Publicado por: algosolido | 8 de maio de 2011

A Dona de Casa…

A Dona de Casa, o Bolo e o cálculo do PIB – Parte 1

Ela era feliz...e sabia...

 

No meu primeiro ano de faculdade do curso de Economia, o professor fez um comentário muito interessante sobre o cálculo Produto Interno Bruto ( PIB ) : “Quando uma dona de casa faz um bolo, ela está aumentando o PIB de um país, mas esse bolo não entra no cálculo …”  Hoje penso que se essa mesma “dona de casa” abrisse uma empresa, – uma confeitaria – e passasse a vender seus bolos, os mesmos, entrariam no cálculo do PIB.

Este pode ser um ponto de partida, com seus vários desdobramentos, para se tentar entender a mulher dos tempos de hoje.

Todos os anos quando se comemora o Dia Internacional da Mulher,  diversas publicações, repetem os infográficos de sempre:  o número de mulheres que ocupam  cargos de gerência e direção nas empresas em relação aos homens é de X %…O salários das mulheres na mesma função e qualificação é de X % menor em relação aos homens.

Mas será que esses números precisam ser igualados…?

A Psicóloga Susan Pinker, no seu livro “O Paradoxo Sexual “, trata justamente da questão do salário e emprego na “guerra dos sexos”. Ela se apóia em questões “biológicas” e não em “chavões conservadores”, e afirma que os homens ganham melhores salários porque priorizam o emprego, ao passo que as mulheres também se preocupam em ter filhos. Ela reconhece a resistência de algumas mulheres ao ouvirem falar de “diferenças biológicas”, pois foi justamente este conceito que o movimento feminista tentou apagar, afirmando que as diferenças entre homens e mulheres são “socialmente construídas”: “ Hoje estamos entendendo que os hormônios afetam o comportamento humano”, diz Pinker.

Numa visão econômica, pode-se dizer que o mercado de trabalho “precifica” o salário da mulher, na expectativa de ter que futuramente substituir uma funcionária por conta de uma gravidez, pagando um salário menor. Uma empresa agindo assim, não está sendo “machista”, e sim “capitalista”. Da mesma forma, se uma companhia de seguros, por conta do baixo risco de acidentes automotivos com mulheres, cobra um seguro de valor mais baixo para elas, não está sendo “feminista”, e sim “capitalista”.

Mesmo assim, é possível que as mulheres nas empresas, alcancem salários e posições de alto comando, no mesmo nível que os homens, mas no caso de mulheres muito jovens, na faixa dos 20 anos, pois quando se aproximam os 30 anos, com a expectativa do casamento e dos filhos, a manutenção de salários e altos cargos, pode ficar mais difícil.

Mas essa realidade nem de longe, deve ser motivo para as mulheres lamentarem a maternidade….

Passarelas e Holofotes…

O mercado de trabalho nos dias atuais em grandes empresas, e também como profissionais liberais, tem muitos atrativos, sobretudo para a mulher: como numa passarela de moda, desfilam celulares, laptops, roupas e bolsas de “griffe”… ou seja: em determinados ambientes o trabalho ficou “chique”….

Tudo isso sob a mira de muitos holofotes. Por outro lado, a “dona de casa”, que vai levar o filho a uma consulta médica, ao parar no farol, repara ao lado e vê um carro mais sofisticado que o dela, e no volante, uma mulher muito bem vestida, cabelo bem arrumado e se pergunta : quando vou estar assim?

A mulher do “carrão”, no fim de ano, pode receber um prêmio de “mulher executiva do ano” ou uma viagem paga pela empresa, um curso no exterior, e ela, a “dona de casa” – o que vai receber?

Elogios?

Se esta mulher tiver mais que 40 anos, deve ter ouvido as “Frenéticas” cantarem no final dos anos 70:

“…Elogio é mixaria…

Se me chamas de rainha…
Me desculpe mas não quero, não quero
E não vou…!

…reinar na cozinha…!

Assim, a propaganda feminista foi pondo em desuso as palavras, “esposa” e  “mãe”, por isso, tais termos, soam hoje um tanto “antiquados” para os meios de comunicação, dando lugar simplesmente à palavra “mulher”, mesmo que casada e com filhos. Ora, não há nada de errado em chamar a mulher, de “mulher”, o problema é o foco no individualismo, por exemplo, ao invés de usar a palavra “mãe”- que pressupõe compromisso, altruísmo, usar a expressão “mulher com filhos”, sugerindo que os filhos são um “anexo”. As terminologias atuais significam muita coisa. Os meios de comunicação querem fazer a “dona de casa” se sentir um “nada”…

Há uns anos atrás, assisti num telejornal na hora do almoço, uma reportagem sobre férias escolares. O noticiário mostrava que as mães estavam ansiosas pelo retorno das aulas, por causa do incômodo de acompanhar os filhos: “Eu não aguento mais!”, dizia uma mãe muito bonita e muito bem vestida, a olhar crianças correndo na área de diversões de um shopping…

Não quero aqui dizer, que o “problema” se situa na mulher. Os próprios homens estão também desinteressados pelos filhos e pensando muito mais no trabalho. Ocorre que de fato, a grande mudança de comportamento se deu do lado feminino e nos dias de hoje, a grande motivação não é a luta pelos direitos e emancipação : ela já ocorreu, não é apenas pelo sustento da família – mulheres casadas com homens que recebem altos salários, não querem ser “donas de casa”, querem ser “donas do emprego”.

