Publicado por: algosolido | 12 de dezembro de 2010

Mais filhos para o mundo

O leitor já deve ter ouvido ou lido comentários de ecologistas preocupados com ameaças à natureza em função de uma – discutível – alteração climática :   que não podemos ignorar os problemas, mesmo que daqui a 50 anos possivelmente, todos desta geração não estejam mais vivos. “É preciso preocupar-se com as gerações futuras”, costumam dizer.

Tal preocupação não parece existir com a questão do envelhecimento populacional. Em Artigo da Revista Exame de 17 de novembro último ( Edição 980: “Vinte anos para ficar rico “),  fala-se com euforia do chamado “Bônus Demográfico”: comemora-se o fato de se ter uma população jovem cada vez menor, que apenas consome, contra uma população adulta, que consome e produz.

Essa relação pode significar de fato um PIB per capita cada vez maior, desde que a economia continue a crescer. – Que fique bem claro.

Ocorre que quando se iniciar a redução populacional, ( reconhecida pela própria revista ) surgirão os problemas: Uma enorme população idosa e inativa, demandando recursos da saúde e da previdência, a partir do trabalho de uma população ativa cada vez menor. Muitos desta geração estarão vivos para ver isso.

Isso significa que esse quadro (ou bolha), favorece o crescimento econômico nos próximos anos, mas –  de uma forma aguda e por tempo determinado.

Haverá crescimento em determinados setores da atividade econômica decorrente do envelhecimento da população, como a medicina, a previdência privada e em função de famílias menores, com casais adiando por anos a vinda dos filhos, teremos um incremento de atividades como o turismo, o lazer e cuidados pessoais, caracterizando um crescente culto à individualidade.

Mas um cálculo transparente, deixaria de fora os investimentos em áreas como educação, habitação e vários outros, dado que não são exclusivos do chamado “bônus demográfico”, porque o crescimento populacional ( com aumento da população jovem ) daria conta do crescimento do PIB, com vantagem e de forma duradoura, ( ou para ser moderno: de forma “sustentável” ).

Quando se têm mais filhos…

O artigo de Exame fala em crescimento dos serviços hospitalares por conta de uma população idosa?

– Mas e as mães que vão ao médico quando ficam grávidas e quando nascem os filhos ? Pensemos no crescimento da pediatria…

Lazer e recreação para adultos ?

– Crianças gostam de brincar mais…e têm mais tempo…

Pacotes de viagem para adultos sem filhos ?

– Pergunte ao gerente do hotel se ele não gostaria da mesa cheia e quartos lotados…

Móveis e decoração, materiais de construção, vestuário…com famílias maiores,  como é necessário investir ! Perguntem às famílias com 3 ou 4 filhos em fase de crescimento:   quantos pares de tênis, quantas bermudas e camisetas, materiais escolares, têm que ser comprados ano a ano….!

Em resumo: como se pode ignorar que quanto mais filhos as famílias têm,  mais se favorece o crescimento do PIB, e por consequência, da renda, do emprego e da arrecadação de impostos?

Alguém disse que crianças e adolescentes atrapalham o crescimento de um país porque apenas consomem e não produzem ?

Do contrário: uma série de atividades voltadas para famílias com filhos, perdem espaço quando as crianças nascem em número cada vez menor

A festa está “boa”…

Famílias cada vez menores, muitas viagens, casas cada vez mais confortáveis : benefícios que poderiam se obter ao longo dos anos, são adquiridos rapidamente,  à custa da renúncia aos filhos nos primeiros anos de casamento.  É a festa do “subprime“ populacional.

No momento em que a população brasileira começar a diminuir, poderemos, se confirmadas as projeções, estarmos com PIB e renda per capita a níveis europeus, mas dependendo do “consumismo” e não do “consumo”.

Já me explico :  quando as famílias têm um número de filhos o suficiente tanto para repor como para aumentar a população, precisam comprar mais alimentos, mais roupas, construir mais escolas, aumentar a casas, comprar mais móveis, mais eletrodomésticos, mais materiais escolares, mais fraldas… isso é “consumo”.

Se as famílias assimilarem de vez a cultura do “filho único”, o crescimento econômico dependerá de que as famílias tenham dois ou três veículos na garagem ( numa família de três pessoas ), façam “coleções” de bolsas e pares de sapato, muitas roupas, muitas viagens e refeições fora de casa, um computador para cada pessoa da casa…  isso é “consumismo”.

É por depender do consumismo de uma população envelhecida,  endividada e saciada de todo tipo de bens, que países como a França e Alemanha, já vêm incentivando as suas populações e terem mais filhos para voltarem a ter… consumo.

