez” em que a atriz Lena Dunhan compara a experiência “incrível” de votar em Obama, com perder a virgindade…exatamente isso….esse aviltamento dos valores morais e da familia, é uma marca da campanha de Obama….

Os valores religiosos são perenes e as tendências da moda são efêremas. O que é abominável hoje numa sociedade secular, pode ser tolerável amanhã pela geração futura, ( e já se nota isso….) uma vez que a sociedade secular está ancorada nas vontades do momento e não em valores fundamentais. É nesta situação que a tendência secularista européia e americana pretende colocar a sociedade ocidental, como pretexto de não obrigar os que não crêem e viver do mesmo modo do que os que crêem.

Volto a dizer….esse dilema é falso…

No ano de 2003 por ocasião das discussões da Nova Constituição da União Européia, em que vários lideres europeus, queriam excluir do texto, a menção a Deus, o Papa João Paulo II, fez a seguinte declaração no Angelus de 16 de fevereiro :

“… Precisamente por isso se pediu que, no futuro Tratado constitucional da União Européia, não deixe de se conceder um espaço a este património comum ao Oriente e ao Ocidente. Uma referência como esta nada tirará à justa laicidade das estruturas políticas (cf. Lumen gentium, 36; Gaudium et spes, 36, 76) mas, ao contrário, ajudará a preservar o Continente, por um lado, do duplo perigo do laicismo ideológico e, por outro, do integralismo sectário… ” (11)

Note-se que o Papa, se refere a uma “justa laicidade”, que distingue a esfera política da religiosa que portanto, respeita as diversas crenças, não tendo ( e impondo ) o Estado a uma “religião oficial”. Por outro lado, o Estado não deve impedir que os cristãos contribuam para a sociedade e expressem suas opiniões, que é uma disfarçada restrição à liberdade religiosa. Essa atitude de silenciar os cristãos é ideológica e se chama Laicismo.

Ao discursar numa igreja protestante(12), Barack Obama, pretendeu explicar seu posicionamento quanto às críticas que recebe de religiosos, e que vale  aqui comentar:

Obama:…Dada a crescente diversidade das populações dos Estados Unidos, os riscos de sectarismos estão maiores do que nunca. O que quer que nós já tenhamos sido, nós não somos mais uma naçã cristã. Pelo menos não somente. Nós somos também uma nação judaica, uma nação muçulmana,e uma nação budista, e uma nação hindu, e uma nação de descrentes.E mesmo se nós tivéssemos apenas cristãos entre nós, se expulsássemos todos os não-cristãos dos Estados Unidos da América, o cristianismo de quem nós ensinaríamos nas escolas? Seria o de James Dobson, ou o de Al Sharpton ?”

Comentário: Aqui, Obama brinca com a divisão entre denominações cristãs citando James Dobson, um pastor evangélico fiel à tradição cristã no campo da moral sexual, e outro, Al Sharpton, também pastor, mas de posição controversa, pois é favorável ao “casamento gay”. Ora, Sharpton, não é representativo do pensamento cristão. Se Obama quisesse desenvolver um discurso sério, citaria o ensinamento do catolicismo e das igrejas protestantes históricas. No entanto, preferiu fazer piada…

Obama: Que passagens das escrituras deveriam instruir as nossas Políticas públicas ?Deveríamos escolher o Levítico, que sugere que a escravidão é aceitável…E que comer frutos do mar é uma abominação ?Ou poderíamos escolher o Deteuronômio, que sugere apedrejar o seu filho, se ele desviar da Fé ?Ou deveríamos apenas ficar com o Sermão da Montanha?Uma passagem que é tão radical que é de se duvidar que o nosso próprio Departamento de Defesa sobreviveria à sua aplicação…Nós…Então, antes de nos empolgarmos, vamos ler as nossas Bíblias agora. As pessoas não têm lido a Bíblia.

Comentário: Barack Obama parece não saber que o Levítico e o Deteuronômio, foram escritos na era anterior ao Cristianismo, portanto, atribui ao Cristianismo algo que não lhe é próprio, mas sim ao Antigo Testamento. Quanto à escravidão e cristianismo, cabe informar que no ano seguinte ao descobrimento da América em 1492, e ao longo do todo o século que se seguiu, os Papas emitiram  839 documentos condenando a escravidão. Portanto, relacionar Cristianismo e escravidão é cometer um erro de conhecimento de doutrina cristã e de história. Se fosse fazer um discurso sobre “alimentação saudável”, o presidente democrata, certamente consultaria nutricionistas para orientá-lo, mas para falar de temas relacionados à religião, prefere o improviso. A imprensa age do mesmo modo.

Obama: O que me trás ao meu segundo ponto: Que a democracia exige que aqueles motivados pela religião traduzam suas preocupações em valores universais, ao invés de específicos de uma religião. O que eu quero dizer com isso ? Ela ( a democracia ) requer que as propostas delas estejam sujeitas à discussão e sejam influenciáveis pela razão.Eu posso ser contrário ao aborto por razões religiosas,para tomar um exemplo, mas se eu pretendo aprovar uma lei proibindo a prática, eu não posso simplesmente recorrer aos ensinamentos da minha igreja ou invocar a Vontade Divina eu tenho que explicar que o aborto viola algum princípio que é acessível a pessoas de todas as fés incluindo aqueles…sem fé alguma. Agora, isso vai ser difícil para alguns que acreditam na inerrância da Bíblia,como muitos evangélicos acreditam, mas em uma sociedade pluralista nós não temos escolha. A politica depende das nossas habilidades de persuadir uns aos outros, de objetivos comuns com base em uma realidade comum. Ela ( a política ) envolve negociação, a arte daquilo que é possível. E, em algum nível fundamental,a Religião não permite negociar;é a arte do impossível.

Comentário: Será que Barack Obama não concorda que a Vida é um valor universal ? Sr. Obama, as pessoas que condenam o aborto, não têm apenas argumentos religiosos, mas civis também, uma vez que os fetos são seres humanos  e têm direito à vida. Se fosse para fazer leis impondo preceitos religiosos, obrigando os não crentes a cumprir, os Adventistas, iriam propor leis proibindo as lojas de abrirem aos sábados, os Católicos iriam estipular multas para quem faltasse à Missa Dominical, e os Judeus, iriam proibir pelas leis, a venda e o consumo de carne de porco. Nada consta, que tais religiosos, estejam procedendo assim na vida civil americana…

Obama: Se Deus falou, então espera-se que os seguidores, vivam de acordo com os éditos de Deus,a despeito das consequências. Agora, basear a vida de uma pessoa em compromissos tão inegociáveis podem ser sublime, mas basear nossas decisões políticas em tais compromissos seria algo perigoso. E se você duvida disso, deixe-me dar um exemplo:Nós todos conhecemos a história de Abraão e Isaac.Abraão foi ordenado por Deus a sacrificar seu único filho Sem discutir, ele leva Isaac montanha acima até o topo e o amarra ao Altar. Levanta a sua faca. Prepara-se para agir…como Deus ordenara. Agora, nós sabemos que as coisas deram certo: Deus envia um Anjo para interceder bem no último minuto. Abraão passa no teste de devoção de Deus.Mas é justo dizer que se qualquer um de nós, ao sair desta igreja, visse Abraão no telhado de um prédio levantando sua faca, nós iríamos no mínimo, chamar a polícia. E esperaríamos que o Departamento de Serviços às Crianças e à Família, tirasse a guarda de Isaac de Abraão. Nós faríamos isso, porque nós não ouvimos o que Abraão ouve, nós não vemos o que Abraão vê. Então o melhor que podemos fazer é agir de acordo com aquelas coisas que todos nós vemos”

Comentário: Obama, pode ver e ouvir o ultrassom. Pode ver o feto no útero de uma mãe. O mesmo feto que os Democratas não acham errado matar. Enquanto isso, a imprensa “democrata” se escandaliza quando um republicano adepto da caça, pega a sua espingarda e estoura a cabeça de um animal ( o que com certeza, não é uma imagem agradável de se ver….), quando ao mesmo tempo, milhares de crianças são arrancadas à força do útero de suas mães ( sim, as crianças procuram se defender …) e jogadas no lixo dos hospitais. Neste caso, os os jornalistas tratam o assunto como “direito reprodutivo” ou “saúde pública“…Barack Obama, pode ver e ouvir o ultrassom. Ele não precisa da Bíblia e nem ver o que Abraão vê….

 

 Em forma de Cubo…

Grande Arco de La Défence : Laicismo

 

Gilles Lapouge, correspondente em Paris do Estado, escreveu no último sábado em sua coluna (13): “ Se os Europeus tivessem que escolher hoje o presidente americano, Barack obama, ganharia 75% dos votos e Mitt Romney se contentaria com 8%.. “  O que está parecendo é que  Obama para muitos, representa a esperança. Mas, esperança em quê ?

 

Nos poucos empregos gerados e muitos elimininados nos EUA ? Na gigantesca dívida pública americana de mais de U$16.000.000.000.000, que deve encerrar 2012 acima de 100% do PIB ?  Como essa situação poderia dar “esperança” aos europeus ?  Essa preferência esmagadora do Velho Continente por Obama, tem um forte componente ideológico, embora o grau de consciência de cada indivíduo varie muito.

Um interessante ensaio do Teólogo George Weigel, entitulado: “O Cubo e a Catedral – A Europa, a América e a política sem Deus”(14), nos dá pistas claras do que ocorre hoje na Europa. O “Cubo” de que trata o livro de Weigel, é o “Grande Arco de La Défence, em Paris, uma construção moderna em forma de um cubo oco, que foi erguida em 1989, na comemoração ao Bi-Centenário da Revolução Francesa e que serve de metáfora da civilização européia que vem se afastando a passos largos das suas raizes cristãs, em contraposição às gerações anteriores que construíram as Catedrais. A moderna “civilização do cubo”, está a passos largos se afastando de Deus, o ateísmo é crescente e essa falta de crença num Ser Trancendente e Bom, faz as pessoas perderem a noção do bem e do mal. Isso tem feito gerar inquietações e desesperanças entre os jovens e adultos. A violência e o suicício tem crescido no meio de uma sociedade individualista e materialista, de tal forma que Weigel pergunta:

É possível manter de pé uma comunidade politica democrática sem os pontos de referência morais que o Cristianismo tem para oferecer ?”

Pois é justamente esse secularismo que os europeus vêem em Obama, que motiva toda essa identificação e apoio ao presidente americano. Não se deve deixar de levar em conta que em graus variados, tanto os americanos como os estrangeiros em geral, inclusive no Brasil, vêem Barack Obama de forma positiva, por conta da uma maciça propaganda ( sim…essa é a palavra : propaganda )

O projeto do Partido Democrata nos EUA, é de matriz marxista, pois expulsa a religião como “promotora do bem” e coloca o próprio homem como promotor desse “bem”…e nisso está a raiz da confusão, pois aos poucos o conceito de bem tendo como referência a “vontade humana sem matriz religiosa”, está sujeita a tendências da moda…ou seja “democraticamente”  vai se instalando uma verdadeira tirania. A quem cabe dizer: isto está certo ou errado ? Como fica a percepção do bem e do mal, sem a orientação de uma Instância Superior ?

É muito conveniente se opor a Barack Obama, por causa de sua agenda politica ou mais precisamente por razões de ordem moral, e ao mesmo tempo, dar uma ênfase muito maior nos temas econômicos que evidentemente são desfavoráveis ao presidente americano. Por outro lado, os defensores de Barack Obama, estão agindo exatamente deste modo, mas em sentido oposto: reconhecem o insucesso econômico, mas querem a sua reeleição justamente pelo mesmo motivo que seus opositores não querem: a agenda de Obama sobre temas elativos à Família. O recado dos democratas é simples : Queremos uma América diferente, com outros valores….mesmo que custe mais 4 anos de desemprego…

Portanto, vale a pergunta: e se a Economia Americana estivesse bem ?

Ficaria fácil para os Democratas, fácil ainda mais para a imprensa, e extremamente difícil para Romney e os Republicanos, mas vou fazer uma colocação muito simples : Não é de se esperar que um candidato diferente venha ocupar a Casa Branca, para estragar tudo que está bem, ainda mais quando se tem a confiança tanto de pessoas ligadas ao mundo econômico como fora dele. É o caso de Romney.

Podemos Sr. Obama, permitir que a Casa Branca e a América adotem a forma de um cubo ? Não, nós não podemos.

Está nas mãos dos cidadãos americanos.

_________________________________________________________________________________________

Notas :

(1)    Revista “Alfa” Outubro de 2012 – Editora Abril – Págs. 56 a 61

(2)    O Estado de São Paulo – Caderno Aliás – Pág. J5 ”Morenos e emergentes” – 02/09/2012

(3).   http://www1.folha.uol.com.br/colunas/patriciacamposmello/1174828-dois-cenarios-ameacam-eleicoes-dos-eua.shtml

(4)    O Estado de São Paulo – Caderno Aliás – Pág. J3 ”Papai Roney Sabe Tudo” – 21/10/2012

(5)    Brasil Econômico – – Pág. 4 – “Na reta final, novo fôlego à campanha democrata” – 18/10/2012

(6)    O Estado de São Paulo – Caderno 2 – Pág. C2 ”Temporada de Língua Solta” – 27/10/2012

(7)    O Estado de São Paulo – Caderno 2 – Pág. D9 “O Xerife solta o Verbo” – 30/10/2012

(8)    Valor – Pág. A20 – “Wall Street se recupera, mas prefere Romney” – 23/10/2012

(9)    http://www.jillstanek.com/2008/02/links-to-barack-obamas-votes-on-illinois-born-alive-infant-protection-act/

(10)  http://www.mercatornet.com/sheila_liaugminas/view/11447

(11)  http://www.vatican.va/holy_father/john_paul_ii/angelus/2003/documents/hf_jp-ii_ang_20030216_po.html

(12)  http://www.youtube.com/watch?v=_IHQr4Cdx88 

(13)  http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,o-fascinio-por-obama-,955021,0.htm

(14)  O Cubo e a Catedral – George Weigel – Lisboa : Aletheia, 2006 – pp 151

Publicado por: algosolido | 15 de abril de 2012

MAD MEN

Ou, “BAD MEN” – Os anos 60 com “Cara de cão” …

O sonho americano na Sterling Cooper de Mad Men

“…Tu, pessoa nefasta, tens a aura da besta, essa alma bissexta, essa cara de cão…” (1)  (Pessoa Nefasta- Gilberto Gil)

Em maio de 2011, a revista “Aventuras na História” (Ed. 94), publicou uma matéria assinada por Gisela Blanco, entitulada “Tão longe, tão perto”…acerca do sucesso da Série Mad Men, criada por Matthew Weiner (Família Soprano), lançada em 2007, acumulando prêmios consecutivos desde 2008, chegando a influenciar o modo de vestir das mulheres nova-iorquinas. De fato, o cenário é a Nova York dos anos 60 e os episódios giram em torno do personagem Donald Drapper, ( John Hamm ), diretor de criação da Agência de Publicidade Sterling Cooper, situada na Madison Avenue ( donde se origina o nome da série ). Foi uma época de transformações na sociedade, que afetaram profundamente as relações familiares, com uma forte inserção da mulher no mercado de trabalho e uma maior “liberação” no comportamento sexual.

Contudo, a família ainda era uma instituição forte e prestigiada na sociedade: mais numerosa e com forte presença e influência dos pais na educação dos filhos, pois as mudanças ainda levariam alguns anos para se consolidarem, afetando profundamente o comportamento de homens e mulheres ( principalmente elas ) causando com isso, uma transformação radical nas famílias.  No início da matéria, há um trecho em que a articulista, a partir do que viu nos primeiros capítulos, de Mad Men, pretende resumir o panorama da época:

“As mulheres tentam driblar preconceitos para ocupar postos de trabalho até então reservados só para homens. As saias são compridas, e a liberdade curta. Médicos não receitam a nova pílula anticoncepcional sem antes dar lições de moral. Estamos frente a frente com a geração que criou o ideal de felicidade americano. E então descobrimos: eles não eram nada felizes”


É bom se dar conta que quem diz que “eles não eram nada felizes“, é um observador atual, falando do passado, mas com critérios de hoje. Muitos escritores, jornalistas, e sobretudo historiadores, se esquecem desse critério tão básico de avaliar um tempo que passou, a partir da mentalidade da respectiva época, mas frequentemente, senão sempre, se fala do passado, com critérios do nosso tempo. Por isso mesmo, é uma arbitrariedade ( ou uma política ? ) afirmar que do modo como hoje vivemos, sejamos mais felizes…

Uma “boa” descrição do mal…

Nos anos 80, o cantor Gilberto Gil, numa entrevista, ouviu um comentário de uma jornalista acerca da letra da sua música “Pessoa Nefasta”, que fala das maldades de uma pessoa de uma forma tão eloquente que chegava-se a “admirar” essa pessoa. Talvez satisfeito com o elogio, o cantor respondeu que procurou nessa música, fazer “uma boa descrição do mal”.

A série Mad Men, pode – em parte – ser descrita desta maneira: como uma “boa descrição do mal”: muito cigarro, muita bebida, e muito adultério….e  por ser uma série e não um longa de episódio único, há uma verdadeira imersão na época e no ambiente que é retratado: as ações são lentas e não há discurso “politicamente correto” – não explicitamente – e tudo isso numa qualidade impecável de fotografia e interpretação. Mas há uma falha: basicamente se mostra o mal. Rejeita-se mostrar no modelo familiar da época, qualquer tipo de vantagem, embora a sinceridade de algumas cenas, possibilite algumas reflexões úteis, como no caso de um menino solitário e carente, filho de uma mãe divorciada, que o deixa em casa com a vizinha e vai atrás de interesses particulares ( é ativista política ), e principalmente no caso do protagonista Don Drapper – filho de uma prostituta – desconheceu o carinho familiar na infância, e na vida adulta não consegue ser bom pai, muito menos bom marido…

Um exemplo para comparação temos em “O Sorriso de Monalisa” (Mona Lisa Smile, 2003), estrelado por Julia Roberts: é o exemplo perfeito de um filme “politicamente correto” que já vem com discurso pronto: É só abrir a tampa e engolir. Trata-se de um roteiro ambientado nos anos 50, mas com linguagem atual: Os personagens são caricaturados: uma moça que tem no casamento e nos filhos, a prioridade de sua vida, é frustrada, invejosa e se casa com um homem que a rejeita logo após o casamento, se envolvendo com uma amante, ao passo que a personagem principal ( vivida por Julia Roberts ), é o protótipo da “bem resolvida” na terminologia atual: é solteira, “passou” da idade de se casar para os padrões da época, prioriza a vida profissional, e quando sofre, é pelo “preconceito” dos outros que sofre, porque com ela, “está tudo bem”….não tem pressa de se casar, até porque já mantém relações sexuais com os ( sim: “os” ) namorados enquanto solteira….

Sem moralismos, podemos dizer que para ela, fica fácil não ter pressa em se casar…Num didatismo escancarado, todos os personagens centrais em “O Sorriso de Monalisa”, são caricaturados para viabilizar “catequese” feminista do filme.

Tal recurso não ocorre em Mad Men. As coisas simplemente acontecem: sem discursos, os homens bebem, assediam as mulheres no trabalho, mesmo os casados e os que acabaram de voltar de uma Lua de Mel. E as mulheres choram…no trabalho e em casa…

No capítulo de estréia, uma nova funcionária tem seu primeiro dia de trabalho na agência: Peggy Olson ( Elisabeth Moss ). Peggy, se veste de maneira “recatada” e age com discrição. “Orientada” pela chefe das secretárias, Joan Holloway ( Christina Hendriks ) esta, amante de um dos chefões da Sterling Cooper, Roger Sterling ( John Slattery ), toma conhecimento de como as coisas funcionam por lá.

Vejamos a transcrição de alguns diálogos :

Diálogo 1:

Joan “aconselha” a novata Peggy:

JoanPode parecer que ( os homens ) querem uma secretária…mas na maior parte do tempo, querem algo entre uma mãe e uma garçonete. E o restante do tempo, bem…vá para casa, pegue um saco de papel com dois buracos para os olhos, coloque-o na cabeça, tire a roupa e se olhe nos espelho: avalie seus pontos fortes e suas fraquezas com honestidade
Peggy - Sempre tento ser honesta
JoanBom pra você

Diálogo 2:

Peggy vai ao Ginecologista indicado por Joan: (Peggy aguarda o médico lendo um livro dedicado às noivas em sua noite de núpcias….)

MédicoEu vejo pela sua ficha e pelo seu dedo que não é casada…
PeggyIsso mesmo…
MédicoE mesmo assim está interessada em pilulas anticoncepcionais…
PeggyBem, eu estava…
MédicoNão previsa ficar nervosa….Joan te enviou a mim, porque não estou aqui para julgá-la. Não há nada errado em uma mulher pensar na possibilidade de atividade sexual.
PeggyÉ bom saber…
MédicoMas, como médico, espero que, ao colocar uma mulher nessa situação, ela não se torne uma mulher da vida.Vou dar um aviso: se você abusar, suspendo a pílula. É para seu próprio bem. O fato é que, mesmo nestes tempos modernos, mulheres fáceis não encontram marido… ( nesta hora, Peggy vira o rosto e olha para um calendário de parede: ano 1960…)
PeggyEu entendo Dr. Emerson. Eu sou uma pessoa bem responsável
MédicoTenho certeza de que não é esse tipo de garota, mas Joan…

Diálogo 3:

Peggy assedia Don….( Peggy entra na sala de Don Draper e diz:)

PeggyEu só queria agradecê-lo por um ótimo primeiro dia ( de trabalho ) A seguir, Peggy, toca na mão de Don…
DonEm primeiro lugar Peggy, sou seu chefe e não seu namorado (afastando a mão de Peggy )
PeggyEspero que não pense que sou esse tipo de garota
DonClaro que não…

O primeiro capítulo se encerra com Don Drapper voltando para casa – onde sua esposa o aguarda e vai ver os filhos no quarto. Na noite anterior, Don dormiu fora de casa. No apartamento da amante… ( Continua na parte 2 )

Publicado por: algosolido | 15 de abril de 2012

Uma boa descrição do mal – Parte 2

Feminismo sem Ativismo Político

Toda a situação sugere que  Peggy é virgem, e nota-se na postura do médico – apesar de um diálogo que choca nos  dias atuais  e também na postura de Don, que ambos admiram a virgindade de Peggy e gostariam que ela permanecesse assim até casar-se. Admiram a virtude, e particularmente no caso de Don, não conseguem vivê-la. Pode-se argumentar que Don rejeita o assédio de Peggy apenas por não querer problemas no ambiente de trabalho. Essa impressão se desfaz nos episódios seguintes, quando Don “arrisca” a sua vida profissional em novas aventuras extra-conjugais.

Peggy Olson: Geração “Y” com cara de “Boomer”

No entanto, Peggy, ocupa em Mad Men, a mesma função que a personagem de Julia Roberts em Mona Lisa Smile, mas  em doses homeopáticas. Peggy é uma feminista sem se dar conta, como praticamente admite o criador da série em entrevista ao site Slate Magazine:

 “…E é parte da razão pela qual eu amo as pessoas falando sobre ela ( Peggy ) como uma feminista, porque eu acho que ela não tem idéia do que ela é política e que ela iria negá-lo. Ela é apenas alguém que quer o que ela tem direito…” (2)

Peggy realmente não tem o perfil de uma ativista politica: tem “alguma” prática religiosa, não se apresenta como uma “reformadora social”, está mais preocupada com seu progresso profissional, e o faz com competência, é ligeiramente tímida e rejeita muitos assédios, mas nem sempre…Ou seja, Peggy não é propriamente um “modelo de virtude”, mas é vista como tal, assim que chega para trabalhar na Sterling Coopers, e por isso, atrai admiração. Esse perfil, faz de Peggy Olson, uma personagem de certo modo artificial ou incomum , uma vez que reúne combinações pouco compatíveis com a época, em particular uma certa religiosidade, combinada com uma pronta disposição em se adaptar a “novos padrões” de comportamento sexual. E no campo profissional, Peggy pela sua “pressa” em crescer profissionalmente ( impressão de Roger Sterling na segunda temporada ), está mais para “Geração Y”, mas com cara de Boomer…(3)

A função de Peggy é mostrar o feminismo com uma “cara” simpática…

Na piscina de Palm Springs

Don Drapper : sua bela esposa não é feliz…

Já o que se pode notar em Don e até na “mal falada” Joan, é que ambos vivem como gostam de viver : de forma hedonista. Mas não consideram a si próprios, modelos de virtude, por isso mesmo, não são hipócritas: não fazem discurso moralista, o que faz muitos julgarem que são pessoas “autênticas”. Mas na verdade não são autênticos: são expontâneos, vivem entregues aos desejos do momento, mas se entregam com tanta frequência…..que essa expontaneidade costuma ser identificada erroneamente como “autenticidade”. Mas esse modo de viver, chega a um momento de reflexão para Don num episódio da segunda temporada, quando ele mergulha de vez na sua vida paralela de adultérios, já em crise no casamento: passa uma temporada em Palm Springs na Califórnia.

O que seria uma breve viagem de negócios, se tranforma numa “fuga” de três semanas ao se ausentar da família e do trabalho. Nessa viagem, conhece uma moça de 21 anos que o assedia de forma obstinada, e o leva para uma casa onde está hospedada parte de sua familia e uma turma de amigos: pessoas ricas e meio nômades, “ocupados” em simplesmente não fazer nada, além de ficar tomando sol na beira da piscina, bebendo, e tendo conversas fúteis em jantares exóticos, num ambiente frívolo e sem compromisso….

O ambiente choca Don. Ele não gosta do que vê, visto que está cercado de gente como ele, ou “pior” do que ele. Na casa de Palm Springs, Don não vê um só vestígio de virtude. Encontra ali, simplesmente um superlativo da sua rotina de vida. É a sua vida levada ao extremo. Numa cena emblemática, Don está sozinho na piscina, observa um casal se beijando e fica pensativo olhando para um copo, como quem se pergunta:

O que estou fazendo aqui ?

Onde fui me meter ?

Que tipo de gente é essa ?

Don caindo em si, parece pensar como o filósofo e escritor argelino Albert Camus, que recordando os jovens nas praias da capital de seu país, escreveu esses pensamentos:

“…O mar interpreta seu canto em contrabaixo. O sol, o vento leve… o azul já áspero do céu, tudo me faz pensar no verão, na dourada juventude que então enche a praia, nas longas horas passadas na areia, na brusca doçura dos crepúsculos…” (4)

“Os homens encontram aqui, durante toda a juventude, uma vida à altura de sua beleza. Depois vem o declínio e o esquecimento. Eles apostaram na carne sabendo que iam perder. Em Argel, para quem é jovem e esperto, tudo é refúgio e pretexto para o triunfo: a baía , o sol, os motivos em vermelho e branco dos terraços sobre o mar, as flores e os jardins, as moças bonitas…Mas quem perdeu a juventude não tem onde agarrar-se, para esse não existe lugar onde a melancolia possa fugir de si mesma”(5)

“Só existe uma verdade muito simples e muito clara, um pouco boba, mas difícil de descobrir e pesada para carregar… os homens morrem, e não são felizes “(6)

A comparação é inevitável: Palm Springs é a “Argel” de Don Drapper.

A “cara de cão” e a busca da felicidade.

O excesso de bebidas e cigarros e de infidelidades masculinas em Mad Men, acabam mostrando os anos 60 com uma “cara de cão”: evita-se na série, mostrar familias felizes para que possamos perceber que muitos homens e mulheres, foram felizes naquela época, mesmo com familias numerosas. Falar assim nos dias de hoje, é motivo para arrancar risos ou frases iradas de indignação – deles e delas…Mas pude colher num fórum americano que debatia o impacto da série Mad Men para as familias
americanas, um depoimento honesto de quem viveu a época:

“…Mas eu concordo que é provavelmente próximo de como era a vida para muitos de nós, e foi certamente mais animador do que em Mad Men. Sim, houve problemas. Eu acho que para as famílias negras, o início dos anos 60 não foi um tempo acolhedor e feliz, embora eu saiba que muitas famílias negras conseguiram viver uma vida feliz e saudável, apesar do tumulto e violência em torno deles. Houve outros problemas – as mulheres eram consideradas de segunda classe (não podiam ter cartões de crédito, não dirigiam, etc.) O medo de uma guerra nuclear era galopante (e ainda é!). O medo do comunismo era galopante (agora é o medo da Al-qaeda). E, claro, houve Viet Nam – Este dominava a minha infância. Mas foi, para a maior parte, um bom momento para ser uma família nos EUA, pelo menos até 1968. Então todo o mundo desmoronou.” (7)

Pode-se notar que o depoimento não traça a sociedade da época com uma visão de “anos dourados e felizes”, reconhece as mazelas e os conflitos, mas conclui que efetivamente as familias viviam um momento melhor. Juridicamente hoje, a mulher não é mais de “segunda classe”, mas continua a ser mal tratada, só que aprendeu a “dar o troco”…Pode-se ver nesta reação, uma justiça do tipo “olho por olho, dente por dente”. Ocorre que fica difícil concordar que foi uma “evolução” para a mulher “aprender” a imitar a infidelidade masculina, até por conta de uma mentalidade hedonista e individualista que hoje é dominante, a mulher se sente “amparada” a ter relações extra-conjugais, como se isso fosse um “direito” que o homem tivesse ( mas nunca teve ). Também não há como concordar que para a mulher foi uma “conquista”, reivindicar o “direito” de fazer “sexo sem amor”.

Bem, e o que aconteceu em 68 ? Foi o auge da contracultura e do “movimento hippie”.  A juventude embalada ao som do Rock, consumia drogas, pregava o sexo livre e contestava a religiosidade cristã e a família tradicional, consideradas como parte do “sistema”…É certo que havia todo um aparato ideológico, e de influência marxista, que foi tomando conta das artes, da imprensa e das universidades. O processo continuou e hoje já toma conta do meio político,  jurídico e pressiona fortemente o mundo científico.

Só que essa turma hoje, não se parece em nada com os hippies.  Deu espaço ao Yuppie ( Jovem Profissional Urbano ): gostam de roupas de grife, de sucesso profissional, são individualistas, mas acolheram a mentalidade hedonista dos jovens do final da década de 60. Ou seja: resolveram conciliar ao máximo a satisfação dos dois mundos: sexo e dinheiro.

A família se viu pressionada nesse quadro. A busca da felicidade hoje, exclui o altruísmo, a generosidade, e exalta a satisfação pessoal imediata e o individualismo. Se dentro do casamento essa busca individualista de “felicidade” se vê ameaçada, recorre-se sem titubear ao divórcio. Os filhos são adiados e reduzidos ao máximo, não por razões de ordem econômica – argumento frequente – mas para consolidar a realização pessoal – os projetos pessoais – e nesta hora, as crianças são vistas como um estorvo. As consequências sabemos: os filhos, tanto de familias mais pobres como das mais abastadas, não recebem mais a mesma atenção dos pais, mesmo sendo em menor número, resultando em queda no rendimento escolar, delinquência, ou na (de)formação de um futuro egoísta bem-sucedido, e quando o problema é reconhecido na mídia, não se fala em valorizar a família para se cuidar melhor dos jovens, e sim de apontar como solução, a promoção de “políticas publicas”, ou seja: sai a familia e entra o Estado.

Costuma-se hoje dizer que os casamentos antigamente duravam mais tempo porque eram casamentos de “fachada”, de “aparência”, e na verdade as mulheres eram infelizes. Ora, essa afirmação se tornou lugar comum, mas é preciso se ter em conta que quem afirma isso, são pessoas que não viveram a época, e se baseiam ora em ideologias e não na realidade, ora em relatos de pessoas que foram de fato, infelizes no casamento, e o mais importante de tudo: ativistas politicos costumam fazer muito barulho e acabam dominando o debate, colocando uma lente de aumento onde lhes mais convém, ainda mais quando se tem imprensa falando a mesma linguagem e lhes servindo de eco...

A verdade é que afirmar que o modelo familiar de antigamente, tornava as pessoas infelizes é uma sentença “política” e não tem valor científico.

Recentemente o filósofo Luis Felipe Pondé disse numa entrevista uma frase certeira :

“…Pena que as mulheres mais felizes não têm tempo para escrever sobre a relação delas com os homens…” (8)

Como afirmar que hoje somos mais felizes ?

Não estamos hoje na verdade, infelizes ?

Não é propriamente assim. Cada época tem seus aspectos positivos e negativos. A vida moderna oferece hoje, múltiplas possibilidades de sermos felizes, solteiros ou casados, mesmo com famílias com mais filhos e num mesmo casamento….O que não se pode afirmar, é que 50 anos atrás, as pessoas – em particular as mulheres – eram infelizes porque haviam mais filhos em casa e os solteiros não faziam sexo com a facilidade de hoje….

Não se trata portanto, de considerar a época atual como particularmente ruim, mas de reconhecer que se tivemos ganhos, também tivemos perdas, e isto está sendo difícil de reconhecer. E quando reconhecem, invariavelmente atribuem unicamente a culpa, à intolerância das pessoas, às irresponsabilidades dos governos, às crises econômicas, mas isenta-se completamente de culpa, os mentores do “politicamente correto”, que desiludidos com o marxismo no campo econômico, concentraram esforços, na mudança de comportamento, que desvalorizou o significado da vida promovendo o aborto, que promoveu a banalização do sexo, ( e queriam valorizar a mulher ! … ), que acionou a máquina juridica para expandir o divórcio. Estes “marxistas desiludidos”, ocuparam parlamentos, universidades, redações de jornais, tribunais, e programas de televisão. Acabaram por desfigurar a família e agora querem salvar o planeta, querem “direito” de matar uma criança no ventre da mãe… e se escandalizam quando uma baleia morre na praia…

O que está obscurecendo o nosso entendimento ?

Semanas atrás, o cineasta Ugo Giorgetti na sua coluna, no “O Estado de São Paulo” fez uma observação interessante, ao falar dos “chatos” no futebol brasileiro. Apesar do tema, o pensamento alcança uma profundidade tão grande que parece explicar muito mais :

“…Há uma espécie de modorra pairando sobre o País, que nos cobre a todos. Estamos felizes e satisfeitos, viajamos e compramos coisas. Esse estado de espírito talvez nos faça ser mais tolerantes com os chatos que estão por aí…” (9)

Note que o colunista aponta o consumismo – viagens e compras – como suficente para nos obscurecer e nos trazer satisfação e felicidade – ainda que uma “felicidade” meramente fisiológica…

Em 2006 na Mensagem de Natal, O Papa Bento XVI, também fez referência a esta “satisfação” :

“…Mas, tem ainda algum valor e significado um “Salvador” para o homem do terceiro milênio? Será ainda necessário um “Salvador” para o homem que alcançou a Lua e Marte, e se dispõe a conquistar o universo; para o homem que investiga indefinidamente os segredos da natureza e chega até decifrar os códigos maravilhosos do genoma humano? Necessita de um Salvador o homem que inventou a comunicação interativa, que navega no oceano virtual da Internet e, graças às mais modernas tecnologias dos meios de comunicação, já fez da Terra, esta grande casa comum, uma pequena aldeia global? Apresenta-se confiante e auto-suficiente artífice do próprio destino, fabricante entusiasta de indiscutíveis sucessos este homem do vigésimo primeiro século….

…Como não pensar que, mesmo do fundo desta humanidade satisfeita e desesperada, levanta-se um clamor aflitivo de ajuda?…”(10)

É essa “satisfação” que se sente hoje, que faz esquecer que precisamos de muito mais. Parece uma combinação incompatível: satisfação e desespero. Mas o desespero vem depois, e parecemos não saber de onde vem.

Santo André, 15 de Abril de 2012

_____________________________________________________________________________

NOTAS:

(1) A expressão “cão” na letra da música se refere ao diabo, no linguajar popular brasileiro
(2) http://www.slate.com/articles/arts/interrogation/2012/03/mad_men_creator_matthew_weiner_on_season_5_.single.html
(3) Boomer ( Baby Boom ), Geração X e Y : Baby Boomers: nascidos no Pós-guerra, entre os anos 60 e 70, Geração X : nascidos entre os anos 60 e 70; Geração Y: Os nascidos entre os anos 80 e 90 : Estes últimos, são considerados imediatistas, pois nasceram em meio à velocidade do mundo digital.
(4) Camus, A., “Minotaure” pag. 20
(5) Camus, A., “Noces”, Edit. Charlot, Argélia, pag. 54-62
(6) Camus, A., “Calígula” pag. 111
(7) http://forums.catholic.com/showthread.php?t=486256 ( Aug 20, ’10, 5:55 am )
(8) http://delas.ig.com.br/comportamento/luiz-felipe-ponde-homens-e-mulheres-nao-sao-iguais/n1597726675244.html
(9) http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,precisa-se-de-um-chato-,843710,0.htm
(10)http://www.vatican.va/holy_father/benedict_xvi/messages/urbi/documents/hf_ben-xvi_mes_20061225_urbi_po.html

Publicado por: algosolido | 8 de maio de 2011

A Dona de Casa…

A Dona de Casa, o Bolo e o cálculo do PIB – Parte 1

Ela era feliz...e sabia...

 

No meu primeiro ano de faculdade do curso de Economia, o professor fez um comentário muito interessante sobre o cálculo Produto Interno Bruto ( PIB ) : “Quando uma dona de casa faz um bolo, ela está aumentando o PIB de um país, mas esse bolo não entra no cálculo …”  Hoje penso que se essa mesma “dona de casa” abrisse uma empresa, – uma confeitaria – e passasse a vender seus bolos, os mesmos, entrariam no cálculo do PIB.

Este pode ser um ponto de partida, com seus vários desdobramentos, para se tentar entender a mulher dos tempos de hoje.

Todos os anos quando se comemora o Dia Internacional da Mulher,  diversas publicações, repetem os infográficos de sempre:  o número de mulheres que ocupam  cargos de gerência e direção nas empresas em relação aos homens é de X %…O salários das mulheres na mesma função e qualificação é de X % menor em relação aos homens.

Mas será que esses números precisam ser igualados…?

A Psicóloga Susan Pinker, no seu livro “O Paradoxo Sexual “, trata justamente da questão do salário e emprego na “guerra dos sexos”. Ela se apóia em questões “biológicas” e não em “chavões conservadores”, e afirma que os homens ganham melhores salários porque priorizam o emprego, ao passo que as mulheres também se preocupam em ter filhos. Ela reconhece a resistência de algumas mulheres ao ouvirem falar de “diferenças biológicas”, pois foi justamente este conceito que o movimento feminista tentou apagar, afirmando que as diferenças entre homens e mulheres são “socialmente construídas”: “ Hoje estamos entendendo que os hormônios afetam o comportamento humano”, diz Pinker.

Numa visão econômica, pode-se dizer que o mercado de trabalho “precifica” o salário da mulher, na expectativa de ter que futuramente substituir uma funcionária por conta de uma gravidez, pagando um salário menor. Uma empresa agindo assim, não está sendo “machista”, e sim “capitalista”. Da mesma forma, se uma companhia de seguros, por conta do baixo risco de acidentes automotivos com mulheres, cobra um seguro de valor mais baixo para elas, não está sendo “feminista”, e sim “capitalista”.

Mesmo assim, é possível que as mulheres nas empresas, alcancem salários e posições de alto comando, no mesmo nível que os homens, mas no caso de mulheres muito jovens, na faixa dos 20 anos, pois quando se aproximam os 30 anos, com a expectativa do casamento e dos filhos, a manutenção de salários e altos cargos, pode ficar mais difícil.

Mas essa realidade nem de longe, deve ser motivo para as mulheres lamentarem a maternidade….

Passarelas e Holofotes…

O mercado de trabalho nos dias atuais em grandes empresas, e também como profissionais liberais, tem muitos atrativos, sobretudo para a mulher: como numa passarela de moda, desfilam celulares, laptops, roupas e bolsas de “griffe”… ou seja: em determinados ambientes o trabalho ficou “chique”….

Tudo isso sob a mira de muitos holofotes. Por outro lado, a “dona de casa”, que vai levar o filho a uma consulta médica, ao parar no farol, repara ao lado e vê um carro mais sofisticado que o dela, e no volante, uma mulher muito bem vestida, cabelo bem arrumado e se pergunta : quando vou estar assim?

A mulher do “carrão”, no fim de ano, pode receber um prêmio de “mulher executiva do ano” ou uma viagem paga pela empresa, um curso no exterior, e ela, a “dona de casa” – o que vai receber?

Elogios?

Se esta mulher tiver mais que 40 anos, deve ter ouvido as “Frenéticas” cantarem no final dos anos 70:

“…Elogio é mixaria…

Se me chamas de rainha…
Me desculpe mas não quero, não quero
E não vou…!

…reinar na cozinha…!

Assim, a propaganda feminista foi pondo em desuso as palavras, “esposa” e  “mãe”, por isso, tais termos, soam hoje um tanto “antiquados” para os meios de comunicação, dando lugar simplesmente à palavra “mulher”, mesmo que casada e com filhos. Ora, não há nada de errado em chamar a mulher, de “mulher”, o problema é o foco no individualismo, por exemplo, ao invés de usar a palavra “mãe”- que pressupõe compromisso, altruísmo, usar a expressão “mulher com filhos”, sugerindo que os filhos são um “anexo”. As terminologias atuais significam muita coisa. Os meios de comunicação querem fazer a “dona de casa” se sentir um “nada”…

Há uns anos atrás, assisti num telejornal na hora do almoço, uma reportagem sobre férias escolares. O noticiário mostrava que as mães estavam ansiosas pelo retorno das aulas, por causa do incômodo de acompanhar os filhos: “Eu não aguento mais!”, dizia uma mãe muito bonita e muito bem vestida, a olhar crianças correndo na área de diversões de um shopping…

Não quero aqui dizer, que o “problema” se situa na mulher. Os próprios homens estão também desinteressados pelos filhos e pensando muito mais no trabalho. Ocorre que de fato, a grande mudança de comportamento se deu do lado feminino e nos dias de hoje, a grande motivação não é a luta pelos direitos e emancipação : ela já ocorreu, não é apenas pelo sustento da família – mulheres casadas com homens que recebem altos salários, não querem ser “donas de casa”, querem ser “donas do emprego”.

A grande motivação da mulher é a satisfação pessoal, de mostrar a sua “capacidade”, de sentir-se “útil”, de ser ‘reconhecida”, de ser “vista” pela sociedade. Com tudo isso, é claro, a independência financeira.

Nada contra a emancipação feminina, a independência financeira, o sucesso profissional, mas que isso não ocorra às custas do menosprezo pelo lar e pela maternidade. A ordem passou a ser esta: Primeiro, a faculdade, depois, a pós-graduação, nesse meio tempo, um carro, um imóvel, uma MBA no exterior, e depois… Opa!…  Está na hora de ter um filho !

O filho neste caso, se converte numa “etapa” da “realização pessoal”. Ver um filho assim é muito pouco…

Repito: todas essas conquistas são legítimas para a mulher, mas o problema é ver o casamento e os filhos como obstáculo. O fascínio do mundo do trabalho é muito forte, como se percebe ao ler depoimentos de mulheres que se dedicaram por muitos anos, ao trabalho fora de casa, e chegaram ao topo da carreira. É comum admitirem que prejudicaram a família , que não viram os filhos crescerem, mas que não se arrependem, pois o trabalho lhes deu muito…

Mas nem sempre, o discurso da mulher é tão incisivo. Muitas mulheres se sentem culpadas por darem atenção excessiva ao trabalho “fora de casa”, ( pois “dentro de casa”, também é trabalho ) em detrimento dos filhos. Jamais uma conquista profissional pode compensar o distanciamento dos filhos.

 

Sem “reinar” na cozinha…

 

Estamos num tempo em que a mulher também se orgulha de não saber cozinhar. Isso “pega bem” e pega bem dizer isso aos amigos. “Pega mal” hoje para a mulher, não saber dirigir, não ter o próprio carro, ser “apenas” dona de casa, ou ter mais que dois filhos…( pode ser chamada de “irresponsável” ).

Por outro lado – paradoxo da vida moderna – uma mulher executiva, – perto dos 40 anos e sem filhos, se entusiasma com a idéia de passar numa livraria e comprar um livro de culinária sofisticada, para ela e o marido, prepararem uma “paella”, e convidarem para um jantar, um casal de amigos ( “contatos” ) também sem filhos, e do “circuito profissional”, mas cozinhar para filhos, nem pensar….

Nada contra jantares caprichados para amigos de vez em quando. O problema é relacionar o fogão e os filhos à escravidão, e fogão e amigos a “networking”…

De maneira muito apropriada a esse respeito, afirmou a consultora Vick Block:

“ O trabalho é hoje o lugar de admiração e respeito, enquanto a casa está se transformando no lugar da culpa e da dívida”

 

Publicado por: algosolido | 8 de maio de 2011

…o Bolo e o cálculo do PIB – Parte 2

Ela era feliz... e sabia...

Reduzindo a marcha…rumo ao equilíbrio.

 

Um estudo da Center of Work-Life Policy (CWLP), no ano passado aponta que 75% das mulheres do Brasil, China e Índia, esperam alcançar altos cargos nas empresas. Essa expectativa é reflexo do momento econômico dos paises emergentes, que miram o exemplo dos EUA. As mulheres destas nações, outrora consideradas “em desenvolvimento”, estão vivendo nesta década, o que as mulheres americanas viveram nos anos 80 e 90. O que ocorre agora na América do Norte, é uma tendência de equilíbrio entre trabalho e família, por isso mesmo, o desejo, segundo a mesma pesquisa, das mulheres americanas de ocuparem cargos elevados é de apenas 36%.

Em outro estudo realizado pelos Economistas Betsey Stevenson e Justin Wolfers ( American Economic Journal – Agosto/2009 ), entitulado “The Paradox of Declining Female Happiness” ( O Paradoxo do Declínio da Felicidade Feminina ) demonstra que as mulheres com todas as conquistas obtidas em 40 anos de luta por direitos iguais, sobretudo no campo profissional, são mais infelizes hoje do que na década de 60. Esta felicidade, segundo a pesquisa, caiu tanto em termos absolutos, como em relação aos homens.

De onde vem esta infelicidade ?

Existem diferentes formas de abordagem. Muitas vezes se busca a resposta mais conveniente: a de que os homens têm medo de se relacionar com mulheres bem sucedidas, e boa parte das executivas ( as estatísticas variam ) estão solteiras e sem filhos;  as que estão casadas, os maridos não apoiam nas tarefas domésticas e elas ficam sobrecarregadas…

Em tudo isso, há alguma verdade : decerto que há maridos que pouco ou nada se envolvem nas tarefas domésticas e no cuidado dos filhos, causando uma sobrecarga injusta para a esposa. Em particular, em relação à mulher que trabalha fora, de qualquer tipo de cargo ou profissão, deve o homem se envolver e assumir tarefas da casa, e acabar de uma vez por todas, com esta história de “dupla jornada”, porque se a “jornada caseira” também contar com a participação do marido, esta expressão vai com certeza desaparecer.

Quanto às mulheres “bem sucedidas” estarem solteiras em boa parte, é muito conveniente atribuir a responsabilidade ao homem e apresentá-lo como  “inseguro” e “machista”, evitando compromisso com mulheres consideradas “poderosas”. Deve-se perguntar a uma executiva com ganhos mensais de R$30.000,00 ou R$40.000,00 , se ela está disposta a se casar com um homem que ganhe R$3.000,00 por exemplo…

É de praxe responder: “Se ela o ama, se casará”…, mas estamos numa época de “respostas que caem bem”, e as atitudes concretas são outras. Só por este exemplo, um verdadeiro exército de “candidatos” saem de cena. É claro que nesse grupo, podem haver homens “medrosos” mas, como foram “descartados” de início, qualquer julgamento será ‘político” e não “científico”.