A grande motivação da mulher é a satisfação pessoal, de mostrar a sua “capacidade”, de sentir-se “útil”, de ser ‘reconhecida”, de ser “vista” pela sociedade. Com tudo isso, é claro, a independência financeira.

Nada contra a emancipação feminina, a independência financeira, o sucesso profissional, mas que isso não ocorra às custas do menosprezo pelo lar e pela maternidade. A ordem passou a ser esta: Primeiro, a faculdade, depois, a pós-graduação, nesse meio tempo, um carro, um imóvel, uma MBA no exterior, e depois… Opa!…  Está na hora de ter um filho !

O filho neste caso, se converte numa “etapa” da “realização pessoal”. Ver um filho assim é muito pouco…

Repito: todas essas conquistas são legítimas para a mulher, mas o problema é ver o casamento e os filhos como obstáculo. O fascínio do mundo do trabalho é muito forte, como se percebe ao ler depoimentos de mulheres que se dedicaram por muitos anos, ao trabalho fora de casa, e chegaram ao topo da carreira. É comum admitirem que prejudicaram a família , que não viram os filhos crescerem, mas que não se arrependem, pois o trabalho lhes deu muito…

Mas nem sempre, o discurso da mulher é tão incisivo. Muitas mulheres se sentem culpadas por darem atenção excessiva ao trabalho “fora de casa”, ( pois “dentro de casa”, também é trabalho ) em detrimento dos filhos. Jamais uma conquista profissional pode compensar o distanciamento dos filhos.

 

Sem “reinar” na cozinha…

 

Estamos num tempo em que a mulher também se orgulha de não saber cozinhar. Isso “pega bem” e pega bem dizer isso aos amigos. “Pega mal” hoje para a mulher, não saber dirigir, não ter o próprio carro, ser “apenas” dona de casa, ou ter mais que dois filhos…( pode ser chamada de “irresponsável” ).

Por outro lado – paradoxo da vida moderna – uma mulher executiva, – perto dos 40 anos e sem filhos, se entusiasma com a idéia de passar numa livraria e comprar um livro de culinária sofisticada, para ela e o marido, prepararem uma “paella”, e convidarem para um jantar, um casal de amigos ( “contatos” ) também sem filhos, e do “circuito profissional”, mas cozinhar para filhos, nem pensar….

Nada contra jantares caprichados para amigos de vez em quando. O problema é relacionar o fogão e os filhos à escravidão, e fogão e amigos a “networking”…

De maneira muito apropriada a esse respeito, afirmou a consultora Vick Block:

“ O trabalho é hoje o lugar de admiração e respeito, enquanto a casa está se transformando no lugar da culpa e da dívida”

 


Responses

  1. […] Penso muito nas mães de 50, 100 anos atrás. Acho sim que em muitas situações, era mais fácil ser mãe do que hoje. Explico por que. Conversando com a minha sogra, a mesma me relatou que não estudava e nem se preocupada com o sono ou a alimentação do bebê, ela apenas vivia. A maioria das mulheres não tinham grandes ambições, de certa maneira eram educadas para isso, e eram felizes assim. Não estou entrando no mérito de ser certo ou errado, falo da realidade. Hoje a mulher quer fazer muitas coisas! Queremos trabalhar, queremos assistir séries, queremos escrever, queremos ler, queremos cuidar um pouco daquele braço de gelatina, queremos sair com as amigas, queremos sair com os maridos, queremos saber sobre moda e maquiagem e queremos ser boas mães. Acima de tudo, quero ser boa mãe, mas repito, quero ser outras coisas também. […]

  2. Você é o meu Anjo…

  3. […] Penso muito nas mães de 50, 100 anos atrás. Acho sim que era mais fácil ser mãe do que hoje. Explico por que. A maioria das mulheres não tinham grandes ambições, de certa maneira eram adestradas para isso. Não estou entrando no mérito de ser certo ou errado, falo da facilidade. Hoje a mulher quer fazer muitas coisas! Queremos trabalhar, queremos assistir séries, queremos escrever, queremos ler, queremos cuidar um pouco daquele braço de gelatina, queremos sair com as amigas, queremos sair com os maridos, queremos saber sobre moda e maquiagem e queremos ser boas mães. Acima de tudo, quero ser boa mãe, mas repito, quero ser outras coisas também. […]

    • Mel, boa tarde. Obrigado pelo comentário

      Por um lado, ser mãe hoje é MAIS FÁCIL ! Veja os recursos da modernidade que levam a mulher perder cada vez menos tempo com tarefas domésticas. Uma reportagem do jornal Osservatore Romano, de 2009, fala dessa facilidade moderna. Junte-se a isso, o fato dos homens de hoje ajudarem mais nas tarefas domesticas : tendo ou não tendo filhos. Por outro lado, ser mãe hoje é MAIS DIFÍCIL, porque hoje, o filho é visto como um “impedimento” ao sucesso profissional da mulher. E para piorar, a maternidade é vista pela mulher – por mais que ela exalte o fato de ser mãe – a maternidade é vista como limitação. A mulher atraída pelo desejo de sucesso profissional individual, quer mais, mesmo que tenha marido rico, o que leva a mulher a trabalhar fora de casa e com isso, limitar os filhos,

      Não é apenas dinheiro e sim VISIBILIDADE. Hoje em dia, sem holofotes, as pessoas se sentem desvalorizadas.

      Inclusive os homens.

      Se não há holofotes, as pessoas imaginam que não fazem nada de útil. O sucesso das redes sociais refletem isso. As pessoas querem ser vistas até quando compram sapato novo.

      Bem, a discussão pode se estender, mas quero deixar claro, que homens e mulheres, precisam ser visíveis para as pessoas que amam. Homens na sua maioria, também são invisíveis na sociedade. E mulheres, mesmo que sejam mães de 3, 4 , 5 filhos, também podem ter vida social. O mundo oferece muitas oportunidades. Agora, muito importante. Mulheres no passado NÃO ERAM ADESTRADAS.

      Adestramento se aplica a animais.

      Mulheres no passado, ERAM EDUCADAS E VIAM NA MATERNIDADE UMA MISSÃO. Muitas eram recompensadas com uma vida feliz. Já conversei com mulheres de 80 anos que atestam isso.

      Não são as mulheres de hoje que podem julgar se as mulheres do anos 40 ou 50, eram ou não felizes, e sim elas próprias.

      Ah sim ! Não vou deixar de lado….Muitas mulheres no passado, só receberam dor e sofrimento, em troca de todo amor que deram. Sobre isso,. lhe digo duas coisas: 1) As mulheres de hoje com toda independência e modernidade, conquistando o que querem, estão infelizes também. A realização individualista que signfica renúncia à maternidade, cedo ou tarde, causa frustração; 2 ) Mulheres que deram prioridade à maternidade, tanto ontem como hoje ( hoje, poucas, claro ), não tem tempo para sair falando o quanto são felizes com seus filhos e seus maridos. Na maior parte das vezes, são as infelizes que resolvem se manifestar. Com isso, fica a falsa impressão que a maternidade limitando a vida profissional fora de casa, torna a mulher infeliz.

      Ainda assim, há mulheres que nadam ( e escrevem ) contra a corrente.

      P.S, Veja bem, estou discutindo idéias e não estou enquadrando você em nenhum grupo, ok ?

      Abaixo o link da reportagem que falei.

      http://www.vatican.va/news_services/or/or_quo/cultura/056q05a1.html

      Um cordial abraço

      Eduardo

  4. ola Eduardo! gostei muito deste artigo, esta excelente!!

    sou Portuguesa, tenho 22 anos, e escrevo para o Blog Heart, foi lá que encontrei o seu Blog! vou passar a ser seguidora! dentro de um mês vou casar-me, e é sempre bom descobrir que do outro lado do oceano há muito boa gente que pensa e que vive os mesmos valores que alguns de nos!

    Obrigada

    Margarida

    • Obrigado Margarida !

      Felicidades no seu casamento !

      Eduardo.

  5. É Luci…mas a “passarela” do trabalho continua muito sedutora…

    Obrigado pelo apoio…

  6. Sabe o que eu acho, meu caro Dudu? Que essa coisa de queimar o sutiã em praça pública e se rebelar contra os homens foi a maior barca furada em que as mulheres entraram, pois apenas somaram esforços aos que já tinham antes. E depois disso, a recusa em fazer seu papel de mulher, de mãe, etc, é bastante anti-natural. E os homens não mudaram nadinha, continuam fazendo as coisas como sempre fizeram. Tem algo errado aí, não? Excelente artigo!

  7. Cara o tema é muito bom, acredito ser o momento exato para reflexão, pois estamos no mês de Maria nossa Mãe.

    Grande abraço e parabéns.

    Roberto

    • …e muita coisa ficou de fora…sem comentar…..fica para outra oportunidade…abraço…

  8. Caro Eduardo, fico contente de ver e ler seu Blog. Um alento para as famílias.
    Estamos precisando cada vez mais abrir frentes de batalhas em prol da família.
    Parabéns pelo texto, excelente!

    • Liana, penso que a sociedade moderna tem medo da Família.
      Isso mesmo, medo… defender a Família é algo muito mais profundo do que mera “tradição”.

      Obrigado pelo incentivo.

      Eduardo.

  9. Caro Eduardo, parabéns por este brilhante trabalho. Oxalá, muitos sigam o teu exemplo, usufluindo dos meios de comunicações para disseminar valores que enriquece a humanidade.
    Abraço,

    • Caro Antônio Carlos,

      É a defesa dos valores de sempre, não são coisas “velhas”, nem “novas”.
      Obrigado pelo apoio.

      Eduardo.


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