Portanto, as projeções para o crescimento do PIB por conta do envelhecimento populacional,  deveriam apresentar algumas ressalvas:

1  – Esse crescimento tem data para acabar; ( detalhe que foi reconhecido pelo artigo de Exame);

2 –  Depende do consumismo: uma crise financeira ou no consumo, coloca o país rapidamente em recessão – Vejam os Estados Unidos e principalmente a Europa de hoje: em crise e com baixíssima taxa de natalidade;

3 –  Setores importantes da economia, como o de imóveis e materiais de construção, sofrerão forte recuo, com a possível redução populacional, com efeitos negativos na geração de emprego e renda.

4 – Pode-se alcançar esse nível de riqueza com aumento populacional, de forma mais duradoura e segura;

5 – A redução populacional é de difícil reversão : a diminuição de filhos por casal, gera uma cultura individualista. Os países ricos enfrentam enorme difculdade  para voltar a aumentar a sua população.

Sim… os países ricos estão tentanto reverter a queda na natalidade.

Esse tema não se esgota por aqui. Tantos pelos seus aspectos econômicos, como pelos culturais e sociais,  o tema da demografia será retomado em outras ocasiões neste blog.

Eduardo.

Santo André, 12 de dezembro de 2010


Responses

  1. CARÍSSIMO EDUARDO, QUANTA CORAGEM E DISPOSIÇÃO!
    ESTOU FELIZ DE TE-LO CONHECIDO E TERMOS ESTREITADO NOSSOS LAÇOS NESTE ANO DE 2010. COM CERTEZA FOI UMA GRANDE FELICIDADE TER AUMENTADO O ESPAÇO DENTRO DO CORAÇÃO PARA ACOMODAR A TODOS OS AMIGOS DO BLOG-JB. DESEJO QUE A FELICIDADE E A PROSPERIDADE FAÇA PARTE DE TODOS OS SEUS DIAS, AO LONGO DE TODA SUA VIDA. SAUDE E PAZ. QUANDO VIRÁ VISITAR O RIO? APARECE. MADA

    • QUANTO AO SEU ARTIGO SOBRE TER OU NÃO FILHOS, E A FORMA DE EDUCA-LOS,
      DESDE JÁ A ESPINHA CORSAL DO FAMILIA É O AMOR. É PRECISO UM POUCO DE ANTROLOGIA E ACEITAÇÃO DA DIVERSIDADE CULTURAL. HÁ UMA MISTURA MUITO GRANDE DE CULTURAS, E A FAMÍLIA FAZ PARTE DESTE CALDEIRÃO CULTURAL. NO FRIGIR DOS OVOS, OS PEQUENOS SÃO NECESSÁRIOS, POIS DÃO SENTIDO A VIDA, MAS É COMUM NAS CAPITAIS, ATRASAR A PRÓPRA FELICIDADE ENQUANTO SER HUMANO. COM A FALSA ILUSÃO QUE DEVEMOS NOS CAPACITAR PARA O MERCADO DE TRABALHO. POREM É ATRAVES DA FAMÍLIA QUE O MUNDO ENCONTRA ABRIGO E AMOR.

  2. Meu caro Eduardo…. aposto que voce nao tem filhos para postar uma mensagem desta. voce sabe o quanto da trabalho criar um filho? nesses tempos de violencia e maldade ! acho que devemos pensar mais .. tenho uma filha e sei o quanto e dificil!
    Sera que voce tem filhos?
    entende sobre ser Pai e suas obrigacoes , Na pratica !!!
    abraços.

    • Caro Lucas,

      Seja bem vindo ! Não tenho filhos: espero tê-los em breve, mas tenho três sobrinhos. Ou seja, alguém da minha família “ousou” passar de dois…Acredito que um filho é sim mais fácil financeiramente, mas sobre vários outros aspectos, quanto à educação, á segurança, convívio social, respeitos as regras sociais, altruísmo, é amplamente vantajoso, ter mais que dois filhos….No mês passado revi um amigo de infãncia, cjuja esposa está grávida do terceiro filho, e eu lhe disse que o Post era em homenagem ao casal e ao novo filho….

      Não obstante as inegáveis dificuldades de se criar um filho, que não são dificuldades da vida “morderna”, mas da vida “de sempre”, as consequencias econômicas estão aí, não se pode tapar o sol com a peneira…

      Aguarde que em janeiro este tema será retomado. será abordado de perto a questão das famílias de baixa renda, de alta renda, os dilemas profissionais e em particular, a questão da mulher, alías será o último tema a ser tratado, notadamente o mais difícil….pois hoje a mulher se vê de forma diferente, e isso não pode ser ignorado.

      Um Feliz Natal e Feliz Ano Novo e volte sempre !

    • Meu caro Lucas, tenho 7 (sete) filhos, e posso apenas dizer uma coisa: vale muito a pena.

      Eduardo, parabéns pelo Blog.


Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Categorias

  • Nenhuma categoria
%d blogueiros gostam disto: