Publicado por: algosolido | 8 de maio de 2011

…o Bolo e o cálculo do PIB – Parte 2

Ela era feliz... e sabia...

Reduzindo a marcha…rumo ao equilíbrio.

 

Um estudo da Center of Work-Life Policy (CWLP), no ano passado aponta que 75% das mulheres do Brasil, China e Índia, esperam alcançar altos cargos nas empresas. Essa expectativa é reflexo do momento econômico dos paises emergentes, que miram o exemplo dos EUA. As mulheres destas nações, outrora consideradas “em desenvolvimento”, estão vivendo nesta década, o que as mulheres americanas viveram nos anos 80 e 90. O que ocorre agora na América do Norte, é uma tendência de equilíbrio entre trabalho e família, por isso mesmo, o desejo, segundo a mesma pesquisa, das mulheres americanas de ocuparem cargos elevados é de apenas 36%.

Em outro estudo realizado pelos Economistas Betsey Stevenson e Justin Wolfers ( American Economic Journal – Agosto/2009 ), entitulado “The Paradox of Declining Female Happiness” ( O Paradoxo do Declínio da Felicidade Feminina ) demonstra que as mulheres com todas as conquistas obtidas em 40 anos de luta por direitos iguais, sobretudo no campo profissional, são mais infelizes hoje do que na década de 60. Esta felicidade, segundo a pesquisa, caiu tanto em termos absolutos, como em relação aos homens.

De onde vem esta infelicidade ?

Existem diferentes formas de abordagem. Muitas vezes se busca a resposta mais conveniente: a de que os homens têm medo de se relacionar com mulheres bem sucedidas, e boa parte das executivas ( as estatísticas variam ) estão solteiras e sem filhos;  as que estão casadas, os maridos não apoiam nas tarefas domésticas e elas ficam sobrecarregadas…

Em tudo isso, há alguma verdade : decerto que há maridos que pouco ou nada se envolvem nas tarefas domésticas e no cuidado dos filhos, causando uma sobrecarga injusta para a esposa. Em particular, em relação à mulher que trabalha fora, de qualquer tipo de cargo ou profissão, deve o homem se envolver e assumir tarefas da casa, e acabar de uma vez por todas, com esta história de “dupla jornada”, porque se a “jornada caseira” também contar com a participação do marido, esta expressão vai com certeza desaparecer.

Quanto às mulheres “bem sucedidas” estarem solteiras em boa parte, é muito conveniente atribuir a responsabilidade ao homem e apresentá-lo como  “inseguro” e “machista”, evitando compromisso com mulheres consideradas “poderosas”. Deve-se perguntar a uma executiva com ganhos mensais de R$30.000,00 ou R$40.000,00 , se ela está disposta a se casar com um homem que ganhe R$3.000,00 por exemplo…

É de praxe responder: “Se ela o ama, se casará”…, mas estamos numa época de “respostas que caem bem”, e as atitudes concretas são outras. Só por este exemplo, um verdadeiro exército de “candidatos” saem de cena. É claro que nesse grupo, podem haver homens “medrosos” mas, como foram “descartados” de início, qualquer julgamento será ‘político” e não “científico”.

Restam os homens da mesma posição profissional e, estes sim, é que podem ser avaliados se têm coragem ou não de se envolver com um mulheres que ocupem “altos cargos”.

Há poucos dias, assisti a uma entrevista pela TV com uma cantora de sucesso que comentou o seguinte:  “…nós mulheres assim, ( ricas e famosas ) temos que nos relacionar com “homens bem sucedidos”, porque sempre há um risco de aparecer um interesseiro…”

Essa opinião também vem do mundo acadêmico, como neste depoimento:

“ A mulher bem sucedida torna-se mais exigente nos seus relacionamentos, principalmente pelo fato de ter conquistado sua independência financeira “ ( Maria Cristina Pinto Gattai, professora do Departamento de Psicologia Social da PUC/SP ).

Por isso mesmo, vamos levar em conta somente homens e mulheres bem sucedidos – e solteiros : devemos considerar que: 1- Tais solteiros não trabalham todos nas mesmas empresas, de modo que se conheçam;  2 – Ambos priorizam o trabalho, e no caso das mulheres, muitas receiam o casamento e ainda mais os filhos, sob “risco” de “prejudicar a carreira”, e por fim é claro; 3 – Existem também os “homens medrosos” diante de uma mulher “poderosa”.

Neste caso, fica complicado para a mulher “bem sucedida”, já que o “homem-bem-sucedido-medroso”, vai preferir uma mulher que ganhe bem menos que ele, e o “homem-bem-sucedido-não-medroso”, vai procurar uma mulher “bem-sucedida” ou não, “poderosa” ou não, mas que se queira casar e ter filhos, e faz muito bem, agindo assim…

Em resumo, podemos dizer que o adiamento do casamento e dos filhos, e em alguns casos a sua renúncia, em troca de uma dedicação exclusiva ao trabalho, tem causado infelicidade à mulher.

É claro que a felicidade não é exclusiva de quem se casa e tem filhos. Homens e mulheres podem ser felizes sem o casamento, mas somente se dedicarem as suas vidas a uma causa nobre e generosa, jamais a uma satisfação individualista.

Como já foi dito anteriormente, na Europa e nos Estados Unidos, já existe um movimento mais nítido de “redução de marcha” que não significa um “retorno ao fogão”. Para o constrangimento, desgosto e protesto das feministas radicais, mulheres que se destacaram no mundo profissional, têm escrito livros, proferindo palestras, estimulando as mulheres a re-valorizarem a maternidade, sem com isso, abandonarem o trabalho fora de casa. Essa saudável iniciativa, resgata a dignidade da Dona de Casa ( agora sem aspas ), que pode se dedicar ao cuidados dos filhos e do lar, pelo tempo que for necessário, e incluir no momento que quiser, quando, e se quiser, um projeto profissional.

Alguns depoimentos dessas mulheres:

“… As mulheres são as únicas que podem ter bebês, e isso leva tempo. E quando você tem um filho, quer ficar com ele, é natural. Esse é o trabalho mais importante que existe” –  Katheleen Parker – colunista e escritora americana.

“…Se eu pudesse voltar a começar, escolheria um marido com um emprego, e ficaria em casa até ter criado cinco filhos ! “Eva Herman – Apresentadora de TV alemã, após 3 divórcios e um filho.

“…O melhor remédio contra a presunção é ir para casa e lavar o chão da cozinha, com as crianças na sala gritando porque querem comida, atenção ou que brinquemos com elas. As tarefas cotidianas da maternidade – e da paternidade – nos fazem humildes e nos lembram que somos insignificantes…” Janne Haaland Matlary – Norueguesa – Catedrática de Relações Internacionais da Universidade de Oslo – Mãe de quatro filhos…

 

Reconhecimento e visibilidade:

Numa reflexão de momento, pode ser constrangedor para uma Dona de Casa, se dar conta de que a sua “produção doméstica” é considerada invisível, pois não entra para cálculo do PIB, como também não entram, os seus serviços prestados. Cada bolo feito, cada banho dado num filho, não aparece em gráficos coloridos, em relatórios e planilhas financeiras das empresas, não figura em balanços divulgados pelos jornais de negócios. Esse é o modo de uma sociedade calculista estabelecer valores, como foi constatado pelo economista inglês, Lord Peter T. Bauer: “ …ironicamente, o nascimento de uma criança, é registrado como uma redução na renda nacional per capita, enquanto que o nascimento de um bezerro, mostra-se como uma melhoria…”

No entanto, cada criança vale mais que todos os bezerros do mundo, como cada criança que ainda está para nascer, vale mais do que ovos de tartaruga… No entanto a sociedade organizada através de suas instituições, está mais preocupada em proteger os ovos…

As “mulheres profissionais” são mais visíveis. Têm de certa forma, reconhecimento e atenções voltadas para si quanto mais sucesso obtém, mesmo aquelas que não ocupam altos cargos e salários, têm sim a sua visibilidade e um sentimento de independência que não querem perder…

Mas devo dizer que para a mulher casada e com filhos, a sua missão principal não está no trabalho, e sim no Lar, no Marido e nos Filhos…

Sabem por quê ?

Porque a missão principal de um homem casado e com filhos, também não está no trabalho, e sim no Lar, na Esposa e nos Filhos…

Pela missão particular e natural da maternidade, a mulher está mais que o homem,   vinculada ao lar, sem com isso isentar o homem de tarefas domésticas e no cuidados dos filhos…

Quero finalmente citar um trecho de um artigo de Sueli Caramello Uliano, mãe de família e presidente do conselho da ONG Família viva:

“ Até que ponto as dores da humanidade não são decorrentes da ausência de mães nos lares? Ou até que ponto os traumas da civilização pós-moderna não decorrem da manipulação da sensibilidade feminina, ultrajando-a na sua peculiar exclusiva capacidade de acolher a vida?

Com famílias apressadas, com poucos filhos ou apenas um, e os pais priorizando os  seus “projetos pessoais”, temos visto jovens cada vez piores e sem rumo, sem certezas. Forjar homens e mulheres de valor, é uma missão valiosa, requer desprendimento e altruísmo, e se pode dizer também que o homem não tem o “direito”, de se dedicar tanto ao trabalho a ponto de deixar a família para segundo plano. Ninguém pode se “orgulhar” de dizer: Não vi meus filhos crescerem ! Se aparecer uma “grande oportunidade profissional”, deve-se ter em conta que não se deve prejudicar a atenção aos  filhos, sob pena de frustração no futuro.  As realizações profissionais passam, os profissionais ficam velhos e deixarão lugar para os mais novos. A Família permanece. Isso vale para homems e mulheres.

Santo André, 08 de maio de 2011

Eduardo.


Responses

  1. Dizer que esse é “Um dos textos mais inteligentes e abrangentes sobre a mulher” só pode ser piada, não é? Leia “O Segundo Sexo”, de Simone de Beauvoir, antes de dizer uma coisa dessas.

    O fato de ainda existirem mulheres que concordam com um texto desses só me faz ver o quanto a sociedade brasileira (e as dos países em desenvolvimento no geral) ainda se demonstram tão atrasadas em relação às do países desenvolvidos. O machismo logicamente ainda existe nestes últimos, mas não de forma tão acentuada como nos países mais pobres.

    Tenho 21 anos e faço faculdade nos EUA. Essa história de dizer que o número de mulheres que aspiram a altos cargos está diminuíndo nesse país não é nem um pouco verídica, pelo menos entre as jovens da minha idade. Pode-se dizer que, nesta última década, houve uma espécie de “atenuação”do feminismo nos EUA. Algumas mulheres que hoje estão na faixa dos 30 anos estão mesmo valorizando mais a família e a vida doméstica. No entanto, ao que parece, as idéias feministas estão ganhando fôlego novamente (para a minha felicidade!) e as jovens da minha idade estão sim aspirando a cargos mais altos. Além disso, ter filhos está nos planos de todas nós, mas só depois da faculdade, MBA, estabilidade profissional e financeira (e isso, meu amigo, só depois dos 30 MESMO). O bom é que os caras da nossa idade concordam com o fato de que a idéia de felicidade apenas por meio de casamento e filhos é falsa. Eles também querem ter filhos e se casar um dia, mas não acreditam que esta seja “a chave” para uma vida feliz, inclusive para as mulheres.

    O texto parece querer desesperançar as feministas mais radicais (só querer) dizendo que as mulheres, no futuro, fatalmente voltarão a priorizar o lar por se sentirem “infelizes”. Saiba que no mundo moderno a infelicidade é algo do SER HUMANO, e não da MULHER apenas. Esse clichê de que a mulher está infeliz porque trabalha é o mais usado pelos machistas para dizer que as mulheres deveriam retornar ao fogão. No entanto, ele pode ser facilmente rebatido com o simples fato de que o mercado de trabalho gera sim mais stress e preocupação para a mulher, assim como gera para o homem, mas preocupações e responsabilidades não são o mesmo que infelicidade. Se assim fosse, tanto homens quanto mulheres seriam infelizes pelo fato de trabalhar. Toda aquela idéia de que o trabalho dignifica o ser humano, traz satisfação pessoal e o faz se sentir útil seria uma mentira. Vamos todos, homens e mulheres, parar de trabalhar porque estamos infelizes!

    Enfim, ao contrário do que diz esse texto, as mulheres não abandonarão sua meta de conquistar cargos de liderança e de serem iguais aos homens não só no plano jurídico, como também no social. A tendência, de acordo com a ONU, é a de que o mundo atingirá a completa igualdade entre homens e mulheres apenas por volta do ano 2492, pelo fato de ainda existirem pessoas embutidas de preconceito e de idéias sexistas. Claro que os países desenvolvidos irão atingir essas metas muito antes, enquanto países do Oriente Médio, por exemplo, levarão muito mais tempo.

    • Anna,

      O texto não sugere que as mulheres devam abandonar a vida profissional fora de casa. Está embasado em pesquisas que tive o cuidado de citar as fontes, baseia-se em depoimentos de mulheres bem sucedidas “profissionalmente” e não em depoimentos de machistas “medrosos e frustrados”.

      Desejo sucesso na sua vida profissional.

      Eduardo.

  2. Um dos textos mais inteligentes e abrangentes sobre a mulher que já li nos últimos anos!

    Vou divulgar.

    Parabéns!

  3. Oi Dú, como está ?

    Adorei seu blog, muita informação boa, não esperava menos de você !!! Torço muito pelo seu sucesso, você merece tudo de bom !!!

    Quando puder, mande um beijo para a Rose, tenho saudades dela e daquele sotaque chique !!!

    Beijão !!!

    • Obrigado Bruna !

      Seja bem vinda ! Edu.


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