Restam os homens da mesma posição profissional e, estes sim, é que podem ser avaliados se têm coragem ou não de se envolver com um mulheres que ocupem “altos cargos”.

Há poucos dias, assisti a uma entrevista pela TV com uma cantora de sucesso que comentou o seguinte:  “…nós mulheres assim, ( ricas e famosas ) temos que nos relacionar com “homens bem sucedidos”, porque sempre há um risco de aparecer um interesseiro…”

Essa opinião também vem do mundo acadêmico, como neste depoimento:

“ A mulher bem sucedida torna-se mais exigente nos seus relacionamentos, principalmente pelo fato de ter conquistado sua independência financeira “ ( Maria Cristina Pinto Gattai, professora do Departamento de Psicologia Social da PUC/SP ).

Por isso mesmo, vamos levar em conta somente homens e mulheres bem sucedidos – e solteiros : devemos considerar que: 1- Tais solteiros não trabalham todos nas mesmas empresas, de modo que se conheçam;  2 - Ambos priorizam o trabalho, e no caso das mulheres, muitas receiam o casamento e ainda mais os filhos, sob “risco” de “prejudicar a carreira”, e por fim é claro; 3 - Existem também os “homens medrosos” diante de uma mulher “poderosa”.

Neste caso, fica complicado para a mulher “bem sucedida”, já que o “homem-bem-sucedido-medroso”, vai preferir uma mulher que ganhe bem menos que ele, e o “homem-bem-sucedido-não-medroso”, vai procurar uma mulher “bem-sucedida” ou não, “poderosa” ou não, mas que se queira casar e ter filhos, e faz muito bem, agindo assim…

Em resumo, podemos dizer que o adiamento do casamento e dos filhos, e em alguns casos a sua renúncia, em troca de uma dedicação exclusiva ao trabalho, tem causado infelicidade à mulher.

É claro que a felicidade não é exclusiva de quem se casa e tem filhos. Homens e mulheres podem ser felizes sem o casamento, mas somente se dedicarem as suas vidas a uma causa nobre e generosa, jamais a uma satisfação individualista.

Como já foi dito anteriormente, na Europa e nos Estados Unidos, já existe um movimento mais nítido de “redução de marcha” que não significa um “retorno ao fogão”. Para o constrangimento, desgosto e protesto das feministas radicais, mulheres que se destacaram no mundo profissional, têm escrito livros, proferindo palestras, estimulando as mulheres a re-valorizarem a maternidade, sem com isso, abandonarem o trabalho fora de casa. Essa saudável iniciativa, resgata a dignidade da Dona de Casa ( agora sem aspas ), que pode se dedicar ao cuidados dos filhos e do lar, pelo tempo que for necessário, e incluir no momento que quiser, quando, e se quiser, um projeto profissional.

Alguns depoimentos dessas mulheres:

“… As mulheres são as únicas que podem ter bebês, e isso leva tempo. E quando você tem um filho, quer ficar com ele, é natural. Esse é o trabalho mais importante que existe” –  Katheleen Parker – colunista e escritora americana.

“…Se eu pudesse voltar a começar, escolheria um marido com um emprego, e ficaria em casa até ter criado cinco filhos ! “Eva Herman – Apresentadora de TV alemã, após 3 divórcios e um filho.

“…O melhor remédio contra a presunção é ir para casa e lavar o chão da cozinha, com as crianças na sala gritando porque querem comida, atenção ou que brinquemos com elas. As tarefas cotidianas da maternidade – e da paternidade – nos fazem humildes e nos lembram que somos insignificantes…” Janne Haaland Matlary – Norueguesa – Catedrática de Relações Internacionais da Universidade de Oslo – Mãe de quatro filhos…

 

Reconhecimento e visibilidade:

Numa reflexão de momento, pode ser constrangedor para uma Dona de Casa, se dar conta de que a sua “produção doméstica” é considerada invisível, pois não entra para cálculo do PIB, como também não entram, os seus serviços prestados. Cada bolo feito, cada banho dado num filho, não aparece em gráficos coloridos, em relatórios e planilhas financeiras das empresas, não figura em balanços divulgados pelos jornais de negócios. Esse é o modo de uma sociedade calculista estabelecer valores, como foi constatado pelo economista inglês, Lord Peter T. Bauer: “ …ironicamente, o nascimento de uma criança, é registrado como uma redução na renda nacional per capita, enquanto que o nascimento de um bezerro, mostra-se como uma melhoria…”

No entanto, cada criança vale mais que todos os bezerros do mundo, como cada criança que ainda está para nascer, vale mais do que ovos de tartaruga… No entanto a sociedade organizada através de suas instituições, está mais preocupada em proteger os ovos…

As “mulheres profissionais” são mais visíveis. Têm de certa forma, reconhecimento e atenções voltadas para si quanto mais sucesso obtém, mesmo aquelas que não ocupam altos cargos e salários, têm sim a sua visibilidade e um sentimento de independência que não querem perder…

Mas devo dizer que para a mulher casada e com filhos, a sua missão principal não está no trabalho, e sim no Lar, no Marido e nos Filhos…

Sabem por quê ?

Porque a missão principal de um homem casado e com filhos, também não está no trabalho, e sim no Lar, na Esposa e nos Filhos…

Pela missão particular e natural da maternidade, a mulher está mais que o homem,   vinculada ao lar, sem com isso isentar o homem de tarefas domésticas e no cuidados dos filhos…

Quero finalmente citar um trecho de um artigo de Sueli Caramello Uliano, mãe de família e presidente do conselho da ONG Família viva:

“ Até que ponto as dores da humanidade não são decorrentes da ausência de mães nos lares? Ou até que ponto os traumas da civilização pós-moderna não decorrem da manipulação da sensibilidade feminina, ultrajando-a na sua peculiar exclusiva capacidade de acolher a vida?

Com famílias apressadas, com poucos filhos ou apenas um, e os pais priorizando os  seus “projetos pessoais”, temos visto jovens cada vez piores e sem rumo, sem certezas. Forjar homens e mulheres de valor, é uma missão valiosa, requer desprendimento e altruísmo, e se pode dizer também que o homem não tem o “direito”, de se dedicar tanto ao trabalho a ponto de deixar a família para segundo plano. Ninguém pode se “orgulhar” de dizer: Não vi meus filhos crescerem ! Se aparecer uma “grande oportunidade profissional”, deve-se ter em conta que não se deve prejudicar a atenção aos  filhos, sob pena de frustração no futuro.  As realizações profissionais passam, os profissionais ficam velhos e deixarão lugar para os mais novos. A Família permanece. Isso vale para homems e mulheres.

Santo André, 08 de maio de 2011

Eduardo.

Publicado por: algosolido | 12 de dezembro de 2010

Mais filhos para o mundo

O leitor já deve ter ouvido ou lido comentários de ecologistas preocupados com ameaças à natureza em função de uma – discutível – alteração climática :   que não podemos ignorar os problemas, mesmo que daqui a 50 anos possivelmente, todos desta geração não estejam mais vivos. “É preciso preocupar-se com as gerações futuras”, costumam dizer.

Tal preocupação não parece existir com a questão do envelhecimento populacional. Em Artigo da Revista Exame de 17 de novembro último ( Edição 980: “Vinte anos para ficar rico “),  fala-se com euforia do chamado “Bônus Demográfico”: comemora-se o fato de se ter uma população jovem cada vez menor, que apenas consome, contra uma população adulta, que consome e produz.

Essa relação pode significar de fato um PIB per capita cada vez maior, desde que a economia continue a crescer. – Que fique bem claro.

Ocorre que quando se iniciar a redução populacional, ( reconhecida pela própria revista ) surgirão os problemas: Uma enorme população idosa e inativa, demandando recursos da saúde e da previdência, a partir do trabalho de uma população ativa cada vez menor. Muitos desta geração estarão vivos para ver isso.

Isso significa que esse quadro (ou bolha), favorece o crescimento econômico nos próximos anos, mas –  de uma forma aguda e por tempo determinado.

Haverá crescimento em determinados setores da atividade econômica decorrente do envelhecimento da população, como a medicina, a previdência privada e em função de famílias menores, com casais adiando por anos a vinda dos filhos, teremos um incremento de atividades como o turismo, o lazer e cuidados pessoais, caracterizando um crescente culto à individualidade.

Mas um cálculo transparente, deixaria de fora os investimentos em áreas como educação, habitação e vários outros, dado que não são exclusivos do chamado “bônus demográfico”, porque o crescimento populacional ( com aumento da população jovem ) daria conta do crescimento do PIB, com vantagem e de forma duradoura, ( ou para ser moderno: de forma “sustentável” ).

Quando se têm mais filhos…

O artigo de Exame fala em crescimento dos serviços hospitalares por conta de uma população idosa?

- Mas e as mães que vão ao médico quando ficam grávidas e quando nascem os filhos ? Pensemos no crescimento da pediatria…

Lazer e recreação para adultos ?

- Crianças gostam de brincar mais…e têm mais tempo…

Pacotes de viagem para adultos sem filhos ?

- Pergunte ao gerente do hotel se ele não gostaria da mesa cheia e quartos lotados…

Móveis e decoração, materiais de construção, vestuário…com famílias maiores,  como é necessário investir ! Perguntem às famílias com 3 ou 4 filhos em fase de crescimento:   quantos pares de tênis, quantas bermudas e camisetas, materiais escolares, têm que ser comprados ano a ano….!

Em resumo: como se pode ignorar que quanto mais filhos as famílias têm,  mais se favorece o crescimento do PIB, e por consequência, da renda, do emprego e da arrecadação de impostos?

Alguém disse que crianças e adolescentes atrapalham o crescimento de um país porque apenas consomem e não produzem ?

Do contrário: uma série de atividades voltadas para famílias com filhos, perdem espaço quando as crianças nascem em número cada vez menor

A festa está “boa”…

Famílias cada vez menores, muitas viagens, casas cada vez mais confortáveis : benefícios que poderiam se obter ao longo dos anos, são adquiridos rapidamente,  à custa da renúncia aos filhos nos primeiros anos de casamento.  É a festa do “subprime“ populacional.

No momento em que a população brasileira começar a diminuir, poderemos, se confirmadas as projeções, estarmos com PIB e renda per capita a níveis europeus, mas dependendo do “consumismo” e não do “consumo”.

Já me explico :  quando as famílias têm um número de filhos o suficiente tanto para repor como para aumentar a população, precisam comprar mais alimentos, mais roupas, construir mais escolas, aumentar a casas, comprar mais móveis, mais eletrodomésticos, mais materiais escolares, mais fraldas… isso é “consumo”.

Se as famílias assimilarem de vez a cultura do “filho único”, o crescimento econômico dependerá de que as famílias tenham dois ou três veículos na garagem ( numa família de três pessoas ), façam “coleções” de bolsas e pares de sapato, muitas roupas, muitas viagens e refeições fora de casa, um computador para cada pessoa da casa…  isso é “consumismo”.

É por depender do consumismo de uma população envelhecida,  endividada e saciada de todo tipo de bens, que países como a França e Alemanha, já vêm incentivando as suas populações e terem mais filhos para voltarem a ter… consumo.

Portanto, as projeções para o crescimento do PIB por conta do envelhecimento populacional,  deveriam apresentar algumas ressalvas:

1  – Esse crescimento tem data para acabar; ( detalhe que foi reconhecido pelo artigo de Exame);

2 –  Depende do consumismo: uma crise financeira ou no consumo, coloca o país rapidamente em recessão – Vejam os Estados Unidos e principalmente a Europa de hoje: em crise e com baixíssima taxa de natalidade;

3 –  Setores importantes da economia, como o de imóveis e materiais de construção, sofrerão forte recuo, com a possível redução populacional, com efeitos negativos na geração de emprego e renda.

4 – Pode-se alcançar esse nível de riqueza com aumento populacional, de forma mais duradoura e segura;

5 – A redução populacional é de difícil reversão : a diminuição de filhos por casal, gera uma cultura individualista. Os países ricos enfrentam enorme difculdade  para voltar a aumentar a sua população.

Sim… os países ricos estão tentanto reverter a queda na natalidade.

Esse tema não se esgota por aqui. Tantos pelos seus aspectos econômicos, como pelos culturais e sociais,  o tema da demografia será retomado em outras ocasiões neste blog.

Eduardo.

Santo André, 12 de dezembro de 2010

Publicado por: algosolido | 8 de dezembro de 2010

Este Blog

Caros leitores internautas,

Há tempos venho adiando o início das “atividades” deste Blog. A idéia surgiu no início deste ano, e estando numa época muito atarefada, deixei somente para agora as primeiras palavras.

A motivação

Venho percebendo ao longo dos anos, que a discussão de idéias acaba se desviando do foco ou mais ainda: acaba se perdendo na “negação da certeza”.  Abraça-se a dúvida, como que a um porto seguro e paradoxalmente, dá-se a esta postura um tratamento “dogmático”.  Noutras palavras: o questionamento veio para ficar, mas que a resposta nunca chegue. Tornou-se proibido dizer : “Isso é verdade”. Assim está na imprensa, na vida acadêmica, no parlamento, nos tribunais, nas empresas, até numa roda de amigos. Em alguns casos, ignora-se o que realmente importa em cada assunto, em outros, se conhece mas se pretende evitar. Daí,  passa-se colocar muita areia, muita terra por cima, para que não se veja o essencial de cada questionamento.

São muitas falácias, falsos dilemas, propagados com excessos de informações imprecisas, assuntos de grande relevância são esquecidos ou tratados de forma tendenciosa, enquanto outros, que fazem muito barulho, são postos em evidência, com uma lente de aumento. Isso tudo, impede que as pessoas reflitam um tema na sua profundidade. 

Sim:  a informação hoje, em muitos meios é “seletiva”: conduz a uma única forma de pensar em assuntos como: família, sociedade, comportamento, liberdade, tolerância e preconceito. Na sociedade atual, pode se acreditar no que quiser, desde que não seja com “convicção”.  A ordem é manter a “mente aberta”, senão, recebe-se um carimbo, um rótulo, visando desqualificá-lo para o debate. Tais carimbos são por exemplo : “conservador”, “retrógrado”, “fundamentalista”, ou mais popularmente: “dono da verdade….”,que frequentemente vêm associados aos nomes de religiosos, cientistas, sociólogos, filósofos, historiadores, jornalistas, que ousam fazer um discurso que destoa do “mainstream” dos meios de comunicação.

A iniciativa do Blog, surgiu a partir desta realidade, já que sempre desconfiei de certas “mentes abertas”, embora essa atitude não seja necessariamente ruim: a depender da circunstância ou da relevância do tema, manter a mente aberta pode ser – ou não –  a melhor atitude.

Cabe agora, dar uma explicação ao título que escolhi para o Blog: nas leituras que tenho feito, muito me chamou a atenção, a frase do escritor inglês Gilbert Keith Chesterton:  “Uma mente aberta é como uma boca aberta: não é um fim, mas um meio. E o fim, é a boca fechada mordendo algo sólido”.

Pois será assim, que estarei compartilhando idéias com os internautas, sempre buscando depois de verificar os aspectos acidentais de cada questão, buscar os essenciais : o que há de consistente, o que há de sólido.

No próximo Domingo, vou postar o primeiro texto com tema específico: o assunto já está definido. A partir daí, num primeiro momento, devo estabelecer uma periodicidade mensal ou quinzenal para os posts. Entre um post ou outro, é possível que eu escreva algum texto de poucas linhas, algo a nível de bate papo… algo virtual….mas… algo sólido….

Um abraço.

Eduardo.

 

Santo André, 08 de Dezembro de 2010.

Categorias

  • Nenhuma categoria
Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.